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11/11/2013 07:25

Preço do transporte coletivo é estopim antigo para revoltas populares

Mário Sérgio Lorenzetto
Preço do transporte coletivo é estopim antigo para revoltas populares

Copiaram a Revolta do Vintém?

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Não é de hoje que aumentos das tarifas de transporte público tornam-se estopim para manifestações e revoltas populares no nosso país. Em 1880, a cobrança de uma taxa na passagem de bonde transformou a capital do Império, o Rio de Janeiro, em praça de guerra – e contribuiu para desestabilizar a monarquia brasileira, que cairia 9 anos depois. O movimento, considerado o primeiro grande distúrbio urbano no país pela melhoria dos serviços públicos, ficou conhecido como Revolta do Vintém. Pelo menos três pessoas morreram e centenas ficaram feridas durante os dias em que a confusão tomou conta das ruas do Rio de Janeiro. Um vintém equivale a pouco menos de 20 centavos em dinheiro de hoje.

A Revolta começou em 13 de dezembro de 1879, quando a Coroa anunciou um imposto de 20 réis – equivalente a um vintém – sobre as tarifas dos bondes puxados por burros, um dos principais meios de transporte da época. O tributo, denominado “imposto do vintém” seria cobrado diretamente nas passagens a partir de primeiro de janeiro de 1880 e foi instituído pelo governo como forma de diminuir o déficit público. Na prática, era um aumento no preço da passagem, e considerável – da ordem de 20%

Preço do transporte coletivo é estopim antigo para revoltas populares

Trovão – surge um líder diante dos radicais

Trovão entra em ação – a primeira manifestação ocorreu no dia 28 de dezembro. Foi um ato pacífico, ainda não existiam similares dos black blocs, reuniu 5 mil pessoas ( o Rio de Janeiro tinha 1 milhão de habitantes) – no Campo de São Cristovão para ouvir o discurso do abolicionista e republicano José Lopes Trovão. Dono do jornal Gazeta da Noite, Trovão soltou labaredas e tornou-se o principal líder do movimento.

Um mensageiro da monarquia trouxe a informação de que o monarca, mesmo a contragosto, receberia uma comissão dos manifestantes, mas o recado foi ignorado. Começava a radicalização. No dia em que começaria a cobrança do imposto, uma grande manifestação foi organizada no Largo do Paço. Trovão fez um breve discurso pedindo que a população resistisse pacificamente, mas não foi ouvido. A radicalização e falta de liderança se impunha.

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Conheçam os bisavós dos black blocs

Começou o confronto. Os manifestantes tomavam os bondes, espancavam os condutores, esfaqueavam os burros, despedaçavam os carros dos bondes, retiravam os trilhos e as calçadas. Montaram barricadas em várias ruas e depredavam tudo que viam pela frente. Entraram em conflito com a polícia que respondeu à bala, matando três pessoas. Eram os bisavós dos black blocs.

Os movimento de 1880 e o de junho passado tiveram como estopim o aumento do custo das passagens do transporte público, a violência esteve presente e a questão inicial do transporte apontou para outros problemas enfrentados pela população. A grande diferença é que as lideranças de 1880 foram decisivas no início do movimento e a de junho foi horizontalizada, sem líderes.

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O Microtrabalho está aumentando – é o fordismo digital

O termo microtrabalho foi cunhado em 2008, e é um grande serviço destrinchado em dezenas ou centenas de tarefas menores e mais fáceis. Pessoas sem experiência podem realiza-las. Dentro de 20 anos, 90% das pessoas do planeta viverão na Ásia, África e América Latina. Hoje são 83%. De olho nessa mão de obra gigantesca, empresas de grande porte aproveitam a existência do meio de produção à distância, pela internet, para distribuir projetos digitais a centenas de freelancers desses três continentes. Para trabalhar é fácil –basta um computador, acesso à rede e conhecimento de inglês.

As tarefas, em via de regra, são simples. O “freela” pode catalogar fotos, transcrever depoimentos em áudio, digitar listas de nomes de clientes ou localizar números telefônicos de determinada região. Tudo feito de casa – condição que economiza gastos de empresa e trabalhador.

