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04/12/2015 08:00

Quando a Vale destruiu o vale. Quando ela destruirá os afluentes do Rio Paraguai

Mário Sérgio Lorenzetto
Quando a Vale destruiu o vale. Quando ela destruirá os afluentes do Rio Paraguai

Quando a Vale destruiu o vale. Quando a Vale destruirá os afluentes do Rio Paraguai?

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A Vale é a terceira maior empresa de mineração do mundo. Seu valor é de US$5 bilhões. Emprega 120 mil pessoas. Tudo nela é gigantesco. A Vale veiculava propaganda dizendo aos brasileiros que a nossa vida merece sonhos grandes. Seu slogan é: "Para um mundo com novos valores". Tudo muito bonito. Tudo maravilhoso. A marca Vale nada mais é do que a abreviação do seu nome original: Vale do Rio Doce. A empresa foi fundada, há mais de 70 anos, no Vale do Rio Doce. Uma barragem pertencente à Vale destruiu o vale que cerca o Rio Doce. Desapareceu a vida, no vale e no rio. Tudo leva a crer que foi mero despreparo, irresponsabilidade e má fé em busca de maiores lucros. O indesmentível é que a Vale tirou o Rio Doce do seu nome e do mapa. Quem quer respeito precisa dar respeito ao próprio nome. A Vale perdeu o que há de mais rico - o nome e o sobrenome. Quando a Vale e outras mineradoras destruirão os 15 afluentes do Rio Paraguai que estão no município de Corumbá.

Quando a Vale destruiu o vale. Quando ela destruirá os afluentes do Rio Paraguai
Quando a Vale destruiu o vale. Quando ela destruirá os afluentes do Rio Paraguai

Razões para a baixa qualidade da educação.

O aprendizado dos alunos nas escolas públicas é muito baixo por vários motivos. Em primeiro lugar os alunos muitas vezes já chegam à escola com sérias deficiências no seu desenvolvimento cognitivo e socioemocional, eles chegam com claras dificuldades de aprender o que quer que seja. O "background" familiar - nível socioeconômico das famílias - é muito importante para o desempenho dos alunos, explicando cerca de 75% do seu desempenho em testes padronizados. Mas, melhorar o background familiar leva muito tempo e nosso problema educacional é urgente.

Com relação aos professores, nosso principal problema é que o ensino de graduação em grande parte das faculdades de pedagogia é fraco, teórico e com pouca ênfase na prática em sala de aula. Não há um currículo mínimo mostrando o que cada professor deve ensinar em cada série. Os diretores das escolas são escolhidos por critérios político-partidários e costumam ficar pouco tempo nas escolas, especialmente nas piores escolas.

Os secretários de educação, de forma geral, não se interessam pela meritocracia no sistema educacional. Só contratam "especialistas" de segunda qualidade, ganhando rios de dinheiro para oferecer nada. Poucos utilizam avaliações externas para guiar políticas educacionais. Finalmente, e talvez o mais importante, os alunos no ensino médio têm cerca de duas horas de aula efetiva em média por dia, o resto é pura enrolação. É impossível conquistar uma mínima melhoria com tão pouco tempo de aprendizagem. Não existe uma solução milagrosa como alguns secretários querem fazer crer. Faz-se necessário um pacote de medidas que ataquem as várias deficiências existentes em todos os elos da cadeia: aluno-família- faculdade-professor- diretor-secretário de educação.

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O perigo do empreendedorismo.

A palavra "empreendedorismo" é originária da palavra francesa "entrepreneur" que significa "aquele que incentiva as brigas". O mundo da tecnologia a transformou; empreender deixou de ser necessariamente um briguento e passou a ser um inovador - alguém que cria novos produtos e serviços. A ideia de inovação foi vulgarizada no Brasil; empreendedor substituiu a palavra "empresário". Vender bolachinha não é empreender, inventar uma nova bolachinha e conseguir a mágica de colocá-la no mercado, é empreender. Criaram uma "indústria do empreendedorismo", vendem projetos, consultorias, jornais, revistas...incentivando algo de muita dificuldade como se fosse simples e fácil. Tem até manual e cartilha do empreendedor. "Basta seguir as regras" para ser feliz e milionário. Nada mais falso. Empresário é diferente de empreendedor e são atividades de altíssimo risco, dificuldade e sacrifício. Lembre-se da origem da palavra: é muito provável que você se torne um briguento. Terá de lutar e de quebrar alguma cara - a tua ou a de outra pessoa.

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Emprestadores vorazes: o empréstimo consignado.

É a verdadeira arte de esfolar os pobres. É comum ver em um balcão de alguma financeira um cliente pedindo mais prazo para quitar sua diminuta dívida. Essas lojas que vendem dinheiro estão por toda parte. São facilmente reconhecidas pelas fachadas coloridas e por letreiros que vendem facilidades para alguém conseguir dinheiro - "sem consulta ao Serasa e ao SPC". Seu maior negócio é vender dinheiro a curtíssimo prazo, com juros altíssimos.

Em escala nacional, esses milhares de "emprestadores vorazes", formam uma indústria financeira poderosa, multiforme, que faz marketing até em camisa de time importante de futebol. A ideia é bem simples, quanto maior o número de pobres com a "corda no pescoço", maior a venda de dinheiro. O momento da economia nacional, em crise, é seu ideal. Apesar de seu sucesso fulgurante, esses prestamistas não são vistos com bons olhos no país (e nem lugar algum do mundo). Os governos tentam de todos os modos regulamentar suas atividades - em vão. Como regra, o empréstimo consignado é devastador, muitas financeiras vendem o dinheiro com juros superiores a 100% ao ano.

Um pobre paga muito por qualquer coisa: prestações, alimentação, seguros e até tempo. As taxas e prestações são sempre mais elevadas para os pobres. Um motorista pobre paga mais caro pelo seguro de seu carrinho - e no Mato Grosso do Sul paga mais caro pelo IPVA do seu "velhinho". As pequenas coisas da vida que castigam os mais pobres podem ser elencadas: tempo perdido nos transportes extremamente mal organizados em Campo Grande, filas de espera nos postos de saúde, no INSS...filas e mais filas para serviços de qualidade inferior. Para eles, não há tempo para o lazer nem direito ao erro. Qualquer pequeno erro em suas contas os conduzirão às portas das financeiras e não se pode esquecer que este é um país onde 64% de sua população diz odiar a matemática. A exclusão começa pela capacidade de entender os números e termina em uma financeira.

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Os equívocos da "caça aos talentos".

Ir à guerra em busca de talentos tornou-se um chavão. Há vinte anos a McKinsey passou a denominar as pessoas de "talentos". Desde então o mundo copiou a ideia. Não passa de uma mentira. A imensa maioria das pessoas não são talentosas. São apenas medianas. Mesmo assim, algumas empresas as apresentam como talentos. O exemplo mais risível foi do Walmart. A rede de supermercados abriu um "Centro de Talentos" nos Estados Unidos. Esse centro ensinava as pessoas a empurrar carrinhos e repor prateleiras. Esqueceram de colocar faixas, guardas de trânsito e faróis. Que tal cobrar multa para quem ultrapassar 2 km/h ao empurrar o carrinho de compras?

A palavra "talento" desumaniza as pessoas. Enquanto metáfora, a guerra pelos talentos é um absurdo. Na guerra sempre há um inimigo e nesse caso parece não haver. A ideia de caçada também é algo para ser esquecida. É tratar pessoas como animais irracionais e nada tão "blasé" quanto uma caçada. Ao invés de caçar talentos seria bem mais rico se sugerissem caçar unicórnios ou hipopótamos no Pantanal.

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