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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

25/02/2015 11:44

Da janela onde foi composta "Chalana", restauração devolve traços do passado

Paula Maciulevicius
Da sacada do Hotel Galileo que Mário Zan compôs, na década de 40, Chalana. (Foto: Marcos Ermínio)Da sacada do Hotel Galileo que Mário Zan compôs, na década de 40, "Chalana". (Foto: Marcos Ermínio)

Dono de uma arquitetura eclética que mistura estilos de uma época em que Corumbá viveu forte influência europeia. Ora art décor, ora neoclássico, como se não bastasse a riqueza de detalhes da estrutura, da janela, a vista para o Rio Paraguai revela de onde veio a inspiração para compor "Chalana". 

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Construído em 1907, pelo arquiteto italiano Fernando Mármore, foi da sacada do Hotel Galileo que o músico Mário Zan compôs, na década de 40, uma das letras mais significativas para nossa história. "Lá vai uma chalana, bem longe se vai... Navegando no remanso do Rio Paraguai". Restaurado e entregue no final do ano passado, o hotel também guarda no currículo a hospedagem à visitas ilustres, como Getúlio Vargas nos anos 30 e Franklin Roosevelt, no início da década de 40. 

Hoje, sede do Fuphan (Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico), os 686 metros quadrados carregam relíquias nas paredes, no piso, na escadaria e no teto. Os dois banheiros da parte de cima, bem como as seis salas, dão elementos para que a gente possa imaginar a dinâmica. "Dava a entender que as pessoas ficavam meio juntas, os dois banheiros deveriam servir para todos os quartos", interpreta a diretora-presidente da Fundação e arquiteta, Maria Clara Scardini.

A partir dessa vista que músico se inspirou. (Foto: Marcos Ermínio)A partir dessa vista que músico se inspirou. (Foto: Marcos Ermínio)
Hotel dá frente para o Rio Paraguai. (Foto: Marcos Ermínio)Hotel dá frente para o Rio Paraguai. (Foto: Marcos Ermínio)

As paredes tem retalhos da pintura original. Depois de um minucioso trabalho de prospecção, onde se raspa as camadas de tinta passadas ao longo dos anos até encontrar os detalhes originais, é que se descobriu molduras tanto próximo ao teto, como ao longo da estrutura.

Os pedaços originais foram, em parte, mantidos, num misto de passado e presente. O piso é original, bem como as janelas e portas. A grande surpresa, no último 1 ano e meio de obra, foi a descoberta do gradil original da sacada. "Foi quando começamos a quebrar que pudemos ver que estava intacto", revela Maria Clara. Encoberto por concreto, o ferro se manteve mesmo com a passagem do tempo.

No calor da Cidade Branca, o pé direito alto, o posicionamento das janelas, bem como a proporção das paredes trazem luz e frescor naturalmente. "Em muitas salas não se precisa de luz, a espessura mais grossa das paredes garantem um conforto térmico", explica a arquiteta.

Detalhe da parede de um dos quartos (Foto: Marcos Ermínio)Detalhe da parede de um dos quartos (Foto: Marcos Ermínio)
que veio à tona após prospecção. (Foto: Marcos Ermínio)que veio à tona após prospecção. (Foto: Marcos Ermínio)

A obra de restauro já estava parada há dois anos. Logo que o prefeito Paulo Duarte (PT) assumiu a administração, o projeto foi retomado com recursos próprios e entregue em 1 ano e meio para receber a Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico.

"Ela foi criada para focar não só a preservação do patrimônio, mas também o planejamento urbano dele", explica a diretora-presidente. A espera da liberação de recursos do PAC das Cidades Históricas, Corumbá receberá quase R$ 20 milhões que serão aplicados na restauração e requalificação de sete prédios históricos e três praças localizados na área tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, e de entorno.

"Alguns foram aprovados, outros estão em análise. Todos vão receber alguma secretaria ou fundação ou então vamos devolver ao uso", frisa Maria Clara.

Do trabalho no Hotel Galileu, o projeto procurou preservar ao máximo o passado, mesclando com elementos da arquitetura moderna, como a colocação de vidros. "O restauro do patrimônio pode agregar coisas modernas, elas se conversam perfeitamente", resume a arquiteta.

Piso original. (Foto: Marcos Ermínio)Piso original. (Foto: Marcos Ermínio)
Gradil se manteve intacto. (Foto: Marcos Ermínio)Gradil se manteve intacto. (Foto: Marcos Ermínio)
Placa do hotel erguido em 1907. (Foto: Marcos Ermínio)Placa do hotel erguido em 1907. (Foto: Marcos Ermínio)
Escadaria ainda é a mesma de 100 atrás. (Foto: Marcos Ermínio)Escadaria ainda é a mesma de 100 atrás. (Foto: Marcos Ermínio)
Corredor onde ficavam quartos e banheiros. (Foto: Marcos Ermínio)Corredor onde ficavam quartos e banheiros. (Foto: Marcos Ermínio)
Paredes revestidas em pedras, portas e janelas. (Foto: Marcos Ermínio)Paredes revestidas em pedras, portas e janelas. (Foto: Marcos Ermínio)
Fachada do Hotel Galileu hoje. (Foto: Marcos Ermínio)Fachada do Hotel Galileu hoje. (Foto: Marcos Ermínio)
Fachada do Hotel Galileo do passado. Fachada do Hotel Galileo do passado.



Lindo o hotel, uma pena que não funcione mais como hotel, em paises desenvolvidos, propriedades historicas são restauradas e continuam funcionando no mesmo ramo de atividade que funcionou a vida toda, já aqui o governo TOMA a propriedade, paga quanto quiser, restaura e vira museu...foi por isso que os Matarazzo explodiram a mansão que ficava na avenida Paulista, o terreno não tem nem valor de tão bem localizado que é e o governo já havia enviado a PROPOSTA e avisou que iria tombar, como não era um imovel de pessoas ignorantes, eles trataram de colocar tudo abaixo na calada da noite.
 
Max em 25/02/2015 12:33:25
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