A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

30/01/2016 07:40

Entre tijolos e cimentos, pedreira faz da marca sua empresa: a "Construcida"

Giselli Figueiredo
Esta é Cida, com sua conquista, o carro e seu material de trabalho. (Foto: Giselli Figueiredo)Esta é Cida, com sua conquista, o carro e seu material de trabalho. (Foto: Giselli Figueiredo)

Ela não anda, desfila pelo canteiro de obras. O receio de passar entre os homens ficou no passado depois que Cida conseguiu um espaço lá dentro. O trabalho é pesado, mas Aparecida Siqueira Lima, de 43 anos, não reclama. A ex-auxiliar de cozinha, agora pedreira, entrou no que era visto como tradicional reduto masculino da construção civil e faz um marketing de chamar atenção na cidade de Anastácio. Da construção saiu a "Construcida".

Veja Mais
Traços da nossa arquitetura, desde o “Gabinete Téchnico de Desenho" na Calógeras
Casa de madeira mantém as lembranças de 92 anos de dona Nazira na 14 de Julho

“Queria inovar, sair do ramo de restaurante e lanchonete, trabalhar por conta própria”, conta. Cida foi em busca de cursos oferecidos pela Secretaria de Assistência Social do município e o que chamou atenção dela, logo de cara, foi o “A Mão que Constrói”, pelo nome e também pelo futuro garantido. A prefeitura ia iniciar a construção do Residencial Cristo Rei e a empreiteira precisava de mão-de-obra qualificada e com certificação para construir mais de 800 casas. Foi aí que a Secretaria criou o projeto para preparar trabalhadores. 

Com muita disposição e responsabilidade, Cida saiu do curso e colocou seu desejo em prática. Hoje ela já acumula participação em muitas construções de Anastácio. Defeito ou qualidade, ela conta que gosta é de trabalhar sozinha. “Sou detalhista, gosto de fazer do meu jeito, às vezes você arruma alguém pra ajudar e não sai do jeito que a gente quer, então faço eu mesma”, brinca.

Cida põe tijoloCida põe tijolo
E também piso. (Fotos: Giselli Figueiredo)E também piso. (Fotos: Giselli Figueiredo)
No barracão onde colocou os pisos sozinha, segunda obra realizada na cidade. (Foto: Arquivo Pessoal)No barracão onde colocou os pisos sozinha, segunda obra realizada na cidade. (Foto: Arquivo Pessoal)

Longe do salto e da maquiagem, pelo menos no expediente, Cida começou a saga por clientes sem muita ajuda. Mas o boca a boca na cidade logo deu à ela a oportunidade de trabalhar na casa de um agente penitenciário, curioso para ver o trabalho da pedreira. “Precisava erguer um muro, um amigo me falou da Cida, achei curioso, mas resolvi apostar. Mulheres são mais detalhistas, mais limpas, organizadas, mais econômicas com o material. Eu acreditei no trabalho dela e não me arrependi, ela fez tudo sozinha!”, relata Luiz Carlos Albres Cintra, de 48 anos.

Trabalho feito e confiança conquistada, do muro ela partiu para o barracão de bailes da chácara da família de Luiz. “Eu coloquei piso por piso aqui nesse lugar. São 220 m² e me orgulho de chegar aqui, ver as pessoas dançando”, conta orgulhosa.

Com o olhar feminino e caprichoso, ela já ganhou espaço na cidade e mostrou faceira ao Lado B várias obras que têm sua mão e fez questão de mostrar a casa que ergueu sozinha. “Essa casa tem meu suor, fiz com muito carinho, só não coloquei o telhado e não fiz a fiação elétrica, nesse caso tem que ser alguém especializado na área, sei até onde posso ir”, disse.

Construção da casa ficou toda a cargo de Cida, ou melhor, da Construcida. (Foto: Arquivo Pessoal)Construção da casa ficou toda a cargo de Cida, ou melhor, da Construcida. (Foto: Arquivo Pessoal)

Há quem acredite que trabalhos braçais não trazem sucesso profissional e financeiro, contudo, Cida é a prova do contrário. Cida já conquistou o tão sonhado carro. “Quando eu trabalhava como auxiliar de cozinha, andava de bicicleta, sonhava em ter um carro. Agora consegui adquirir um do jeito que eu queria, não é zero, mas é completo, uma pick-up onde eu posso passear e levar meus apetrechos de trabalho”, contou.

E a mulher não para por aí. Já formalizou sua pequena empresa a “Construcida”, se tornou microempreendedora individual e o próximo passo é formar uma equipe só de mulheres. “A profissão de pedreiro já é bem puxada para um homem que tem muito mais força que uma mulher. É muito bom noticiar sobre mulheres que se destacam em raras profissões”.

Além do sorriso e da felicidade, “Construcida” guarda bonitas palavras de gratidão pela oportunidade oferecida no curso. Para a primeira-dama, à frente da pasta de Assistência Social da cidade, ela chegou até a fazer poema:

“...Dona Cynthia a primeira-dama
também não para de trabalhar
promovendo cursos e ajudando todos que querem estudar.

Com isso a cidade está crescendo
Vai se transformando o lugar
É disso que a gente precisa
De emprego e trabalhar...”

Curta o Lado B no Facebook.


*Giselli Figueiredo é jornalista em Aquidauana e Anastácio, amiga, leitora e colaboradora do Lado B. 




que Deus abençoe seu trabalho, que você prospere muito, tenta aprender trabalhar em equipe, fique na supervisão, você crescerá muito mais
 
Sergio Ferreira de Lima em 30/01/2016 09:27:56
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.