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09/12/2015 09:34

Os limites do impeachment e o "mordomo de filme de terror"

Mário Sérgio Lorenzetto
Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror

Os limites do impeachment e o "mordomo de filme de terror".

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Ninguém consegue decifrar a esfinge que se tornou a política nacional. "Decifra-me ou te devoro" tem odor de todos os políticos serem devorados. O primeiro grande fator limitador do impeachment está no seio do alto tucanato: Aécio quer que o TSE casse a chapa Dilma-Temer e conclame novas eleições, Alckmin desejar ver a gestão de Dilma ser arrastada para a destruição final somente em 2018 e Serra deseja o impeachment já. Três correntes, três partidos dentro de um só ninho tucano.

Outra dificuldade, talvez momentânea, é o desânimo que acometeu a população. Neste fim de ano de Natal e de festas, o brasileiro está mais preocupado com o dinheiro para comprar presentes, comidas especiais, bebidas e viagens. Não é uma boa hora para debater impeachment ou qualquer novela política. À esquerda e à direita, todos desejam boas festas, onde os políticos não têm lugar à mesa.

Há um fator surpreendente e até mesmo desconcertante: somente o governador do vizinho Mato Grosso, o neo-tucano, Pedro Taques, declarou lutar pelo impeachment. Quinze governadores declararam guerra ao impeachment e os demais subiram no muro, pois afinal, os tempos são de indefinição e os governadores necessitam do apoio de Brasília. Sem governadores na rua, os movimentos não organizados dificilmente levarão um bom número de pessoas às passeatas. Sem povo nas ruas não haverá impedimento da Dilma.

Se há uma clara divisão entre os tucanos, para o lado dos peemedebistas a divisão é ainda maior. Há um pequeno contingente deles que está no movimento pró impeachment desde o início dos tempos. Todavia, a maioria balança entre ficar com Dilma ou subir no muro. O comandante da indefinição é o vice-presidente da República Michel Temer. Apelidado de "mordomo de filme de terror", pelo falecido Toninho Malvadeza (Antônio Carlos Magalhães), o vice faz cara de desentendido quando lhe questionam sobre o impeachment. Manda seus companheiros comunicar que virou uma estátua indecifrável. Não quer parecer oportunista, mas também não perderá a oportunidade de virar um novo Itamar Franco, e conciliar o país.

Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror
Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror

O Jaburu é o ninho mais frequentado de Brasília.

O Palácio do Jaburu tornou-se um dos endereços mais requisitados de Brasília nos últimos dias. Nesse palácio há muito entusiasmo e discussão. Foi nesse endereço que o documento "Uma Ponte para o Futuro", espécie de roteiro de um governo do PMDB, foi lançado, ainda que "discretamente". Aliás, a discrição é sinônimo de Temer, ele faz movimentos políticos que sempre deixam sua digital, como o recente pedido de demissão do Ministro Eliseu Padilha, mas nunca sai a público vociferando ou panfletando suas aspirações.

O ninho do Jaburu é uma casa dividida ao meio, entre os pró-Dilma e os pró-impeachment. De lá saem recados para Dilma e para Serra. José Serra é o tucano mais próximo de Temer. Ele seria o homem forte de um eventual governo Temer, o que causa apreensão no ninho de Aécio e de Alckmin. Um possível êxito de Serra na condução da economia brasileira lhe daria musculatura para uma nova candidatura presidencial em qualquer partido. Serra leu e promoveu mudanças no "Uma Ponte para o Futuro" e no abaixo-assinado dos senadores favoráveis à abertura do impeachment. Mas esse documento não encontrou adesão de Aécio e a coleta de assinaturas cessou. Entre o jogo de vaidades e de interesses, ninguém garante que o impeachment passará no Congresso Nacional.

Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror
Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror

Impeachment da Dilma: quem está certo?

