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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

26/01/2016 07:58

Do casarão de Bernardo Baís, ficaram a fachada e os móveis entre netos

Paula Maciulevicius
O imóvel pertenceu à família Baís até 2013, depois foi vendido para os proprietários da conveniência Alemão. (Foto: Alan Nantes)O imóvel pertenceu à família Baís até 2013, depois foi vendido para os proprietários da conveniência Alemão. (Foto: Alan Nantes)

Em investigação pelo MPE (Ministério Público Estadual) desde novembro do ano passado, do casarão de Bernardo Carvalho Baís e Magdalena Ferraz Baís, restam a fachada e os móveis que decoravam a casa e foram divididos entre os herdeiros. Em outubro, o Planurb (Instituto Municipal De Planejamento Urbano) verificou alterações não autorizadas no imóvel e municiado de laudos técnicos e fotográficos, o Ministério Público, através da 26ª Promotoria, abriu inquérito para investigar dano ao patrimônio histórico e cultural, devido à demolição parcial da casa. A obra, à época, foi embargada.

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O imóvel pertenceu à família Baís até 2013, depois foi vendido para os proprietários da conveniência Alemão, que no mesmo ano da compra, entraram e tiveram negado o pedido de demolição da casa para ampliação do estacionamento do comércio.

A casa está na Zeic (Zona Especial de Interesse Cultural) e elencada na Lei 161/2010, como bem de interesse para preservação histórica e cultural, que precisa de autorização do poder público para qualquer alteração. Uma demolição, mesmo que parcial, já configura crime contra o patrimônio público.

Fachada da casa ainda não sofreu grandes descaracterizações. (Foto: Alan Nantes)Fachada da casa ainda não sofreu grandes descaracterizações. (Foto: Alan Nantes)
Mais de 80m² foram demolidos sem autorização da Prefeitura no ano passado.  (Foto: Alan Nantes)Mais de 80m² foram demolidos sem autorização da Prefeitura no ano passado. (Foto: Alan Nantes)
Terreno é usado como estacionamento.  (Foto: Alan Nantes)Terreno é usado como estacionamento. (Foto: Alan Nantes)

Os laudos do Planurb, comparam como o imóvel era em 2013 e como está mais recentemente, em 2015. Na obra para ampliação do estacionamento, os donos atuais demoliram 87,53m², que correspondiam do muro e portão dos fundos até parte da cozinha.

A construção, segundo levantamento da Divisão de Planejamento para Proteção de Patrimônio do Planurb, é de 1930 e tem um total de 1.104 m². A fachada hoje verde e que ainda sustenta uma placa da pousada que ali funcionou, está deteriorada, porque além da demolição, o inquérito mostrou também a falta de manutenção.

Na planta, a casa tinha uma varanda, um terraço, duas salas, um escritório, duas copas, três quartos, uma cozinha e nos fundos, ainda garagem para cinco carros, dispensa, quarto de empregada e um banheiro.

Elementos da arquitetura misturam, ora detalhes do artdécor, ora caminham, especialmente na varanda, pelo estilo gótico, barroco e clássico, através das colunas e também no guarda-corpo. As janelas venezianas se abriam para fora e a construção tinha uma peculiaridade, a casa era elevada em relação ao solo, como se vê até hoje a preservação de grades ao longo da construção que faziam circular ventilação. As telhas já desgastadas pelo tempo e falta de cuidado eram cerâmicas tipo francesas. A planta também trazia um recuo lateral direito considerado generoso, mais um detalhe de Bernardo Carvalho Baís.

Do acervo de memórias da família Baís, faz parte dois balcões que foram da sala de Bernardo.  (Foto: Alan Nantes)Do acervo de memórias da família Baís, faz parte dois balcões que foram da sala de Bernardo. (Foto: Alan Nantes)
Donos da casa, Magdalena e Bernardo Carvalho Baís com a bisneta Lila Carla. (Foto: Arquivo Pessoal)Donos da casa, Magdalena e Bernardo Carvalho Baís com a bisneta Lila Carla. (Foto: Arquivo Pessoal)
Neto de Bernardo Carvalho Baís, Carlos Frederico e a filha, Lila Carla. (Foto: Arquivo Pessoal)Neto de Bernardo Carvalho Baís, Carlos Frederico e a filha, Lila Carla. (Foto: Arquivo Pessoal)

A lembrança da casa está nítida ao neto Carlos Frederico de Souza Baís, hoje com 63 anos. "Eles construíram por volta de 1927, o Vespasiano morava na esquina do lado e era cunhado do meu avô", conta. Da parte de dentro, o engenheiro civil se recorda da sala de jantar conjugada e que depois de um arco já vinha outra sala.

"Mais no fundo tinha um terreno grande, com manga, pêssego, laranja, jabuticaba", lembra. O terreno virava campinho de futebol dos meninos quando crianças. A casa com cores entre o branco e o bege recebiam todo domingo os filhos de Bernardo e Magdalena para os almoços de família.

Dos móveis, Carlos ficou com dois balcões que compunham a sala dos avós, um deles, com uma mini-cristaleira. Sempre caprichosa das salas até o jardim, parte da decoração de Magdalena foi dividida entre filhos e netos.

Obras recentes - O vai e vem de pedreiros no imóvel é, segundo a gerência da conveniência Alemão, para a colocação da caixa d'água e instalação do projeto hidráulico e de incêndio do comércio. Parte do terreno que pertenceu à família Baís é hoje usada como estacionamento, mas não para clientes. O gerente, Edson Barbosa, frisou ao Lado B que demolir, só com autorização da prefeitura.

O inquérito no Ministério Público caminha para um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) como já foi firmado anteriormente com o Edifício José Abrão, onde funcionou o Hotel Americano. Se assinado, os donos atuais se comprometem, dentro de um prazo estipulado a recuperar e reconstruir o que foi demolido, além de fazer toda manutenção da casa.

*O conteúdo desta reportagem teve o apoio do arquiteto da Divisão de Planejamento para Proteção de Patrimônio do Planurb (Instituto Municipal De Planejamento Urbano), Fernando Batiston.

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Infelizmente a realidade da nossa Campo Grande, a falta de preservação e consciência daqueles que detém imóveis tombados ou em processo de tombamento. Há anos, temos assistido diversos patrimônios sendo destruídos e muitos que já estão tombados sendo danificados pela ação do tempo. É preciso, na discussão de revisão do Plano Diretor da cidade, que seja elencado os patrimônios de interesse cultural e ambiental como forma de preservá-los.
 
Humberto de Alencar em 26/01/2016 10:48:46
Eu e minha mãe trabalhamos neste casarão em meados de 1995 ou até antes, minha mãe foi cozinheira quando na época funcionou o Hotel LM, permanecemos lá por volta de uns oito anos. Tenho na memória lembranças inteiras de como era este casarão, por dentro e por fora, além de algumas fotos também. Era muito lindo.
 
KELLY CRISTINA DA SILVA COSTA em 26/01/2016 10:00:06
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