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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

22/08/2013 21:53

Apesar de espetáculo que resiste há décadas, maioria só vai ao teatro "obrigada"

Anny Malagolini
Dona Esmeraldina e Daniva (Foto: Cleber Gellio)Dona Esmeraldina e Daniva (Foto: Cleber Gellio)

Na turma do “Raízes do Bolão”, todo mundo tem o sobrenome Santos. O grupo reúne descendentes do mesmo escravo e veio para mostrar em Campo Grande a cultura da comunidade quilombola que saiu do Amapá.

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Apesar da riqueza que envolve o projeto Batuques e Tambores, que roda o Brasil graças ao Sesc, a estreia na noite de hoje no teatro do Prosa só ficou lotada porque alunos que fazem cursos no Sesc Horto foram convocados para o espetáculo. "Vim porque o professor disse que depois temos que fazer uma resenha", explicou Sebastiana de Moraes, auxiliar de serviços gerais.

Perdeu quem não foi. A música e as danças, passadas de pais para filhos, mas escondidas no interior do Brasil, são a expressão mais simples e ao mesmo tempo espetacular pela resistência durante décadas.

No Dia do Folclore, tão pouco prestigiado pelas escolas de Campo Grande, por exemplo, o show no Sesc Horto comprovou como a data tem motivos de sobra para ser reverenciada.

Para mostrar o que sabem ao resto do País, a família Santos saiu de casa em julho e só vai retornar em setembro. Uma das dança do “Raízes do Bolão” é o “marbaixo”, de compasso mais lento, sem euforia, só ao som da caixa.

Lembra o esforço dos escravos acorrentados, com passos pesados, cansados, obrigados a levar pedras para grandes construções daquele tempo.

O grupo já está na quinta geração. O caçula tem 18 anos. No total, as festas no antigo quilombo têm 126 participantes, mas para a turnê pelo País, só participam 8, todos do distrito de Curiaú, com uma área de 3.321,89 ha, distante 8 quilômetros da capital Macapa.

Mestre Pedro dos Santos, 52 anos, é um dos líderes (Foto: Cleber Gellio)Mestre Pedro dos Santos, 52 anos, é um dos líderes (Foto: Cleber Gellio)

Mestre Pedro dos Santos, 52 anos, é um dos líderes, aprendeu a tocar e cantar com o pai, aos 7. “O lugar de onde vem tudo isso é lindo”, explica sobre a origem da arte popular que foi parar no palco.

Davina é a mais velha. As andanças com o grupo foram uma surpresa à senhora de 62 anos, que ainda é agricultora em Curiaú, pelo valor dado ao que para eles é a vida, um extensão do corpo.

Dona Esmeraldina, também dos Santos, tem 57 anos e uma vitalidade de quem viu a mãe viver bem até os 93 e o avô até os 113 anos. Foi dele a herança cultural. Famosa poeta, autora de livros, ela é filha de Francisca Ramos dos Santos, tia Chiquinha, e de Maximiano Machado dos Santos, mestre Bolão, dois personagens da cultura do Amapá.

Estudou só até os 16 anos, mas só terminou Ensino Médio no ano passado. "Voltei a estudar para ter conhecimento e orgulho de mim mesma e também para os meus netos terem orgulho. Só através da educação você vê o mundo lá fora´”, costuma dizer, cheia de sabedoria.

Utilizando tambores típicos e com batuques tocados em tambores cavados em troncos de árvores e pandeirões, o grupo apresenta *São Joaquim, Baturité, Belém, Mestre Eufrásio, Trevelê, Olha a Saia dela Inderê *e *Aiai Aiai oh aiai Aiaiai,* de domínio público, além de *Patavina* , *Lago das Flores *(Joaquim Laurindo) e *Ainde Tu Vai, Rapaz*.

A programação continua amanhã, também no Teatro Prosa, no Horto Florestal, com o grupo Samba de Cacete da Vacaria – do Pará, que sexta vai estar na Capital e dia 24 em Dourados. No sábado, o show é de Samba Raízes de Tocos – da Bahia e no Domingo do Grupo Alabê Ôni – do Rio Grande do Sul. Os ingressos custam R$ 10,00 para quem tem a carteirinha do SESC e R$ 20,00 para os não associados.

Grupo no palco do Teatro Prosa.Grupo no palco do Teatro Prosa.



Ninguém é obrigado a assistir nenhum espetáculo, o SESC tem espetáculos maravilhosos e quando somos CONVIDADOS a assistir, é um privilégio. Aprendemos muitas coisas: culturas, ritmos... Isso faz abrir a mente, ver um mundo que não é divulgado como deveria, mas é com muito gosto assistir. O que os professores pedem é um comentário escrito sobre os eventos e isso faz com que aprendemos mais sobre a cultura. E quem tiver oportunidade vai, quem é dentro e fora do SESC, não somo obrigados a assistir e sim a prestigiar o que é bonito.
 
Kalil Souza em 31/08/2013 00:09:21
Estava presente ontem no teatro do horto no sesc fomos presentados,pois onde iriamos poder ver a cultura de outro estado ou mesmo do nossos irmãos quilombolas,sempre tive vontade de conhecer a cultura deles,mas por falta de oportunidade nunca fui.Adorei!
Sou descendente de paraguaí,por mãe e pai,tenho muito orgulho da minha descendência,mas também sei que temos um pouquinho do sangue afro e índio pois uma mistura de raças.acho que todos deveriam ir apreciar a cultura,pois é muito rica...
 
maria ramona vaz em 23/08/2013 09:24:29
Não da pra entender , deixam de prestigiar nossa cultura, mesmo sendo o dia do folclore mas com certeza em data próxima as escolas e até mesmo uma grande parcela da população irão comemorar o Halloween .
 
Juarez Delmondes em 22/08/2013 22:36:40
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