A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

14/08/2013 06:21

Casa da Memória vira autoescola e reabre debate sobre uso de prédios históricos

Ângela Kempfer
Casa da Memória vira autoescola e reabre debate sobre uso de prédios históricos

Acostumados a cruzar a Calógeras e na esquina com a Barão do Rio Branco ver aquele prédio preservado, com a arquitetura de 1922, hoje muitos se espantam ao se deparar com o imóvel, até então conhecido como “Casa da Memória”. O lugar virou autoescola, ganhou faixas enormes com anúncio de desconto, grades de proteção e o amarelo da logomarca da empresa foi parar no muro, pintado na parte de metal, que há quase 100 anos foi moldada como madeira, para imitar galhos robustos de árvores.

Veja Mais
Traços da nossa arquitetura, desde o “Gabinete Téchnico de Desenho" na Calógeras
Casa de madeira mantém as lembranças de 92 anos de dona Nazira na 14 de Julho

O prédio de importância histórica virou mais um ponto comercial da cidade, o que faz as pessoas pensarem. “Achei horrível, porque é um lugar histórico. Acho que tinha de ter sido mantido, para contar a história da nossa cidade”, diz na porta da autoescola o aposentado Evandro Silva, de 66 anos.

 O aposentado Evandro Silva não gostou do destino dado à casa. O aposentado Evandro Silva não gostou do destino dado à casa.
Cláudio Severo Pereira também achou estranhoCláudio Severo Pereira também achou estranho

O funcionário público Cláudio Severo Pereira, de 57 anos, também considera estranho: “Pensei que porque existe uma lei que diz que é patrimônio histórico não poderia ser alterado nem um pouco. Moro desde 84 aqui e sempre achei um lugar muito bonito da cidade. Falta memória para as pessoas. Como vou contar a história deste lugar para a minha neta de 1 ano?”, lamenta.

Leila da Rosa, de 19 anos, discorda. “Está muito melhor, porque era um lugar abandonado. Foi bom porque pintaram e mudaram a cor”. Outra moradora, Leda Machado, de 40 anos, também não considera a mudança ruim. “Era uma casa de cultura, mas vivia fechada. Sou a favor da cultura, mas não abandonada do jeito que estava. Então achei muito positivo”.

Na verdade, o prédio não é tombado como patrimônio histórico. Oficialmente, foi classificado em 2010 como “imóvel de interesse cultural”. Na prática, também não pode ter a fachada alterada, mas nada impede que o uso seja comercial.

As histórias entre as paredes de 91 anos são de Arnaldo Estevão de Figueiredo, o último governador do Mato Grosso uno. Durante 10 anos (1996-2006), a filha Lélia Rita manteve o lugar aberto, como espaço cultural, uma “Casa da Memória”.

Havia cartas pessoais, documentos, fotografias e mobiliário antigo. Mas o prédio tem o valor maior, tem o peso histórico da construção desenhada por Camillo Boni, com um detalhe: foi a primeira residência com banheiro dentro da casa aqui em Campo Grande.

Sem apoio da prefeitura ou do governo, a filha não teve condições financeiras de manter o local aberto e a história viva, então a casa foi para locação. Antes, Lélia já havia solicitado o tombamento, mas teve o pedido negado.

Leda Machado não considera a mudança ruimLeda Machado não considera a mudança ruim

“O que está acontecendo como o imóvel é mais um passo que indica a necessidade de Campo Grande ter uma política de tombamento. Este imóvel é de interesse de toda sociedade. Ali viveu um dos mais importantes governadores do Mato Grosso. Importantíssimo para história do Centro-Oeste”, lembra o urbanista Ângelo Arruda.

Não há isenção alguma de impostos ou linhas de financiamento específicas para os proprietários desse tipo de patrimônio no município. Por isso, os prédios que têm alguma coisa para nos mostrar sobre o passado, com o tempo vão desaparecendo.

Quando o assunto é memória, o chefe da Divisão de Patrimônio da Prefeitura de Campo Grande, Rubens Castro Marques, fala imediatamente da residência de Vespasiano Martins. Demolida, agora o terreno serve de estacionamento de supermercado na Calógeras. Era um lindo palacete de estilo eclético, que desapareceu do cotidiano campo-grandense.

“Infelizmente, a especulação imobiliária se sobrepõe ao interesse cultural”, comenta. Em defesa da prefeitura, ele diz que hoje os imóveis históricos da região central estão sob regime especial. “Mesmo sem serem tombados, não podem ser demolidos e as reformas são submetidas à avaliação”, justifica.

Sobre o uso comercial, Rubens diz não ver nada demais, desde que o bom senso seja usado. “Na Europa, os prédios têm esse tipo de utilização e não há problemas. Só não pode transformar em boate, por exemplo, porque certamente comprometeria a estrutura. Tem de ser algo compatível”, defende. 

