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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

16/08/2015 07:12

Colecionando Sacis, jornalista grava filme que brinca com o folclore brasileiro

Naiane Mesquita
O jornalista Andriolli Costa estuda sacis e prepara um filme baseado na lenda do folclore brasileiro (Foto: Jessika Andras)O jornalista Andriolli Costa estuda sacis e prepara um filme baseado na lenda do folclore brasileiro (Foto: Jessika Andras)

A primeira vez que o campo-grandense Andriolli Costa ouviu falar em Saci foi na infância. Até ai, a história é como de quase todo mundo, não fosse por um pequeno detalhe. Durante muitos anos, a avó do jornalista se fantasiou de Saci para assustar os quatro filhos, incluindo o pai dele, seu Edgar.

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A tradição na família é antiga. “Ela aprendeu com a minha tataravó, usava as roupas, pintava o rosto de preto, assustava bastante as crianças, meu pai até hoje lembra quando escuta assovio perto de casa”, ri o jornalista.

A coleção de Sacis feitas especialmente para o filme (Foto: Divulgação/Andriolli)A coleção de Sacis feitas especialmente para o filme (Foto: Divulgação/Andriolli)

A história ficou no imaginário de Andriolli, que anos depois decidiu descobrir outros causos do folclore brasileiro. “Eu tinha o interesse no tema, estudei e li muito sobre isso. Cheguei para a minha professora de jornalismo, Márcia Gomes, dizendo que queria estudar sobre folclore, mas não tinha um tema específico. Ela me propôs o Sítio do Pica Pau Amarelo, de Monteiro Lobato”, explica.

A paixão por cultura popular acabou se transformando em uma paixão também pelo Saci. O negrinho, de cachimbo e gorro conquistou de tal forma que virou tema de página no Facebook, filme e até de coleção.

“O que me inspirou a criar o Colecionador de Sacis foi uma foto que fiz de um tronco cheio de orelhas de pau. Diz Monteiro Lobato que o Saci, quando morre, vira orelha de pau. Falei que em São Leopoldo (RS), onde moro atualmente, era um cemitério de Saci. Foi uma repercussão muito boa, todo mundo comentou. As pessoas adoraram saber disso, e eu percebi que precisava de um canal para falar mais sobre isso”, acredita.

O ator César Souza interpreta um colecionador de sacis (Foto: Divulgação/Andriolli Costa)O ator César Souza interpreta um colecionador de sacis (Foto: Divulgação/Andriolli Costa)

Do canal ao filme foi um pulo. Andriolli já tinha experiência em cinema por gravar “Enterros”, em 2010. O curta falava sobre as lendas de que na fronteira do Paraguai, na época da guerra, muitos escondiam seus tesouros nas propriedades rurais. Anos depois, alguém tinha a sorte de recuperar o dinheiro.

“Só terminei o filme em 2015. Comecei por uma oficina no Pontão de Cultura Guaicuru em Campo Grande, depois o grupo acabou se desfazendo e eu não tinha quem finalizasse o filme. Agora que criei mais segurança para eu mesmo fazer”, explica.

De volta a uma oficina de cinema, dessa vez no Rio Grande do Sul, o jornalista escreveu e dirigiu “O Colecionador de Sacis”.

A sinopse do filme é a seguinte: Mário é um homem de meia idade que vive com uma coleção de garrafas de vidro vazias em que ele jura que há Sacis. Um dia, a mais antiga das garrafas se quebra, e o saci que ali vivia parece sumir com os objetos da casa. Quando o diabrete some com os objetos da esposa de Mário, Dalva, o homem pede ao Negrinho do Pastoreio para que o ajude a achar o que tinha perdido. O que ele encontra, no entanto, não era nada do esperado. E Mário talvez não esteja pronto para encarar a verdade.

“Mário é vivido por César Souza, veterano com mais de 30 anos de cinema independente . Seu mais recente trabalho é Pampa Feroz, segmento do longa Fábulas Negras”, acrescenta Andriolli.

Para fazer a coleção, Andriolli pesquisou nomes “verdadeiros” de Sacis. A maioria veio da obra de Monteiro Lobato. “Tenho 42 sacis. Montei a coleção para a cenografia do filme, mas acabou ficando comigo. Sempre vou divulgando, capturando em uma cidade diferente com as características dessa cidade e da literatura mesmo”, indica.

Lembrando que para capturar um saci você deve identificar um redemoinho, jogar uma peneira em cima e prende-lo em uma garrafa, sendo que a rolha deve ter uma cruz desenhada para ele não escapar.

Boa sorte!.




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