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Campo Grande, Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

10/08/2015 06:12

Na 15 de Novembro, casa construída há 50 anos guarda história de amor

Aline Araújo
A casa foi pintada há dois meses mar mantém arquitetura original. (Foto: Marcos Ermínio)A casa foi pintada há dois meses mar mantém arquitetura original. (Foto: Marcos Ermínio)

A casa foi recém pintada, há pouco mais de dois meses, mas conserva a cor e toda a arquitetura originais de 50 anos atrás. O dia exato da conclusão da obra, Marcelina Cardoso do Espirito Santo, de 88 anos, não recorda. Mas o tempo e as histórias ali vividas não deixam dúvidas de que nada paga uma mudança de endereço. Mesmo que o imóvel fique hoje em área valorizada, Marcelina quer morrer ali na casa simples, mas construída pelo marido.

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“Na época não tinha nem poste de luz, aqui era tudo mato. Eu lembro que a boiada passava ai na frente e a gente saia para olhar. Tinha vez que a vaca sentava no portão. Mas a minha memória já não é mais a mesma hoje”, comenta, e solta um sorriso. Hoje a casa tem grades, mas mesmo assim se destaca na paisagem central. 

Julina aos 88 anos relembra história do lugar. (Foto: Marcos Ermínio)Julina aos 88 anos relembra história do lugar. (Foto: Marcos Ermínio)

Ninguém conhece Marcelina pelo nome, ela carrega o apelido de Julina desde a infância. Aos dez anos, conta que escutou uma voz quando brincava de terra em um parquinho. "Nesse dia fui presenteada pelo dom da reza e virei benzedeira", lembra.

A casa foi construída pelas mãos de Armando Espirito Santo, esposo de dona Julina, que faleceu há um ano e meio, aos 90 anos. A história da casa, que já embalou a brincadeira de dez netos e as histórias de infância e adolescência de oito filhos, começa quando o casal se conheceu, e com um toque de ousadia.

Tudo começou em Ponta Porã na década de 40. Armando mudou-se para a cidade no interior do Estado para servir ao Exército Brasileiro, e em uma de suas passeadas seus olhares cruzaram com os de Julina, que na época era noiva de um tenente do exército. A troca de olhares entre os dois foi só começo.

O irmão de Julina era tenente do Exército e foi transferido para Campo Grande. Decidiu chamar a família para ficar por perto. Quando todos mudaram para cá adivinhe quem era o vizinho na nova morada? Isso! Arnaldo.

Julina e Armando. (Foto: Marcos Ermínio)Julina e Armando. (Foto: Marcos Ermínio)

Depois de muita conversa, o noivado com o tal tenente de Ponta Porã virou lenda e o casamento dos dois não demorou para ser assinado no papel.

O casal teve os três primeiros filhos em uma casa alugada, até Armando comprar o terreno onde hoje é a 15 de Novembro. Ele mesmo construiu cada detalhe da casa, do jeito que ele queria, e foi melhorando com o passar dos anos.

“Meu pai construiu tudo com muito esforço e suor. Fez com as próprias mãos. Cuidou de tudo aqui, se ele tivesse aqui hoje, poderia te contar muitas histórias”, comenta outro Armando, um dos filhos de dona Julina, que herdou o nome do pai.

A casa nunca está vazia, ela sempre está cheia de filhos e netos. Alguns, inclusive, moram ali com ela, e os que não moram sempre estão por ali para dar e receber o carinho da avó.

Muitos detalhes foram preservados, como os lustres, comprados assim que a casa passou a ter luz. (Foto: Marcos Ermínio)Muitos detalhes foram preservados, como os lustres, comprados assim que a casa passou a ter luz. (Foto: Marcos Ermínio)
A sala tem fotos na parede. (Foto: Marcos Ermínio)A sala tem fotos na parede. (Foto: Marcos Ermínio)
Uma foto com os netos. (Foto: Arquivo pessoal)Uma foto com os netos. (Foto: Arquivo pessoal)

Hoje o que ela faz mais é conversar. Carrega uma amizade de 57 anos com Sônia Moares, de 69 anos de idade.

“Conheci a Julina quando eu tinha 12 anos, a gente morava perto e nossa amizade continua até hoje”, diz a amiga.

Julina sempre gostou muito de crochê, mas de uns tempos para cá falta firmeza nas mãos para os pontos e ela conta de demora um pouco mais. 

A casa é muito bem cuidada. Fora o piso que já foi trocado, tudo mais é original, escolhido por Armando e Julina. Na varanda e na sala, as lâmpadas ficam dentro de luminárias bem antigas.

Na parede, fotos de quando o casal ainda era bem jovem, enfeitam a casa. São três quartos para abrigar todo mundo que passa por ali.

A porta de madeira é outro item que se destaca. Por onde a gente lança um olhar pela casa, sempre haverá um detalhe para chamar atenção. 

Julina lembra que o Lado B não é o primeiro a ter curiosidade sobre a casa. “Não sei porque, mas sempre vejo a pessoa parada do outro lado da rua tirando foto. Deve ser porque a casa é antiga né?”, concordo com ela, e me despeço com um abraço e agradeço a oportunidade de conhecer um pouco mais da sua história.

Na 15 de Novembro, casa construída há 50 anos guarda história de amor



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