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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

15/08/2014 06:20

Cantora de “Tecnomacumba” lamenta veto a show e diz que decisão fomenta o ódio

Elverson Cardozo
Rita tem 27 anos de carreira e nunca havia enfrentado uma situação assim. (Foto: Divulgação)Rita tem 27 anos de carreira e nunca havia enfrentado uma situação assim. (Foto: Divulgação)

Proibida de se apresentar em Campo Grande, na Quinta Gospel, a cantora Rita Ribeiro, ou Rita Benneditto, como passou a ser chamada em 2012, ficou sabendo da polêmica em torno do veto ao seu show, batizado de “Tecnomacumba”, pelo Lado B.

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Em entrevista exclusiva ao canal, concedida por telefone, ela lamentou o ocorrido. Disse que a decisão da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), além de equivocada, fomenta o ódio. “É lamentável que irmãos de fé, seja de qual for a religião, estejam se pegando por uma questão dessa. Respeite. Isso só fomenta mais ódio e a discórdia. E nenhum segmento religioso quer isso. Quer união, amor e paz”, diz.

A artista, que tem 27 anos de carreira e uma história elogiada e consolidada na música brasileira, conta que nunca havia passado por isso antes, mas, apesar da surpresa, não quer entrar no que chama de “briga religiosa”.

Cantora em apresentação. (Foto: Divulgação)Cantora em apresentação. (Foto: Divulgação)

“Não vejo motivo de briga. Vejo motivo de se fazer valer a lei. Se a lei respalda o cidadão e diz que ele tem direito ao usufruto do espaço público que lhe é concedido, e fundação de cultura tem, por obrigação, fomentar a cultura dentro do seu estado, as pessoas tem que respeitar a lei e fazer valer o direito de uns e de outros”.

Rita não quer “brigar”, mas questiona a aplicabilidade de um lei clara que, pelo jeito, não foi compreendida pela diretora-presidente da Fundação, Juliana Zorzo, evangélica declarada. A cantora, ao contrario de Zorzo, sabe a tradução correta da palavra gospel, mas faz questão de ressaltar que, apesar disso, o nome “está diretamente relacionado ao segmento religioso do evangelismo protestante”.

Ela não discute isso. Releva, inclusive, o desconhecimento em torno de um erro que já virou regra, mas questiona a atuação de um órgão que deveria prezar pela isonomia.

“Uma fundação não pode, de maneira alguma, dar prioridade a determinados grupos religiosos e a outros não, porque a sociedade brasileira se constitui de um estado laico de direito, ou seja, tem direito a todas as suas crenças. Isso são pontos que tem que ser levantados. É isso o que vale”, diz.

Vale dizer, também, ela prossegue, que “religiosidade é particularidade do indivíduo” e as pessoas precisam entender isso. “Eu rogo a Olorum, Deus, Jeová, Jah, Oxalá, a todos os deuses, que ilumine a cabeça das pessoas para que elas passam a dar mais importância a outras coisas no mundo do que ficar se preocupando se fulano vai a um templo, uma sinagoga ou terreiro de umbanda. Repeite o indivíduo e suas escolhas. É isso que eu gostaria que existisse”.

Sobre o CD “Tecnomacumba”, que causou tanta discórdia, Rita esclarece que se trata de um projeto premiado, que completa, em 2014, 12 anos de existência e sucesso.

É lamentável que irmãos de fé, seja de qual for a religião, estejam se pegando por uma questão dessa. (Foto: Divulgação)"É lamentável que irmãos de fé, seja de qual for a religião, estejam se pegando por uma questão dessa". (Foto: Divulgação)

“Não é um projeto religioso. É cultural. Eu não sou uma cantora só de macumba. Eu sou uma cantora brasileira, que trabalha a cultura popular e reverencia, com isso, a cultura africana, especialmente sua religiosidade. [] Minha música é de transformação. É de amor, devoção e respeito ao outro. Eu não tenho interesse em entrar em nenhuma briga religiosa porque eu não faço só música de macumba”, declara, agradecendo o presidente da Tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola, Elson Borges dos Santos, que tentou trazê-la para a Capital.

“Quero ir à Campo Grande para ontem, mas quero ser bem recebida. Não quero invadir o espaço de ninguém e muito menos entrar nessa questão porque não vejo fundamento em brigas religiosas, porque nós temos o nosso direito garantido por lei de exercer nossa crença”, conclui.




E os ocupantes de cargos públicos, indicados por quem elegemos, fazendo o que bem entendem, de acordo com suas convicções, em vez de agir com parcimônia, sem privilegiar qualquer que seja o segmento. O cargo é público e a atitude também deve ser dirigida a todos da sociedade, não só de alguns.
 
Adriano Magalhães em 15/08/2014 18:10:09
O preconceito é a raiz da discórdia.
Lamentável
"vetado" tem de ser aquele som horroroso das camionetes dos altos da afonso pena. é uma ofensa aos bons costumes e à paz social.
É o inferno na terra
 
Jessica C em 15/08/2014 17:39:41
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