Para que o interesse público não tenha mais prejuízos, ele aposta na fiscalização popular. "Hoje as pessoas estão ais conscientes e denunciam quando encontram um prédio histórico sendo descaracterizado".   

Do espaço cultural, só ficou o nome na calçada.Do espaço cultural, só ficou o nome na calçada.

Novo "dono" - O bom nesta história é que o dono da autoescola Wind Car parece ter descoberto o lado lucrativo da preservação. Com o tempo, as pessoas começaram a entrar, para matar a curiosidade sobre o imóvel. “Hoje, 40% das pessoas vêm por conta da curiosidade. Acho que antes eles não vinham porque achavam que pagava. Agora chegam falando que morriam de curiosidade”, conta Valdir Ferreira de Almeida.

Apesar de ter colocado o amarelo no muro, de esconder parte da beleza com anúncios e ter de adaptar o banheiro por conta da lei de acessibilidade, ele garante que não pretende mudar mais nada na casa de Arnaldo Estevão de Figueiredo. “Já pedi até colaboração da família para eu fazer um espaço aqui, para quem chega ver fotos antigas e saber um pouco da história”.

Primeiro, quem entendeu a vantagem de aproveitar um prédio histórico como ponto comercial foi a esposa de Valdir. “Ela me alertou que muita gente ia entrar por curiosidade e depois ia virar cliente. A empresa ganha até a simpatia das pessoas por valorizar o patrimônio”, comenta.

A família Figueiredo também colocou como condição para o aluguel a não descaracterização do imóvel. “Futuramente penso até em comprar. Para mim, é um privilégio muito grande, foi a primeira vez que locaram. Seria um desrespeito mudar as coisas”, diz o empresário.

Tela na parede, da década de 20, e os ladrilhos preservados.Tela na parede, da década de 20, e os ladrilhos preservados.
Espaço para guardar a memória do ex-governador.Espaço para guardar a memória do ex-governador.



O ser humano não é engraçado como diz o Luiz Alves, algumas pessoas, são, antes de tudo, totalmente desinformadas. Esse César Araújo ai, sem saber o que diz é uma piada.
Daliane Genova, parabéns pela iniciativa de "arrumar a casa", com certeza saberá manter o que é histórico dentro dela.
Nada que fica parado, permanece inteiro para sempre, assim, se continuasse no abandono, a Casa da Memória se deterioraria a cada dia.
Tantos prédios antigos, com arquitetura que não se vê mais, já tombaram ao chão e não ao patrimônio histórico. No fim, fica apenas as lembranças estampadas em fotografias. Lamentável...
 
Claudia Silva em 23/08/2013 14:53:33
Lendo todos os comentários, percebo que tem muitas pessoas desinformadas criticando a família, mas eu conheço parte da história, pois convive, e convivo com a família Figueiredo desde 1982.

Então para responder a pergunta do leitor Cezar Araújo!
Leia oque escreveu o bisneto do Dr. Arnaldo Estevão de Figueiredo, o jovem Rodrigo Figueiredo Madureira de Pinho.
E quanto a Dr. Lélia, ela se encontra em estado vegetativo! o esposo dela também não reconhece mais todas pessoas.
E para quem não conhece, eu informo! eles não são ricos como os políticos de hoje, pois o referido ex governador, não roubou os cofres públicos.
e como a família vai conseguir pagar o IPTU, e manter o prédio, sem algum apoio por parte do governo, e prefeitura?
Criticar é fácil, quero ver alguém ir conhecer o fato de perto.
 
Eliria Dieckow em 14/08/2013 21:05:26
TOMBAR PATRIMÔNIO É LINDA A PALAVRA E APÓS ISSO QUEM PRESERVA ALÉM DOS DROGADOS QUE SE ACUMULAM POR LÁ E DEPREDAM AINDA MAIS E FICAM MANIPULANDO COMO ASSALTAR QUEM PASSA.VEJA ESCOLA JOÃO FIGUEIREDO,LÚDIO MARTINS COELHO COM DUQUE DE CAXIAS HOJE SÓ O TERRENO PORQUE NÃO FAZER UMA UNIDADE DE SEGURANÇA COMO BATALHÃO DA PM E CORPO DE BOMBEIROS FÁCIL ACESSO PARA MUITAS REGIÕES DA CIDADE.TEMOS QUE PRESERVAR A HISTÓRIA PORÉM TEMOS QUE COLABORAR TAMBÉM,POIS OS GOVERNOS MUDAM MAIS O POVO PERMANECE,AGORA É HORA DE COBRAR DESSES VEREADORES QUE NEM SEQUER SABE DO QUE ACONTECE COM O PATRIMÔNIO DA CIDADE,TEM QUE TER UMA COMISSÃO O NÃO SABEM DISSO.NO FINAL A CULPA É SÓ DO PREFEITO, FALA SÉRIO. ABRAM O OLHO ENQUANTO É TEMPO.
 
