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26/09/2013 07:00

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor

Mário Sérgio Lorenzetto
Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor

Más notícias para o pãozinho nosso de cada dia!

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A safra do trigo no Paraná, maior produtor nacional, atrasou e teve diminuição (12,6%). Muita seca e geada por aquelas bandas. Concomitantemente, ocorreu recuo da safra argentina e suspensão da exportação para o Brasil do grão.

Resultado das duas notícias: pela primeira vez o trigo paranaense alcançou o patamar de R$ 1 mil por tonelada. O salto é grande no preço do trigo há dez anos não passava dos R$850 por tonelada. A tentativa é importar dos EUA. Compramos deles 1 milhão de toneladas nos últimos 12 meses e precisaremos de mais. Muito mais! Outra pequena colaboração deve chegar das terras gaúchas, previsão de aumento de 3,5% da safra. O balanço final deve refletir no preço do pão.

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor
Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor

Alimento orgânico é caro e difícil, mas temos de insistir!

Produzir alimentos orgânicos é como prospectar ouro. Difícil. Deter as pragas e doenças é um imenso desafio. As certificações são caras. Importar e exportar é ainda mais caro. Encontrar mercado também é bem complicado. Optamos pelos intoxicados baratos.

Para o pequeno agricultor, o inverso também é complicado. Não existem estudos científicos, mas duvido que pelo menos um membro de uma família de pequenos agricultores não tenha sofrido intoxicação. O risco para as crianças é imenso, pior que uma criancinha atravessar a Avenida Paulista sozinha. Mas nem tudo está na prateleira da desesperança.

A Abras (Associação Brasileira de Supermercados) anuncia que o mercado dos orgânicos cresce 20% por ano. Um belo número.

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor

Melhor ainda!

O governo Federal reuniu técnicos de dez ministérios. Acreditem, dez ministérios reunidos, algo de impensável até há pouco. Formataram o Planapo (Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica). O governo Federal prevê investir R$ 8,8 bilhões em três anos. Financiamento e assistência técnica estão projetados. Pretende incentivar pesquisas técnicas, agregar valor aos produtos e muito interessante – fortalecer o papel dos jovens e mulheres na produção dos orgânicos. Seria lançado ainda em setembro, beneficiando milhares de pequenos agricultores, especialmente os 90 mil estabelecimentos que não usam agrotóxicos. Número grandioso, mas que significa, na prática, um mercado raquítico para as dimensões do Brasil.

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor
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Gás boliviano – até quando?

Em julho de 1999, o Gasabol (Gasoduto Brasil-Bolívia) deu início a suas operações. Após 2 anos de obras, representava o passo definitivo para diversificação da nossa matriz energética. A entrada em operação do gasoduto apontava importância e enorme dimensão estratégica. O sucesso do projeto como instrumento de desenvolvimento dos dois países e, em particular, de Mato Grosso do Sul, nunca deixou de enfrentar alguns dilemas. Uma hora a política de preços pagos, outra a partidarização boliviana do gás. Sempre em pauta a divisão do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) entre os Estados brasileiros, a diminuição de bombeamento do gás em favorecimento do petróleo carioca. Enfim, os ganhos para todos, países e Estados é enorme e onde existe riqueza, a paz é difícil.

O problema crucial não está nos dilemas descritos e sim no fim das reservas bolivianas. O atual governo boliviano deixou de promover maciços investimentos para a descoberta de novas jazidas e os dados das reservas deixaram há muito tempo, de serem publicados. Existem notícias de que esses dados nem existem.

O que se sabe está na tabela abaixo. Época promissora. Lembrava os primeiros portugueses a aportar no Brasil e Caminha afirmando que em plantando tudo dá. Na Bolívia seria: em esburacando encontra-se gás. Não sabemos! A hipótese mais próxima a ser trabalhada é a do ano 2020, quando cessará a remessa de gás, as reservas estarão exauridas. Certeza? Nenhuma!

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor
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Projetos maluquinhos

A Acesso é uma empresa paulista, localizada no novo “point” financeiro e empresarial que tomou quase tudo da Avenida Paulista – a Avenida Berrini. Dedica-se a tornar documentos de papéis em digitais.

O ambiente é mais que descolado. Nem o proprietário tem sala exclusiva. Trabalham todos em baias compartilhadas, decoradas pelos próprios funcionários. Uma delas totalmente dedicada ao Corinthians (mais de 40% dos paulistanos).

