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01/01/2014 07:00

Um Fórmula 1 no Rally dos Sertões: aventuras de uma gigante de MS

Mário Sérgio Lorenzetto
Um Fórmula 1 no Rally dos Sertões: aventuras de uma gigante de MS

Competir no Rally dos Sertões com um Fórmula 1

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Lembrar do duelo Senna e Mansell nas curvas da pista espanhola em 1991 ainda causa emoções. A batalha resultou em algumas das cenas mais emocionantes que o automobilismo viu. A dança coordenada entre os dois gigantes foi fruto de um conjunto de decisões acertadas das equipes, dos pilotos, dos engenheiros, enfim, de cadeias de suprimentos únicas e difíceis de serem reproduzidas, orientadas a um mesmo objetivo. Organizações tradicionais funcionam da mesma forma. A exemplo da Fórmula 1, elas criam seu sucesso a partir do desdobramento correto de decisões estratégicas claras. Foi assim que a rede de supermercados Comper tornou-se uma gigante no Mato Grosso do Sul.
A proposta de valor do Comper baseou-se no pilar do melhor ponto comercial com o melhor atendimento. Construindo uma cadeia de armazenamento integrada com foco na entrega rápida e sem erros, o Comper padronizou seus processos e começou a oferecer seus produtos a preços atraentes.

Um Fórmula 1 no Rally dos Sertões: aventuras de uma gigante de MS

O sucesso do Comper pode ser comparado com o sucesso da Mc Laren na era Senna

Executaram muito bem três passos distintos: foram capazes de identificar objetivos claros. Segundo, estruturaram um mecanismo de controle adequado. Por fim, foram capazes de operar com excelência o sistema criado, coordenando decisões, pessoas e estrutura física. Obtiveram bons resultados. Todavia, tanto o Comper quanto a Mc Laren enfrentaram dificuldades. Enquanto a McLaren só voltaria a ser campeã em 1998, o Comper, mais recentemente, teve de se remodelar para enfrentar a forte concorrência.
Apesar de sofrer para atingir a excelência na coordenação entre pilotos, equipe e carros na Fórmula 1, a McLaren não optou por investir em outras modalidades do automobilismo. Já o Comper, ao criar uma vertente no atacado, mudou consideravelmente seus objetivos iniciais, incluindo novos consumidores e, em consequência, novas variáveis de negócio.

Um Fórmula 1 no Rally dos Sertões: aventuras de uma gigante de MS

Por essas mudanças, viram seu atacado dar certo

É como se a McLaren resolvesse competir no Rally dos Sertões, o que exigiria, por exemplo, não só um carro, mas uma equipe com algumas características distintas daquela da Fórmula 1. Embora isso seja óbvio no esporte, não é tão claro em empresas tradicionais. É comum elas decidirem entrar em novos mercados, ainda que muito semelhantes, sem a criação de uma nova estrutura de controle e de conhecimentos. Frequentemente tentam competir em Rallys com seus “Fórmula 1” ou implantar a mesma estrutura de um jornal-papel em uma televisão. Nãofunciona.

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Um Fórmula 1 no Rally dos Sertões: aventuras de uma gigante de MS

Diferenças no manejo de galinhas e vacas

Galinhas que comem muito ganham pouco peso e mesmo assim não devem ser abatidas. Algo a ver com as vacas? Para atingir um ponto elevado na produção avícola, os produtores de frangos tiveram de melhorar, enormemente, o grau de planejamento do consumo de rações. Responsável por mais de 70% dos custos dessa cadeia, a administração das rações nos lotes, para posterior abastecimento dos frigoríficos têm no índice de conversão alimentar – relação do consumo médio de ração do animal, em um dado período de tempo, com o ganho de peso proporcionado – o pilar mais utilizado nas decisões de abate.
Em boa parte das empresas avícolas, as curvas estatísticas relacionadas ao consumo de rações indicavam uma diferença clara nas conversões alimentares dos lotes por sexo. Os lotes de fêmeas eram significativamente menos eficientes que os de machos nas mesmas condições, isto é, as fêmeas reduziam as taxas de ganhos de peso, para uma mesma quantidade de ração e ainda por cima tinham idade muito inferior à dos machos. Mesma quantidade de ração – machos maiores e fêmeas menores.
Com base nesse comportamento, criaram uma verdade absoluta – a necessidade de abater lotes de fêmeas sistematicamente antes dos lotes de machos, como medida para reduzir os gastos.

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É preciso considerar toda a cadeia para tomar a decisão correta

De fato, essa decisão faz sentido do ponto de vista nutricional e tendo como foco apenas o fomento avícola. Essa decisão, ao se tratar a cadeia como um todo, poderá não ser a mais lucrativa por mais paradoxal que pareça.
A primeira consideração é aceitar que a cadeia de produção de qualquer animal é, naturalmente, muito complexa. Os lucros serão maiores quanto maior for o planejamento global para chegar ao desmonte do animal. Assim, por exemplo, para produzir peito in-natura, valorizado pelo mercado, é necessário que compulsoriamente se encontre destinação para as coxas, moela e pescoço. Isso, sem contar com as dificuldades adicionais impostas pelos condicionantes de qualidade, pelos rendimentos variáveis, pelos constantes fechamentos de mercados externos, por shelflifes curtíssimos – vida útil, tempo considerado como adequado para consumo –e pelas próprias limitações do parque produtivo. Nesse contexto, mais amplo, basear a escolha de abates dos lotes apenas no índice de conversão pode representar perdas financeiras consideráveis na cadeia.
As empresas avícolas reconheceram a complexidade no processo de planejamento dessa cadeia e investirem desde há muito tempo em modelos matemáticos para dar suporte às suas decisões – algumas vezes, com aparência paradoxal.

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Sadia é exemplo de planejamento correto

Sem dúvida, o caso mais significativo de sucesso de um planejamento bem feito foi o da Sadia, há mais de duas décadas. Se mostrava sua capacidade de inovação, ainda permanece perseguindo modelos cada vez mais complexos e melhores.
Há mais de 20 anos, para perceber ganhos financeiros na ordem de US$ 50 milhões nos primeiros três anos de aplicação, a empresa investiu em um framework – o desenvolvimento de um software, uma abstração que une códigos entre vários projetos de software. Um sistema inteligente de computador composto por vários modelos otimizadores que dão predições estatísticas. Isto, há ais de 20 anos.
O modelo de otimização da Sadia permitiu integrar as decisões de atendimento da demanda de produção e de determinação dos perfis de abate mais adequados a cada cenário de planejamento. Esse modelo, que englobava o fomento – mortalidade, crescimento e qualidade do avicultor - revolucionou a indústria avícola –desde a criação até o desmonte animal. Hoje, começam a trabalhar com big data. Não resta dúvida da possibilidade de otimizar a criação de nossa pecuária.

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