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01/10/2014 07:54

Partidos políticos dominam serviço público e impedem real melhoria

Mário Sérgio Lorenzetto
Partidos políticos dominam serviço público e impedem real melhoria

Debate morto: democratismo de plebiscitos x elitismo de funcionários de carreira

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Desde as grandes mobilizações de junho de 2013, o país ensaiou um profícuo debate que faleceu no transcurso da campanha eleitoral que está findando: a opção entre plebiscitos para as grandes controvérsias, que são postergadas no país, e a estrutura burocrática formada por quadros dos partidos políticos, especialmente do PT, dominando o cenário do poder brasiliense.

Esse é um antigo debate. Originário dos Estados Unidos, nas primeiras décadas dos anos 1800, os partidos eram divididos em democratas centralizadores "versus" descentralizadores federalistas. Foi nos EUA que a cabala de votos realizada em conciliábulos (os conhecidos "cáucus") de dirigentes partidários que tornou os partidos em organizações permanentes, desde o ponto mais baixo de sua estruturação, ao nível dos quarteirões de moradores ("ward"), ao dos distritos ("polling district") e associações regionais, chegando até a nacional.

Em 1825, aparece uma grande crise na estruturação partidária nos EUA: o "cáucus" congressual reconheceu John Quincey Adams como Presidente da República, mas quem teve a maioria dos votos da população foi Andrew Jackson. Estava abalada a organização partidária formada por quadros dos partidos políticos. E ficaria mais abalada ainda na eleição seguinte, quando Jackson obteve uma vitória esmagadora. Destruiu o sistema indireto de escolha presidencial.

A democracia ameaçava converter-se em democratismo, imediatismo que muitos tendem a apoiar não prevendo suas consequências, apenas como um grito de protesto. A alternativa encontrada nos EUA foi a da escolha dos candidatos pelas convenções partidárias. Os "cáucuses" mantiveram sua importância apenas nos níveis inferiores quando das eleições primárias testando os candidatos a candidatos por cada partido. O risco dos plebiscitos tinha passado. O maior argumento contra o instrumento plebiscitário é o de uma ditadura de quem pergunta. Apesar da aparência de uma democracia sonhada e almejada, onde todos decidem tudo, quem domina o ambiente político é quem detêm o poder da questão que é levada ao voto popular.

Do outro lado do Atlântico, no continente europeu, na mesma época, os partidos tendiam a cair no extremo oposto - o elitismo dos funcionários de carreira. Uma plêiade de quadros eleitorais, que quando seu partido estivesse no poder ascenderiam aos mais elevados postos. Sem especialização alguma, sem capacidades elementares, esses funcionários ocasionavam um "desmanche" dos órgãos públicos.

No Brasil de junho de 2013, a constelação de pleitos que foram para as ruas pode ser resumida em: "maior eficiência dos serviços públicos". A maior eficiência só pode ser conseguida por um aparato preparado e competente. Nenhum elo da extensa corrente de partidos políticos existentes no país deseja essa alternativa. Restava o democratismo dos plebiscitos. Restava.

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Táxis no aeroporto, frotas e curiangos: salada que se eterniza

A falta de táxis no aeroporto é crônica e eterna. Uma das acusações feitas pela imensa maioria dos taxistas é a da proibição de embarcarem novos passageiros nos táxis que ficam vazios ao fim de uma corrida. É algo estranho e merecedor de explicação pela Agência de Trânsito de Campo Grande (Agetran). Afinal, taxi não é uma concessão da Prefeitura? Então, deve atender o passageiro e não os interesses de alguns poucos taxistas "proprietários" daquele ponto.

A Prefeitura fala em conceder 160 táxis. Campo Grande conta atualmente com aproximadamente 479 táxis. É um número muito restrito. Mas os taxistas dizem que 160 carros a mais é um exagero. O número ideal seria de 100 carros.

A grande indagação que se faz presente na categoria é a respeito dos critérios que serão adotados pela Agetran para distribuir os 100 ou 160 novos táxis. Acusam um empresário de ser proprietário de 45 táxis, uma empresária teria outros 25 e seu irmão, mais 13 carros. Mas essa é uma reclamação tão antiga que os aborrece, mas não tomam providências.

A novidade que está estremecendo o setor e que será levada à direção da Agetran é a acusação de funcionários públicos serem proprietários de algumas frotas de táxis. A categoria indaga? Como uma concessão pode pertencer a funcionários públicos? Essa prática não é ilegal?

Eles elogiam a nova direção da Agetran que passou a atendê-los em igualdade de condições com os grandes proprietários de frotas de táxis e estão esperançosos de mudanças nas práticas monopolistas dos táxis. Eles garantem que na atual administração,

pelo menos a Agetran, funciona e tem se comportado corretamente. Ao contrário do período anterior, onde só os ricos tinham vez. E como se tornaram ricos com táxis? Simples: o proprietário "aluga" o taxi para o curiango por um valor que varia entre R$ 150 e R$ 230 por dia. Lucro líquido, sem computar o combustível. Com uma média de R$ 200 por cada carro, a cada dia, o proprietário fatura R$ 6 mil por mês sem esforço algum. A esperança é de fim da salada.

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O “boom” do mercado pet já passou

O Brasil só fica atrás dos Estados Unidos no mercado pet. A projeção para este ano é de vendas de R$ 16,5 bilhões. Ao contrário dos EUA, o Brasil tem uma pulverização de lojas. PetSmart e Petco somam juntas 2,5 mil lojas e dominam 60% do mercado norte americano. Cobasi e Pet Center Marginal são as duas grandes lojas brasileiras e representam apenas 4% do mercado.