A descontração é obrigatória. Todos podem soltar as ideias livremente e devem fazer propostas sobre os rumos da empresa e novos projetos. Há metas individuais trimestrais. Todos devem se desdobrar para fazer a empresa crescer. Um diz que o setor de cosméticos pode precisar dos serviços da Acesso, outro aparece com uma proposta pensando em mobilidade urbana na Copa e na Olimpíada. Seu presidente Luiz Eduardo Rubião afirma: “Temos vocação para fazermos projetos maluquinhos”. Maluquinhos e rentáveis. Está na Avenida Berrini, exclusiva para os bem sucedidos.

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor
Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor

Nordeste – aquilo que poderia ter sido e não foi – uma história de corrupção, sexo e final feliz...

Os estudantes aprendem que os holandeses foram expulsos do Brasil em 1654 em uma guerra valente movida por índios, negros e portugueses. Só faltou explicar como essa gente armada com espingardas obsoletas, espadas e flechas foi capaz de vencer a principal potência econômica e militar do século XVII que tinha à frente o mais famoso militar da época – Maurício de Nassau. Esse comandante holandês galvanizou todos os jovens europeus a ingressar em suas hostes. Até Descartes – o filósofo da razão – saiu da França para ingressar no exército de Nassau. E percebam bem Descartes era um preguiçoso como poucos o foram. Acordava na hora do almoço com raiva de seu pajem a chamá-lo.

Comparem o poderio militar da Holanda e de Portugal:

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor

Detalhes...

Assim como hoje em dia, o fator bélico especial e decisivo em uma guerra está na aviação, àquela época as guerras eram decididas no mar. A questão em jogo era a recuperação do monolitismo do domínio português no Brasil quebrado pela presença holandesa em Pernambuco.

As negociações luso-holandesas ocuparam os anos 1641 a 1669. Mendonça Furtado as comandava. Tinha por função obter cooperação naval, liberdade de comércio e adquirir armas. Mendonça Furtado será acusado de ter se vendido para o ouro da Holanda. A corrupção, porém, não estava apenas no lado luso. O marquês de Montalvão enviou de “presente” selas de montaria para Nassau. Também enviou o famoso pintor ECKhout para lhe fazer um retrato. Isca para em seguida lhe propor a entrega do Nordeste brasileiro em troca da nomeação de Nassau como comandante-em-chefe do exército português, além de vantagens patrimoniais, “corrupção charmosa”. Nassau não mordeu a isca.

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor
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E com a Igreja...

Em outro momento das negociações e negociatas, foi expedida ordem ao Padre Antônio Vieira para adentrar às negociações. Vieira, após se inteirar do quadro se pôs de acordo que a compra do Nordeste não deveria ultrapassar o montante de 3.000.000 de cruzados e 400.000 a 500.00 cruzados para suborno. Pragmático o padre não? Quem selecionaria os holandeses a serem subornados seria Souza Coutinho. O Padre Antonio Vieira passou a ser cognominado “Judas do Brasil”, uma vez que esse dinheiro sairia dos produtos brasileiros a serem sobretaxados. Usaram de suborno com as esposas dos principais negociantes holandeses. Os mesmos “mimos” que eram presenteados aos homens deveriam ser presenteados às suas mulheres.

Doce!

As intermináveis negociações, 28 anos, também levaram governantes à admoestação de alguns diplomatas que foram criticados por engravidar criadas ao invés de trabalhar.

Finalmente, o pagamento à Holanda ficou acertado em 2.500.000 cruzados (uma enorme fortuna para a época). Parcelados em 20 anos com prestações fixas de 150.000 cruzados

Muito importante para o Brasil que tal pagamento deixou de ser feito por nossos produtos e sim pelos de Cochim e Cananor (Índia).

O açúcar brasileiro, que esteve na pauta das negociações por muitos anos saiu da equação porque seu congênere caribenho começara a tomar os mercados mundiais. Sexo e corrupção... e muitas negociações!

Seca, geada e o pãozinho vai ficar mais caro para o consumidor



O PAOZINHO MAIS CARO, QUE NOVIDADE, NESSE PAIS O QUE NÃO SOBE E SO O SALARIO DO TRABALHADOR E APOSENTADOS DO INSS, PORQUE O RESTO ESTA NAS ALTURAS DO CEU.
 
eraldo a bento em 27/09/2013 07:11:04
Muito bom!!
 
Roberto Cunha em 27/09/2013 06:57:37
Excelente. Está me auxiliando muito nas aulas de economia.
 
Lucas Pardo em 26/09/2013 13:53:50
imagem transparente

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