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08/01/2016 08:07

Prefeitos cancelam carnaval para investir em saúde

Mário Sérgio Lorenzetto
Prefeitos cancelam carnaval para investir em saúde

Cidades sem tradição carnavalesca começaram a reduzir as despesas inerentes a esse período. Tudo começou em 2013, quando o prefeito de Petrópolis (RJ) resolveu não liberar verbas para os desfiles para investir R$ 1 milhão na saúde. Em Itatiaia (RJ) o prefeito resolveu economizar R$ 300 mil para também investir em saúde. Em seguida, foi a vez do prefeito de Araquari (SC), tomar decisão semelhante. Recentemente, foi a vez do prefeito de Porto Ferreira (SP) cancelar o desfile oficial do próximo carnaval para comprar uma ambulância. Nem sempre o primado da festa pode estar acima das necessidades vitais da saúde. Especialmente onde o carnaval é tão somente alguns dias de feriado para seus moradores. É o caso da imensa maioria dos municípios do Mato Grosso do Sul.

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200 dias em festas.

Há muito se discute as causas da queda do Império Romano. Cerco dos "bárbaros" do norte da Europa, o avanço da cristandade, desvio de impostos que iam para os bolsos dos arrecadadores, reforma agrária incompleta travando a economia alimentar, fuga em massa para as zonas rurais...enfim, há muitas tentativas de entendimento do século que viu ruir um dos mais colossais impérios do mundo. Todavia, há algo que escapa para muitos historiadores, mas jamais seria esquecido por economistas: Roma tinha 200 dias festivos por ano! Os romanos disfrutavam de um a dois dias de festas por cada dia trabalhado. Nem o segundo império mais rico da história (o mais rico foi o chinês) conseguiu suportar tantas festas.

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As bancadas proprietárias da "empresa" Congresso Nacional.

A maior bancada é a do "bife". Os frigoríficos distribuíram R$ 61 milhões para 162 deputados federais eleitos, mais do que o dobro da bancada do maior partido - o PT. Logo a seguir, vem a bancada dos "banqueiros". O grupo Bradesco doou R$ 20 milhões para 113 deputados federais eleitos. É a segunda maior bancada no Congresso. O grupo Itaú contribuiu com a eleição de 84 deputados federais e gastou "só" R$ 6,5 milhões. Depois vem a bancada do "concreto". Entre as empreiteiras, a OAS investiu R$ 13 milhões para eleger 79 deputados federais. A Andrade Gutierrez gastou quase o mesmo valor e elegeu 68 deputados federais. A Odebrecht doou R$ 6,5 milhões para 62 deputados federais, a UTC deu R$ 7 milhões para 61 deputados e a Queiroz Galvão, R$ 7,5 milhões para 57 parlamentares. É claro que há muitas sobreposições - deputados que receberam de duas ou mais empresas. O grupo Vale, atolado na lama de Mariana, doou R$ 17,7 milhões para 85 deputados federais. A bancada da "cerveja", outra forte doadora, tem na Ambev (dona das marcas Brahma e Antarctica), o principal caixa de campanha. Ela doou R$ 11,7 milhões para 76 deputados. Também temos a bancada do "churrasco", deputados que receberam dos frigoríficos e da cervejaria - totaliza 25 deputados.

O "retorno" para as empresas pode vir de várias maneiras: não convocação para depor em uma CPI, tratamento camarada para os que são convocados, aprovação de projetos de lei de interesse das empresas, arquivamento de outros projetos que não interessem às empresas financiadoras...Não há nada na legislação que impeça um deputado de usar seu cargo em favor de quem financiou sua campanha...e nem haverá.

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A profunda desilusão do eleitor.

A perda de prestígio dos partidos é só um dos sintomas. O Executivo e o Legislativo têm dificuldades para passar pelas narinas da população. O Executivo federal está batendo recordes; nunca foi tão mal avaliado. E a impopularidade não é apenas do governo federal. Governadores e prefeitos também sofrem tendência de baixa. Os deputados e senadores mal haviam tomado posse e metade dos brasileiros já achavam que eles eram ruins ou péssimos em seus mandatos.

O Índice de Confiança Social de 2015 do Ibope mostra queda abrupta do prestígio de tudo relacionado à política. Ela está desmanchando aos olhos da população. Em uma escala em que zero é desconfiança total, e 100 implica confiança absoluta, o Executivo e o Legislativo empataram em míseros 22 pontos. Mais indigente do que eles só os partidos políticos. Seu prestígio esfarelou: caiu de 30 para 17 pontos em um ano.

Nunca houve tão poucas filiações partidárias no Brasil quanto em 2015. Há menos filiados a partidos do que havia no ano passado. Na soma das 32 legendas, houve uma redução de 3 mil militantes desde dezembro. E este não é um ano qualquer. É o ano em que organizam as eleições municipais. Quatro anos atrás - também nas vésperas de um ano de eleições municipais - o total de filiados a partidos políticos havia crescido em 1 milhão de eleitores. Há oito anos, o aumento havia sido ainda maior - 1,7 milhão de novos filiados. A eleição municipal sempre foi a porta de entrada na política partidária. Agora, virou a porta de saída.

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Dilma: quando 250 é muito, mas é pouco.

Parece mais uma frase caricata da presidente Dilma, mas não é. Sem algum tipo de entendimento, nada indica que o novo ano trará novidades na conjuntura brasiliense. Qualquer analista político sabe que o governo Dilma dispõe de, aproximadamente, 250 votos para derrotar o impeachment na Câmara de Deputados. É mais que o suficiente para matar o processo de impeachment no nascedouro, onde bastam 171 votos para a permanência da presidente Dilma. Sim, nesse caso, 250 é muito. É pouco, no entanto, para aprovar a pretensa reforma política, reforma da previdência, reforma tributária e reedição da CPMF. Todos esses projetos divulgados pelo governo, como do mais alto interesse, necessitam de 308 votos para serem aprovados. Essa é a verdade: 250 é muito para derrubar o impeachment e pouco para promover as esperanças dos brasileiros. Restará, tão somente, o Tribunal Superior Eleitoral para cassar a chapa Dilma -Temer. Tem mais, Brasília só terá importância até meados de 2016. Entre junho e julho, deputados e senadores "descem às bases", passarão a cuidar de seus futuros votos, eles sempre são provenientes de vereadores e prefeitos que concorrerão no pleito de outubro.

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