Luiz Carlos Santos Messias em 14/08/2013 19:33:29
Temos que ser mas responsáveis ao julgar os fatos,vc ai leitor me diga quantas vezes passou pelo local e realizou algum tipo manutenção no local?então,acredito que falar todos falam mas fazer realizar e concretizar não faz parte do dia dia de muitos aqui.vão cuidar das suas vidas e faça algo para melhorar a vida não piorar.
 
rodrigo rocha em 14/08/2013 15:55:51
Então tá, muito pior foi venderem o prédio e terreno da primeira prefeitura de campo grande que ficava onde hoje é o Bradesco na Afonso Pena esquina com a Calógeras, o prédio era lindo, mas venderam e destruiram, cade nossa historia? Agora querem preservar o albergue, faça-me um favor...
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 14/08/2013 14:54:51
Campo Grande é assim mesmo, sem passado, sem presente e sem futuro...
 
Kaio Gleizer em 14/08/2013 14:08:31
Que triste! Já tem alguns dias que passei em frente e levei um susto! Campo Grande precisa fomentar e brigar pelo tombamento de casas e casarões que necessitam serem preservados.
 
Marcia Regina em 14/08/2013 12:36:52
Primeiramente quero deixar o meu agradecimento pela honra de incitar um documentário sobre este assunto. Como faço parte do quadro de funcionários dessa empresa como Diretora de Ensino, acompanhei de perto a transição da mudança da auto escola, tenho a idoneidade de deixar o meu comentário para responder alguns questionamentos da população Campograndense. Fomos orientados pelos orgãos IPHAN/PLANURB, em manter a fachada e toda a estrutura da casa, o prédio estava se deteriorando com o tempo, gastamos mais de 40 mil reais com a restauração, passamos por vistoria SEMADUR licença de nº 6.8 - 170/2013 e a de nº 6.8 - 171/2013 nos termos do Processo 37083/2013-90. Convidamos a população para visitar o acervo que estamos criando, Manter e Cuidar isso Sim é Manter a História Viva de Campo Grande.
 
Daliane Genova - Diretora de Ensino C.F.C Wind Car em 14/08/2013 11:41:03
Interessante é que "resgatei" um ladrilho hidráulico da caçamba de entulhos que estava lá na frente...e foram preservados? Todos??? Esse que está comigo então veio de onde??
 
Daniele Cruz em 14/08/2013 11:09:42
por q esta casa ainda não virou uma casa como a morada dos baís? demoro!
 
grasiele katy fracaro em 14/08/2013 10:34:00
Ja que estamos falando de história de Campo Grande,para onde foi a Igreja Matriz, esquina da 15 de Novembro e Calogeras, era linda antes de construírem aquela residencia de Padres que dizem que é uma Igreja,e aquela casa de Jose Antonio Pereira no museu me lembro, era na Rua 26 de agosto próximo a av. Calógeras também,se eu tivesse dinheiro compraria uma "Maria fumaça" e colocaria bem ao lado do Camelódromo na Afonso Pena,mas infelizmente são somente sonhos.
 
Teresa Moura em 14/08/2013 10:14:38
Inicialmente, louvo a iniciativa do campograndenews de fomentar o debate a esse respeito. Sou bisneto do Doutor Arnaldo e acompanhei a luta da tia lélia para que aquilo fosse tombado e servisse à memória e à cultura de nosso povo. No entanto, ela teve de fechar o espaço eis que não tinha mais como mantê-lo. Chegou a receber ajuda da prefeitura de Campo Grande, mas essa ajuda foi cancelada em 1999. Passado um tempo, ela sofreu um AVC em 2011( não tem condições de dar parecer algum cezar araújo), se encontra atualmente em uma cama, e, provavelmente, seus filhos decidiram por alugar o imóvel.
Gostaria de fazer uma correção: Arnaldo Estevão de Figueiredo não foi o último governador de Mato Grosso uno, governou entre 1947 e 1950. O último governador de Mato Grosso uno foi Cassio Leite de Barros.
 