O Brasil possui 35 mil “pet shops”. Os primeiros começaram a surgir na década de 80. Até então, o que existia de produtos especializados para pet estava inserido nas lojas agropecuárias. No final dos anos 80, a Purina - que ainda não pertencia à Nestlé - estava testando alimentos balanceados para cães e gatos. Forneceu alguns produtos para a Cobasi, que era uma loja de produtos agropecuários, testar as vendas. Tudo foi vendido em uma única tarde. De repente, as pilhas de sacos com alimentos para cães e gatos era bem maior que para cavalos e bois. Nasciam os primeiros pets brasileiros.

Nos anos 80, o Brasil produzia em média 5 mil toneladas de alimentos para pets por mês. Em 1994, já eram 250 mil. Em 2013, foram produzidos 2,3 milhões de toneladas de alimentos.

Hoje, a Cobasi tem 26 lojas próprias e 1,8 mil funcionários. Não admite franquias e não compra dinheiro em banco para expandir ou para giro. Já a Pet Center Marginal conta com 27 lojas e vendeu 50% dos negócios para um fundo.

Um dos três irmãos proprietários da Cobasi, Ricardo Nassar, faz o prognóstico do setor: "Há um otimismo exagerado no setor. No geral, vivemos um crescimento que acompanha o PIB brasileiro. O próximo passo? Investir em produtos de maior valor. Ir da ração premium para a super premium, por exemplo".

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Agricultura envia equipe à Espanha para aprender transporte de animais

Representantes do grupo de trabalho sobre cargas vivas do Ministério da Agricultura e Pecuária foram à Espanha, passando por várias cidades, para verificar como é feito o controle de animais nas feiras agropecuárias, como funcionam os pontos de controle nas estradas, os protocolos dos veterinários com a polícia rodoviária e ainda como é realizada a verificação dos veículos e dos motoristas que fazem esse serviço.

A ideia é montar um sistema moderno de controle da denominada "carga viva". Atualmente no Brasil não existem regulamentações sobre o assunto. Os veículos via de regra são superlotados com animais, ocasionam acidentes nas estradas e constantemente fazem abates de emergência ao arrepio dos donos dos animais. O grupo de trabalho está encarregado de montar uma nova legislação sobre o assunto que proteja os animais, as finanças dos proprietários e a segurança das estradas.

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Mercado de fertilizantes orgânicos cresce 16% ao ano

Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em 2013, foram vendidos 3,5 milhões de toneladas de fertilizantes organominerais e esse volume deverá chegar a 8 milhões de toneladas em 2015. Ainda é pouco quando se compara com os fertilizantes tradicionais que venderam mais de 31 milhões de toneladas no ano passado, com projeção de venda atual de 32 a 34 milhões de toneladas.

Nos últimos anos, adubar a lavoura e os pastos com produtos biológicos vem caindo no gosto de muitos produtores. Os fertilizantes organominerais são produtos em cuja composição entram vegetais decompostos, enzimas e fertilizantes minerais. Esse tipo de adubação atrai, principalmente, os chamados produtores verdes, identificados com o conceito de agricultura ecológica.

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Netnógrafos preveem problemas para transgênicos e testes em animais

As ideias se viralizam, ganham enormes espaços nas redes sociais e com elas surge uma nova profissão - o netnógrafo - um etnógrafo da era virtual. Ele ou ela fazem a análise de dados da Internet (big data), mas adicionam algum contexto, significado e comportamento humano. Não é uma análise fria de dados e números e, sim, humanizada.

No Brasil, existe pelo menos uma empresa trabalhando com netnógrafos - a Tree Intelligence. E sua "bola de cristal" prevê grandes problemas com os transgênicos e com testes em animais. O caso dos transgênicos ganhou força nos Estados Unidos. A Califórnia aprovou uma lei impeditiva e a discussão viralizou para a Costa Leste daquele país. A previsão da empresa brasileira é de que, como o tema migra, deve ganhar força no Brasil. A segunda previsão do oráculo da Internet diz que, após o caso dos beagles do Instituto Royal, leis foram criadas ou estão em debate para restringir testes em animais nos laboratórios.

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O problema da falta de atenção em empresas e órgãos públicos

É uma raridade encontrar uma empresa ou órgão público onde não exista a falta de atenção dos chefes e gestores. Eles deixam passar informações críticas, vitais ao bom funcionamento exigido. Há exemplos clássicos em todos eles. Em muitas empresas funciona a jogada da venda fechada contra a auferida. Os vendedores ganham comissão por venda fechada, tratada e não pela auferida, que não foi paga efetivamente. Assim como nos órgãos públicos, funcionários que recebem cargos em comissão não cumprem nem mesmo o horário de expediente.

A outra falta de atenção é a de não perceber que, ao longo dos anos, as empresas e órgãos públicos adquirem cacoetes e vícios difíceis de largar e se escoram na ideia de que "aqui a gente faz as coisas desse jeito", como se fosse o único jeito.

Mas há um quadro paradoxal, se por um lado a maioria dos chefes e gestores não presta atenção aos detalhes, há os que prestam em demasia e estreitam a visão aos mínimos detalhes perdendo a perspectiva do quadro maior.

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