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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

31/10/2015 07:34

Da Arquitetura para Fotografia e as viagens que transformaram azulejos em série

Paula Maciulevicius
Em Portugal, Fellipe passou a fotografar azulejos portugueses, os legítimos, que viraram produtos e série aqui. (Fellipe Lima)Em Portugal, Fellipe passou a fotografar azulejos portugueses, os legítimos, que viraram produtos e série aqui. (Fellipe Lima)

É com a fotografia que ele se identifica mais e através dela que retrata a Arquitetura que enxerga. Fellipe Lima tem 25 anos, nascido em Presidente Prudente, morou em Pernambuco e Londrina até chegar a Campo Grande, seis anos atrás. Aqui se formou em Arquitetura e nas viagens Brasil afora que se descobriu fotógrafo.

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A escolha da formação foi por ter diante dos projetos a possibilidade de trabalhar com o lado mais criativo no processo da construção. No segundo ano de faculdade que ele fez a primeira viagem fotografando, ainda numa das câmeras compactas, como as que a gente tem em casa.

"Eu usava a câmera para registrar a Arquitetura de arquitetos que eu estudava, famosos. Mas tirava fotos apenas para lembranças", conta. A partir desses cliques que ele começou a pensa num olhar diferente, que iria além dos registros como recordação.

Arquiteto e fotógrafo, Fellipe reuniu paixões num só estúdio.Arquiteto e fotógrafo, Fellipe reuniu paixões num só estúdio.

Da segunda viagem adiante, a bagagem passou a contar com a câmera profissional, a mesma que no último ano de faculdade, registrou os projetos desenvolvidos pelo escritório de Arquitetura onde ele estagiava. De início, só por curiosidade.

Já formado ele comprou equipamento "pra valer", lentes e tripé e viajou para Portugal, onde mora parte da família. Foram seis meses de estadia nos colonizadores e em parte deste tempo Fellipe aproveitou para fazer cursos de fotografia destinado à área de arquitetura.

Paralelo a isso e ao mesmo tempo inserido no contexto, Fellipe passou a fotografar azulejos portugueses, os legítimos, mas sem ainda a pretensão de transformá-los em série. "Andando diariamente por lá via as fachadas, todas de azulejo. É praticamente em tudo, claro que nos lugares históricos têm mais", descreve o fotógrafo e arquiteto.

Ao contrário do Brasil, onde pela lei é preciso deixar o recuo de 5m para começar a construção, em Portugal as casas dão direto para calçada, onde ficam os azulejos. Para turista, é prato cheio. Para arquiteto e fotógrafo então? Nem se fala.

Casa da Música, Porto, Portugal. Projeto de Rem Koolhaas. (Fellipe Lima)Casa da Música, Porto, Portugal. Projeto de Rem Koolhaas. (Fellipe Lima)
Uma por dia, assim são compartilhadas fotos (Fellipe Lima)Uma por dia, assim são compartilhadas fotos (Fellipe Lima)

"Toda pessoa que trabalha com fotografia pensa sempre em fazer séries fotografias". Descrevendo assim ele enumera as quatro séries já produzidas, sendo a dos azulejos - Portiles (Portuguese Tiles ou Azulejos Portugueses) - a mais importante e também a mais divulgada. O arquiteto se propôs e tem cumprido de compartilhar uma imagem por dia. Já são 304 e o projeto encerra na 365 do elemento arquitetônico português mais conhecido do mundo.

"O azulejo português é uma das contribuições mais originais para a cultural universal, e vem ultrapassando sua função utilitária e atingindo o universo artístico, como intervenção poética na criação das arquiteturas e das cidades", explica.

Da fotografia, os azulejos se transformaram em gravuras e em outros produtos, como, quadros, calendários, papel de parede e futuramente estampas de almofadas.

Adega, da série de fotografia de arquitetura. (Fellipe Lima)Adega, da série de fotografia de arquitetura. (Fellipe Lima)

"Por que me encantou? Porque é muito ligado à arquitetura, é um elemento decorativo que me lembra muito nosso país. Os azulejos que temos aqui tem toda influência dos portugueses. Muitas das estampas que fotografei, encontro aqui", diz Fellipe.

Em Campo Grande, Fellipe abriu em fevereiro, junto de mais dois sócios, o estúdio Arcaffo, que reúne as duas paixões do rapaz: arquitetura e fotografia, além de um espaço de coworking para quatro pessoas.

Ao lado dos projetos, Fellipe assina também as fotografias de arquitetura, direcionada aos arquitetos, engenheiros e construtoras. "Muita gente me pergunta o que a fotografia de arquitetura tem que ter. Precisa ler a obra, o que significa e entender os elementos arquitetônicos", explica.

O resultado dessa compreensão é visto nas imagens que combinam elementos dentro da estética fotográfica. "É inadmissível não ter linhas retas, a fotografia de arquitetura tem que ser como seus olhos, tudo reto", compara.

Se pode virar série? Fellipe responde que sim, em cima de elementos como escadas, janelas, portas, texturas e pisos.

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Cidade das Artes de das Ciências, em Valência, Espanha. (Fellipe Lima)Cidade das Artes de das Ciências, em Valência, Espanha. (Fellipe Lima)
Projeto de Santiago Calatrava. (Fellipe Lima)Projeto de Santiago Calatrava. (Fellipe Lima)



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