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15/12/2011 07:15

A fantástica exposição do vazio de Jorge Borges por José do Couto Pontes

Grandezas da Literatura

O vazio significa receptividade, aceitação, ao mesmo tempo em que realização, alcance, iluminação. Tal vazio pleno de significados só pode ser atingido por aquele que vence o espelho e se torna o próprio espelho: caminho para os demais, já não expõe personalismos, mas apenas reflete, sem interferir, as imagens a serem trabalhadas pelo interessado que o consulta.

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Esse é o ápice a que, fica sugerido, elevou a inquietação do célebre escritor contista argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), poeta, tradutor, crítico e ensaísta. Abordado por José do Couto Pontes no ensaio “Jorge Luis Borges, A Erudição e os Espelhos”, ganha explicações que o reafirmam como um iniciador do século 20 para o moderno estilo erudito do fantástico realismo mágico.

José do Couto Vieira Pontes, um dos fundadores e ex-presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, ocupa a cadeira 11, pa- trono José Couto de Magalhães. Natural de Três Lagoas. Advogado, magistrado. Prêmio Santos Vahlis Literatura, Rio de Janeiro (1956); procurador geral do Estado de MS (1979); assessor da Procuradoria Geral do Estado (1980-1983); secretário geral da Ordem dos Advogados do Brasil MT, em Campo Grande (1958-1960); comendador Ordem Santos Dumont do ministério da Aeronáutica.

Publicou “Deste Lado do Horizonte”; “Jorge Luis Borges, A Erudição e os Espelhos”; “História da Literatura Sul-Mato-Grossense”; “Do Diário de Cândido Hambre Del Calabozo”; “A Casa dos Ofendículos”; e “Os Vinte Anos da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras”. Na obra “Jorge Luis Borges, A Erudição e os Espelhos”, lança- da em 1976, José do Couto Pontes mostra o autor argentino como emblemático do moderno conto – tendo a erudição no fantástico por envergadura.

Compara-o sem deixar de declará-lo único: “Aproximando-se dos clássicos e cultivando a mística da linguagem, pôde Borges edificar um estilo próprio original, sem submissão ao passa- do”. Situa-o no topo da evolução histórica da ficção ao seu tempo. Bem antes, ao século 17, o início com Balzac, logo com Stendhal, Zola, Dickens, Flaubert – a ficção tradicional; depois avançando com Proust, Dostoievsky, Joyce, Huxley, ilustrando os séculos 18 e 19 com a ampliação da análise psicológica, “explorando o inconscien- te, flagrantizando a totalidade da vida humana (...)”.

Ao século XX, narra Couto Pontes, “Situado no extremo dessa longa maturação de dois séculos de ficção, Borges logrou sugar a quintessência do gênero, comportando-se sua prosa como fruto de vitorioso despojamento estrutural, adotando o realismo mágico e o fantástico, ao perfilar-se com incrível independência numa linha de tradição que conhecera os esforços de Mercier, Cazotte, Nodier, Hoffmann, Poe e Gerard de Nerval”.

Ainda na palavra de Pontes, ao contexto da moderna ficção hispano-americana, “o senhor de admiráveis ideias e criador de situações e conflitos originalíssimos é Jorge Luis Borges, um frio e irônico analista do drama humano, que, com muito ritmo, habilidade e espanto - chega ao âmago das coisas e ao pulsar dos sentimentos mais recônditos, não por via de observações e dados reais, mas servindo-se do mágico e do irreal”.

É considerada vértice da produção de Borges, a obra “O Ale- ph”, que inclui o conto homônimo, entre outros. O processo narrativo na ficção envolve a chamada enumeração exaustiva mesclando palavras e significações de transição brusca ou sem transição, que cativam o leitor. Veja ainda o fantástico traduzindo a verdade pela letra do próprio autor: “Quero acrescentar duas observações: uma, sobre a natureza do Aleph; outra, sobre o seu nome.

Este, como se sabe, é o da primeira letra do alfabeto da língua sagrada. A sua aplicação ao círculo da minha história não parece casual. Para a Cabala, essa letra significa o En Soph, a ilimitada e pura divindade; também se disse que tem a forma de um homem que assinala o céu e a terra, para indicar que o mundo inferior é o espelho e o mapa do superior”.

O intuitivo escritor marca que um ponto do espaço contém todos os pontos; um lugar reúne todos os lugares do mundo, vistos de todos os ângulos; todos os livros do mundo não passam de um livro só. Ele se rendeu à “aceitação do processo circular, a regularidade do retorno eterno”, o giro eterno das coisas que se reiniciam incessan- temente. A predileção pelos espelhos deve-se à busca de decifração. “O espelho, na realidade, é um juiz inquisidor, porque nos mostra como nós somos, lançando-nos uma interrogação dilacerante (...)”. E ao amadurecer, Borges declara: “...

Vi todos os espelhos do mundo e nenhum me refletiu”. Meu estudioso José do Couto Vieira Pontes: Que virá agora, depois dessa fermentação do mágico fantástico nas últimas décadas? Nessa era nova os indivíduos trazem aberturas de comunicação ainda indecifradas, apropriadas a apreender o supostamente inapreensível.

Aumentam as exigências e já não se sabe se o novo homem é assaz re- ducionista ou um inteligente fechado em ultrassínteses. A sementeira das lendas tanto se prolonga que tantas estórias já se provam história. A fé, por exemplo, para um número cada vez maior de buscadores, agora é o que importa para se considerar tais e quais coisas na conta de verdadeiras.

O chamado mágico e o irreal explicam melhor a realidade, entendido que os mundos internos não podem ser explicados pela lógica. Então, novos meios são hoje desenvolvidos para explicar a vida secreta das coisas. E vivas para o sexto sentido e para todos os sentidos até então trazidos em oculto, mas que se põem a brilhar nesta atualidade!

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