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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

11/08/2011 17:17

De iguaria a patrimônio imaterial, sobá deve atrair 200 mil pessoas em festival

Fabiano Arruda

Festival do Sobá incrementa movimento na Feira Central durante quatro dias

Sobá ganhou monumento na Feira Central; símbolo da importância na cultura campo-grandense. (Foto: João Garrigó)Sobá ganhou monumento na Feira Central; símbolo da importância na cultura campo-grandense. (Foto: João Garrigó)

De prato típico a patrimônio imaterial de Campo Grande, o sobá se enraizou definitivamente na cultura da capital de Mato Grosso do Sul, terceira cidade no País com o maior número de descentes japoneses.

De tão “querido” pelo campo-grandense, ganhou monumento na Feira Central e está na sexta edição de evento só para ele: o Festival do Sobá. De hoje a domingo, a estimativa é que cerca de 200 mil pessoas compareçam à “Feirona” nos quatro dias.

O conteúdo dentro da tigela, esteticamente agradável e com aroma bastante atraente, revela história e tradição. O sobá é um prato adaptado da culinária oriental, pelos imigrantes vindos, em 1908, da província de Okinawa, arquipélago de influência chinesa, localizado na região Sul do Japão.

A história conta que, tradicionalmente, à véspera do ano novo, as famílias se reuniam para desgustar o prato feito de macarrão de trigo sarraceno, o toshikoshi-soba.

Em Mato Grosso do Sul, a iguaria ganhou adaptações regionais. A receita parece simples, mas cada estabelecimento proporciona um sabor diferenciado.

A teoria ensina que devem se cozinhar o osso do porco com água e, depois, basta coar o caldo que é temperado com shoyu, saquê, gengibre e sal. O caldo é servido numa tigela e se adiciona macarrão, carne (suína ou bovino), cebolinha e omeletes picados.

Expandido ao longo da história da Feira Central de Campo Grande e também em restaurantes e sobarias, o sobá produzido por aqui não é encontrado em outro lugar do País ou do mundo.

“Você procura em outro lugar e não encontra, justamente pela adaptação regional que o prato ganhou”, garante Elisberto Taira, que está há 20 anos na “Feirona” comercializando sobás.

Animado, ele afirma que o movimento em sua barraca aumenta média de 70% e que pelo menos mil pessoas passam por lá. Com tanta gente, o prato não demora, no máximo, três minutos para ser servido.

É assim todo ano de festival, conta Taíra. Para não ficar estagnado, este ano resolveu inovar. Vai promover dois lançamentos: o “Sobá Pantaneiro”, com carne de sol, e o sobá com adicional de tofu, o queijo de soja.

“Vai ser um teste durante o festival e, caso dê certo, vamos incrementar no cardápio”, conta Taíra, sansei na descendência nipônica.

Com tanto público, funcionários de barracas aprimoram preparação do prato a ser servido em tempos recordes. (Foto: Arquivo)Com tanto público, funcionários de barracas aprimoram preparação do prato a ser servido em tempos recordes. (Foto: Arquivo)

Franquia - Além de patrimônio imaterial, o sobá virou franquia, anunciada em abril, em Campo Grande, fruto da ideia de cinco proprietários de restaurantes da Feira Central para agregar o valor ao alimento e expandir o método de produção e comercialização nos mesmos moldes do que é elaborado pelos comerciantes japoneses.

O trabalho passa pela organização de todas as etapas de fabricação do produto, que tem como partida a experiência de quem há gerações vende o sobá em feiras da cidade, e vai terminar com definição das regras para negociação da marca Brasil a fora.

A franquia foi elaborada também em parceria com o Sebrae, a Associação Brasileira de Franchising e a Incubadora Municipal de Alimentos Norman Edward Hanson.

Feira Central - A história do sobá caminhou junto com a “Feirona” de Campo Grande, fundada por meio decreto, em 4 de maio de 1925, pelo então entendente municipal Arnaldo Estevão Figueiredo.

O primeiro local foi na Avenida Afonso Pena e funcionava das 8h às 16h aos sábado. Dois anos mais tarde, desta vez por decreto do então entendente municipal Jonas Corrê Costa, o horário de funcionamento passou para quinta-feira e domingo das 6h às 10h.

Mais tarde, a “Feirona” ainda passaria pela Rua Pandiá Calógeras e para a Antônio Maria Coelho antes de, em 1966, por meio de decreto do então prefeito Antônio Mendes, foi para a Rua José Antônio e Abrão Júlio Rahe.

Lá a Feira Central ganhou mais força na cultura campo-grandense, e tomou conta da Rua Padre João Crippa e virou definitivamente um local tradicionalmente familiar.

Até que em 16 de dezembro de 2004, o então prefeito André Puccinelli assinou decreto e transferiu a “Feirona” para a Esplanada Ferroviária. À época a mudança causou polêmica e muita discussão, mas a ideia já agradava os feirantes que sonhavam com um espaço amplo.




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