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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

05/07/2015 09:07

Em peça, atores representam futuro onde para as minorias se esconder é viver

Adriano Fernandes
Os atores Leandro Faria e Philipe Faria, não são nem dois homens ou duas mulheres. Mas sim o reflexo de um futuro distópico. (Foto: Helton Pérez/Vaca Azul)Os atores Leandro Faria e Philipe Faria, não são nem dois homens ou duas mulheres. Mas sim o reflexo de um futuro distópico. (Foto: Helton Pérez/Vaca Azul)

O quão caótica e angustiante pode se tornar uma sociedade, onde todo e qualquer tipo de diferença é reprimida, violentada, perseguida? Em que um governo autoritário, ditador, usa a religião e a “palavra de Deus” para justificar a supressão de qualquer minoria, seja ela composta por quem for.

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Na peça “Subcutâneo – o que define esta por debaixo da pele”, os atores Leandro Faria e Philipe Faria, não são nem dois homens ou duas mulheres. Mas sim o reflexo de um futuro distópico, resultado da submissão que nós, enquanto sociedade, podemos estar ajudando a construir. Um futuro para o qual, podemos estar caminhando.

O ator Leandro Faria, o Lelo, é quem também assina o roteiro ao lado do parceiro, Philipe Faria.  (Foto: Helton Pérez/Vaca Azul)O ator Leandro Faria, o Lelo, é quem também assina o roteiro ao lado do parceiro, Philipe Faria. (Foto: Helton Pérez/Vaca Azul)

Este é o ponto de partida da peça que se passa em um espaço qualquer, um refúgio, onde estes dois personagens se enclausuram depois que o país levou um golpe de estado, e um presidente ditador assumiu o poder.

Nesta realidade extremista, o estado deixou de ser laico, as diferenças culturais foram abolidas, e para quem não fosse homem ou mulher – travestida em sua burca – ambos tementes a Deus, a repressão era pela violência.

O ator Leandro Faria que além de atuar, também foi quem escreveu o roteiro, explica que a peça é uma crítica social sobre como estamos reagindo à atual conjuntura do País. “A base principal da construção deste espetáculo foi criar uma metáfora bem próxima da realidade, mas que ainda não é a nossa realidade”.

“Mostrar para o público que este futuro, não muito distante é consequência da nossa falta de ação na atualidade. Questioná-los se é mesmo esse mundo que queremos”, ele completa. Da elaboração até a concepção da peça, foram dois meses, sendo que o roteiro, foi escrito em apenas 10 dias e adaptado a quatro mãos.

A trilha sonora é outro fator fundamental que delineia a tensão em que vivem estes dois amigos, durante todos os 37 minutos de peça. “É ela quem pontua as reações desses dois personagens ao mesmo tempo em que expõe a influência de uma mídia, que dita o que as pessoas devem fazer e distorce uma realidade, que não é igual para todos”.

Os dois personagens vivem enclausurados, tendo somente a companhia um do outro.  (Foto: Helton Pérez/Vaca Azul)Os dois personagens vivem enclausurados, tendo somente a companhia um do outro. (Foto: Helton Pérez/Vaca Azul)

“Funciona como uma rádio comunitária que é manipulada pela mídia, mas que é a única fonte de informação externa da clausura em que vivem, e em alguns momentos reflete o interior desses personagens”, explica o ator e cantor Philipe Faria, que atua e foi também quem produziu a trilha sonora da peça.

Estes dois indivíduos, Luma e Isis, homem ou mulher, ora masculinos, ora femininos, qualquer distinção de gênero aqui não importa, fica em segundo plano. Juntos, eles relembram quando a liberdade ainda era um direito, suas angústias, lembranças da família, experiências, saudades.

São apenas pessoas que representam toda a pluralidade de diferenças, minorias, sejam elas étnico-racias, culturais, sexuais, tudo em um mesmo contexto. Ambas sendo vítimas do mesmo fundamentalismo que exclui, e faz com que muitas pessoas se escondam, por medo da intolerância. “O ser humano a gente não precisa tolerar, por ele temos que ter respeito”, defende Philipe.

Parceria – Os atores Leandro Faria e Philipe Faria, dividem o roteiro e direção da peça. A parceria tanto na vida, quanto profissional, se estende há quase um ano entre os trabalhos no teatro, cinema e televisão.

A versatilidade na atuação e na dramaturgia de Leandro Faria ou “Lelo”, como prefere ser chamado, e toda a experiência adquirida nos quatro anos em que Philipe estudou teatro musical em Londres, tem gerado bons frutos.

Até o final do ano, os dois ainda pretendem estrear uma peça infantil e uma comédia, além de uma oficina teatral gratuita, com inscrições a partir do dia 1 de julho.

A estréia da peça “Subcutâneo – o que define esta por debaixo da pele”, estreou no mês de maio, durante o evento Luz na Rodô. A segunda apresentação foi no Memorial da Cultura Apolônio de Carvalho, encerrando a programação da “II Semana Cultural Apolo”.

De forma intimista, o público acompanhou sentado, ali mesmo no chão do hall de uma das galerias, a trajetória destes dois personagens, e em meio às palmas, poucos foram os que conteram as lágrimas.

Apoio – Tanto a oficina de teatro, quanto a peça “Subcutâneo – o que define esta por debaixo da pele”, são projetos que dependem do apoio de patrocinadores e contratantes. Os telefones para contato com os artistas são pelos números 9952-1140 ou 8118-3232.

O ator Leandro Faria (ao fundo) e o ator e cantor Philipe Faria. (Foto: Helton Pérez/Vaca Azul)O ator Leandro Faria (ao fundo) e o ator e cantor Philipe Faria. (Foto: Helton Pérez/Vaca Azul)



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