Parece o trabalho dos sonhos, não fosse um porém – os colaboradores não têm vínculo, direito a férias, assistência à saúde e alimentação. Seria uma nova forma de exploração? Por ser fenômeno recente ainda não deram a resposta. O microtrabalho funciona como uma linha de montagem pela internet – fordismo digital. As empresas contratam pessoas comuns em regiões pobres para trabalharem pela internet. Pode ser uma forma de diminuir a pobreza ou uma exploração de mão de obra barata.

 

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Bêbado de tanto ganhar dinheiro

Vários setores de nossa economia reclamaram da onda de desonerações concedidas pelo governo federal. Nos últimos dois anos, o Brasil deixou de arrecadar R$ 46,4 bilhões, segundo a Receita Federal. Vários setores reclamaram porque não entraram na desoneração, mas não houve aumento para a quase totalidade das empresas. A exceção está no ramo das bebidas.

Os fabricantes foram “presenteados” com um aumento de impostos que afetou produtos como água mineral, cerveja, energético e isotônicos. Além de uma carga tributária maior, houve o endurecimento da Lei Seca, complicando ainda mais o cenário para as marcas de bebidas alcoólicas. Resultado: o volume de produção de cerveja caiu 1,8% no primeiro semestre deste ano. Apesar dessa retração nas vendas, há muito espaço para crescer no setor, cujo faturamento chegou a R$ 63 bilhões em 2012, número para dar inveja a qualquer cervejaria no mundo.

Preço do transporte coletivo é estopim antigo para revoltas populares
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O Brasil é o terceiro maior fabricante mundial de cerveja, atrás apenas dos EUA e da China

O consumo per capita nos coloca na 26ª posição, com apenas 66,7 litros anuais. O país líder é a República Tcheca onde cada habitante consome, em média, 122 litros por ano. A empresa campeã em vendagem no Brasil é a Ambev. Sua receita líquida atingiu R$32,2 bilhões no ano passado, valor 18% superior a 2011. O lucro líquido chegou a R$10, 6 bilhões, alta de 21,83%.

Mesmo em cenário adverso, a cervejaria registrou alta de 8,6% em sua receita líquida no primeiro semestre de 2013. Nesse mesmo período, o lucro líquido foi de R$R$4,2 bilhões, com um diminuta queda de 0,3%. Os números estratosféricos consolidaram a Ambev como a empresa mais valiosa do Brasil. Até agosto de 2013, a dona da Skol, Brahma e Antarctica valia em bolsa R$270 bilhões, ficando à frente da Petrobras. Não é a toa que a Ambev detém uma fatia de quase 70% do mercado brasileiro.

Rio de Janeiro é o estado que mais consome cerveja

O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja confirma que no Rio de Janeiro é onde se bebe mais cerveja e chope, cada morador daquele estado bebe, como média, por ano 105,5 litros. Em seguida vem Tocantins com média de 90 litros e em terceiro lugar está o Mato Grosso do Sul com 71,9 litros de média, por habitante, no ano. E o consumo não para de crescer no nosso Estado. Em 2012, foram gastos com cerveja R$ 70.991.541. A estimativa para 2013 é de atingir R$79.628.413, alta de 12,2%.

Preço do transporte coletivo é estopim antigo para revoltas populares
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Existem três caminhos para conquistar a sabedoria e experiência: e as empresas brasileiras sabem crescer

Um dos mais célebres pensamentos do chinês Confúcio diz que há três caminhos para se conquistar sabedoria e experiência. Primeiro, por reflexão, que é o modo mais nobre. Segundo, por imitação, considerado o mais fácil. Terceiro, por experiência, o mais amargo de todos.

Nos últimos anos pode-se dizer que as empresas brasileiras trilharam os três caminhos. E aprenderam. Mesmo diante de muitos obstáculos, a maioria dos setores produtivos do país, uns mais, outros menos, soube como crescer – por imitação, por reflexão ou pelas próprias experiências.

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Os robôs estão roubando a cena e não vão parar

No Brasil, os robôs entraram pelas portas da indústria, especialmente do setor automotivo. Após alguns anos, médicos, agrônomos, educadores, bancários e marketing estão dando saltos de produtividade ao incorporar novas tecnologias ao ambiente de trabalho.

Na medicina, a robótica é um campo em crescimento acelerado. No Brasil já estão em funcionamento 10 robôs que auxiliam em cirurgias como as realizadas na próstata. Essas máquinas estão concentradas em hospitais particulares em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. Também as escolas de medicina da USP e da Unifesp recentemente adquiriram robôs para cirurgias.