A resposta mais coerente para essa pergunta é: ninguém. Nem a oposição, nem a situação está agindo apenas de boa fé. O governo tem uma gestão errática do dinheiro público visando exclusivamente obter dividendos eleitorais, sem se importar com a crise econômica. Estamos vivendo em situação de "cheque especial" por obra e graça do ex-Ministro Mantega. A oposição está apenas politizando algo que sempre ocorreu no país - as pedaladas fiscais - e nunca foi cobrado pelo Tribunal de Contas da União e pela oposição aos governantes. A oposição, inclusive o PT, em tempos de FHC e Itamar, jamais se interessou pelos números do orçamento. Só liam essa peça fundamental de um governo para saber onde poderiam encontrar uma alternativa para colocar suas emendas. Nem mesmo o PSDB na era Lula exerceu seu dever de fiscalizar "pedaladas" e congêneres.

Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror
Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror

Afinal, o que o impeachment está julgando?

De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), o governo deixou de pagar cerca de R$ 40 bilhões aos bancos públicos - Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES. Os bancos eram responsáveis por um grande número de programas governamentais e de crédito subsidiado às empresas. Ao deixar de pagar aos bancos, o governo contraiu uma dívida. É como se os bancos tivessem emprestado ao governo, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O próprio TCU reconhece que a prática é comum e já foi vista antes em outras gestões. O que teria chamado a atenção do TCU seria o montante desembolsado pelos bancos. No ano passado as pedaladas teriam batido o recorde.

O governo se defende, afirma que não feriu a LRF, pois a situação de endividamento com os bancos públicos foi legalmente assinada em contrato com os três bancos públicos. Também diz que o governo não levou prejuízo para esses bancos porque algumas vezes deixa de pagar os bancos e, outras vezes, paga adiantado. O governo afirma que o que caracteriza uma operação de crédito não é o volume de dinheiro. Não importa se um real ou um milhão de reais, e que agora não pode porque o volume é maior, não faz sentido.

Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror
Os limites do impeachment e o mordomo de filme de terror

A moda de viajar nas férias começou na Veneza do século XVIII.

Nas cidades italianas do século XVIII, quando se aproximava o verão muitos cidadãos eram presa de uma inquietação. De forma muito parecida com o que ocorre hoje em dia, todos se punham a pensar nas próximas férias. "Onde vai nas férias este ano?" "Não sei; ainda não decidi", diziam em suas conversas. Ficar na cidade durante o verão era inconcebível: "Um ano sem férias?" "O que diriam de mim? Não me atreveria a olhar ninguém". A inveja dos que viajavam nas férias era insuportável: "Todo mundo vai ao campo e não quero que digam que eu ficarei aqui de guarda".

Em um famoso texto italiano vem a explicação: "a inocente diversão de passar o verão no campo se converteu, em nossos dias (séc. XVIII), em uma paixão, um desvario, uma desordem". Em verdade, naquele século quase não se falava em férias e sim em "vileggiatura". Esse termo fazia referência às "villas", residências no campo que se fizeram muito populares a partir do Renascimento. Os ricos e nobres de cidades como Roma, Florença e Veneza iam a cada ano a essas casas, as vezes autênticos palácios. Mas, antes do século XVIII iam às "villas" para supervisionar os trabalhos em suas fazendas e aproveitar para desfrutar de um tempo de calma e de contato com a natureza. Tão logo os ricos e nobres viam terminar a colheita, retornavam à cidade.

Na primeira metade do século XVIII, essa prática mudou de caráter. Para começar, o período aumentou; em Veneza havia inclusive duas temporadas, de meados de junho a meados de julho e de princípios de setembro a meados de novembro. No total, quase quatro meses, ainda que para muitas famílias apenas a mulher e os filhos ficavam nas "villas", pois seus maridos voltavam a Veneza. Mas a principal diferença com o passado é que as férias não se dedicavam a cuidar do campo e sim a simples e pura diversão. As férias se converteram em uma moda, um sinal de distinção social. Todos viajam ao mesmo tempo, às mesmas regiões, para provocar inveja aos demais. Se no século XVI a viagem ao campo era só para uma minoria, no século XVIII a "vileggiatura" atraiu um grupo mais amplo, o da burguesia comercial - a classe média.

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