Rodrigo Figueiredo Madureira de Pinho em 14/08/2013 09:47:14
se formos falar em lei, e a Casa da Memória foi tombada como patrimônio histórico, ele locatário pode sim utilizar o prédio, apenas não pode modificá-lo, e pode conservá-lo, pintar etc.
Agora, em se tratando de projetos históricos, eu pergunto, cade o banco Itau? que era a instituição que tinha um projeto de conservação da casa e que até cobrava para visitação?
quem já visitou a mesma algum dia, sabe da importância e do significado da mesma para a história de Campo Grande e principalmente de Mato Grosso do Sul.
Se eles não queriam mais por que não ofereceram para uma instituição uma universidade abraçar a causa: UCDB, UNIDERP ou UFMS, que poderiam disponibilizar alunos acadêmicos, estagiários para tal fim, ou até mesmo a prefeitura ou o estado para junto com parceria a instituições?
 
Weruska Dutra em 14/08/2013 09:42:41
Acho que o Governo deveria ter preservado o espaço histórico. Meus pais trabalharam por muito tempo com Dr. Arnaldo, mais precisamente na fazenda Bracinho e minha mãe conta as histórias quando eles vinham ate Campo Grande-MS, e se hospedavam na casa do então Patrão Dr. Arnaldo, Governador do nosso Estado.Ela se emociona, e segue contando as mais lindas histórias de Campo Grande nessa época, envolvendo esse imóvel e o imóvel na mesma quadra que fica na Afonsa Pena. E de repente, tudo se perdeu no tempo, com a inversão dos valores.
 
arlete dos santos valente duarte em 14/08/2013 09:03:27
"Preservar quer dizer preservar" .Nem todo prédio histórico tem que ser aberto à visitação.Mentes atrasadas são as que não valorizam a história de onde nasceram. Campo Grande é uma cidade ainda jovem que não cuida do seu passado, ficando, com o tempo um lugar sem graça, sem identidade própria para seus moradores e turistas. Amo Campo Grande e lamento este fato.
 
Denise Gomes em 14/08/2013 08:55:03
Nossa...eu não acredito que fizeram isso com esse prédio! Morei em Campo Grande por 2 anos e toda vez que passava em frente desse prédio, sempre dizia para quem estava comigo:"Esse prédio tem que ser restaurado, faz parte da história do município", agora fizeram isso, as autoridades tem que tomar providencias em relação a conservação dos prédios que fazem parte da história da cidade.
 
Weber Pessoa em 14/08/2013 08:35:59
Engraçado que quando está lá abandonado ninguém se manifesta, aí quando resolvem fazer alguma coisa todo mundo é contra. Quanto tempo ficou sem utilidade nenhuma esse local? Particularmente nunca vi nada lá kkk
 
Thiago Almeida em 14/08/2013 08:27:11
Acho que tá certo o dono da auto escola, ele tá usando o prédio mas não tá alterando nada que não dê para ser deixado no estado original facilmente, por exemplo pintar o prédio, ele pode pintar até de rosa, depois é só pintar de novo, mas ao mesmo tempo ele tá preservando o imóvel da melhor forma possível, utilizando ele normalmente, esses prédios históricos que ficam fechados vão se deteriorando e depois para reformar custa uma fortuna, o encanamento, eletricidade, tudo tem que ser utilizado no dia a dia, senão estraga, acho que tem que usar e preservar, só não pode fazer reforma que mude alguma característica da construção, e o dono não fica com um imóvel parado, ainda ganha um dinheirinho, já que não pode derrubar e ninguém vai comprar.
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 14/08/2013 08:18:11
É lamentável saber que um espaço histórico como esse precisa ser alugado por um comercio para as pessoas terem "coragem" de entrar e conhecer! Será que não perceberam ainda que a parte histórica de nossa cidade está cada vez mais decadente? Cadê os incentivos culturais? Cadê o investimento em locais que contam a historia de uma cidade? Campo Grande está perdendo sua identidade.
Agora uma coisa me intriga, essa parte da rua Calógeras não está enquadrada na área de revitalização do centro? Então pelo que diz o projeto essa placa em cima do telhado estaria irregular?
Cadê a Semadur que não viu isso???
 
Raquel Seffrin em 14/08/2013 08:12:07
Já que não precisa preservar, então joga tudo no chão e vamos demolir, dai fica uma cidade sem historia.
 
Marcos Wild em 14/08/2013 08:02:58
E o que diz a Sra. Lélia Rita sobre a "casa da memória/auto-escola"? Tem que saber o parecer dela.
 
Cesar Araújo em 14/08/2013 07:55:59
O ser humano é engraçado em tudo, preservar não quer dizer lacrar. Tem mais é que alugar para alguém manter e nada parado tem durabilidade. Tudo precisa de manutenção, que envolve dinheiro. Se tem alguém cuidando, nunca fica esquecido. As mentalidades atrasadas, nunca chegarão a lugar nenhum, por falta de criatividade.
 
luiz alves em 14/08/2013 07:45:27
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.