O maior problema é o treinamento do pessoal. Passam por aulas em simuladores, fazem estágio na Universidade do Texas e são monitorados por um médico sênior até estarem aptos a operar com as máquina.

Por outro lado, eles tornam o trabalho dos médicos mais eficiente, uma operação de prostatectomia com robô dura 3 horas, metade do tempo de uma cirurgia tradicional. Estudar no exterior ainda é o melhor jeito de entrar no setor.

Na agricultura, as empresas estão assumindo o papel de educadoras tecnológicas. Os engenheiros e agrônomos saem das faculdades sem saber lidar com toda a tecnologia que o setor demanda. Os profissionais operam máquinas complexas e caras. A substituição de mão de obra humana por máquinas é uma realidade. Uma nova colheitadeira de algodão pode substituir o trabalho de 6 pessoas. Quem sabe manejar a tecnologia não será substituído por ela.

Na educação, as aulas remotas permitem que alunos de todo o mundo possam assistir aos ensinamentos de professores do MIT, de Harvard, da Columbia e de Yale. Também há uma nova geração de professores – são os Now, robôs que dão aulas, corrigem e atualizam dados dos professores de carne e osso. Existem apenas 4 Nows no Brasil. A USP, por sua vez, criou o e-Aula, portal em que compartilha aulas de professores dessa universidade. São 1450 aulas prontas online. O maior problema também está na formação dos professores que não foram preparados para desenvolver aulas online ou para dividir a lousa com um robô.

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Ainda dá tempo, venda de ingressos para a Copa é retomada hoje

Será aberto a partir de 9 horas (horário de Brasília), o segundo período de vendas de ingressos para a Copa do Mundo. São 220 mil ingressos disponíveis nessa fase. Segundo a Fifa, bilhetes para 57 jogos será procedida alocação por ordem de encomenda. A expectativa é de que sejam vendidos rapidamente. Nessa fase, não haverá ingressos para o jogo de abertura em São Paulo, a final no Maracanã, jogos da fase de grupos da Seleção Brasileira, para as oitavas-de-final em Belo Horizonte, assim como as duas semifinais, em Belo Horizonte e São Paulo.

É preciso atenção, a Fifa não indicou nenhuma empresa como representante para a venda de ingressos de jogos. Ou seja, cuidado com os cambistas, você pode ver o sonho tornar-se um tumultuado pesadelo.

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Caro Mário,
Esta sua coluna é bem diversificada e um bom passatempo para "informes gerais" com algumas lúcidas reflexões e comentários inteligentes. Como sei de sua trajetória e experiência na Administração Pública e na atividade política mesmo, sugeriria ao amigo arriscar-se um pouco mais em ampliar suas postagens com algumas manifestações mais "autorais". Formação, vivência e "ossatura intelectual" não lhe faltam. Respeitosamente é apenas uma contribuição para este seu Projeto.
 
Sergio Leal em 12/11/2013 06:56:25
2,70 tá baixo. Onde eles estão com a cabeça?
 
Maria Silvana Lins em 11/11/2013 16:54:40
Cade o Trovão para dar uma trovoada nos vereadores e no prefeito malandro?
 
Alzira Mautner em 11/11/2013 16:20:25
Quando vão parar com a esperteza. Vereadores e prefeito estão acertados para ganhar na passagem de 2,70. E nós só levamos fumo.
 
Pamela Alcantara em 11/11/2013 14:59:15
2,70 é roubalheira.
 
Marcos Cabral em 11/11/2013 14:57:28
Cadê o Trovão de Campo Grande. Os vereadores estão doidos pra acertar com o incompetente prefeito e ficam fingindo que nesse negócio de passagem a 2,70 não teve rolo.
 
Valcir Mendonça em 11/11/2013 11:08:39
2,70 começa hoje e o roubo vem de longa data. Quando vai parar a roubalheira?
 
William Porfirio em 11/11/2013 09:25:21
Trovão neles pra ver se criam vergonha. Porcaria de ônibus.
 
Solange Portocarrero em 11/11/2013 09:00:35
Revolta do vintém e revolta dos 2,70. Estavam roubando naquela época e estão agora.
 
Juan Freixes em 11/11/2013 08:58:40
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