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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

24/02/2016 06:12

Pintada em tela, avó do retrato é a mãe que não chegou a ficar velha

Paula Maciulevicius
Gislene como artista e como filha, diante da tela da mãe que não chegou a esta idade. (Foto: Alan Nantes)Gislene como artista e como filha, diante da tela da mãe que não chegou a esta idade. (Foto: Alan Nantes)

Dona Edith morreu antes de fazer 51 anos, de repente, do coração. Deixou lembranças e saudades à filha. Hoje, se tivesse viva, seria como a avó da tela. A senhorinha é o retrato da mãe de Gislene, que não chegou a ficar velha. Nas mãos, talvez ela tivesse um bordado qualquer. O crochê veio da figura de inspiração original da filha, porque a mãe mesmo não gostava. 

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Os cabelos tomados pelo branco, são presos, na pintura, da mesma forma que Edith penteava. A roupa que ela veste parece ter saído do armário, a mãe tinha uma igualzinha pendurada. "Ela morreu do coração, foi bem traumático. Ela já tinha duas cirurgias, já tinha problemas cardíacos", conta a artista plástica Gislene de Sá Carnelós, de 47 anos.

O óleo sobre tela foi pintado 14 anos atrás, para ser exposto no palácio da embaixada brasileira em Roma. "Essa tela tem muito da minha mãe que não chegou nessa idade. Se tivesse chegado, ela seria essa pessoa", descreve a artista. A figura original foi retirada das páginas de um livro, mas quando pasosu a ganhar vida na tela, as mãos da filha falou mais alto que a da artista.

O Pacifista e Soberana já ganharam o mundo em exposições pela Europa e Ásia. (Foto: Alan Nantes)O Pacifista e Soberana já ganharam o mundo em exposições pela Europa e Ásia. (Foto: Alan Nantes)

"Quando comecei a pintar, identificou muito com a minha mãe e fui trazendo a minha mãe. Ela tinha uma roupa dessa cor, usava o cabelo assim, ela foi me dando inspiração".

A tela leva o nome de "Soberana", a filha nomeou assim pela sensação de sobriedade que lhe vem quando os olhos encontram a própria arte. Gislene não gosta de textos longos, prefere as palavras mais curtas e mais fortes. Também tende a gostar de desafios e vê no casal que tem no ateliê, uma das maiores provas.

"Sempre gostei do grau de dificuldade e dos detalhes dentro de um realismo e com isso busquei e desenvolvi a técnica", explica Gislene. A velhinha foi a primeira, o velhinho, o segundo. Nele, "O Pacifista", exigiu mais técnica, na "Soberana", ficou evidente que o menos é mais.

"Desde que comecei a pintar, a vida toda gostei muito da figura humana, de estudar o movimento. E elas têm movimento, não é aquilo estático", descreve. Em média foram 70 horas de trabalho para chegar ao resultado final. A inspiração para ele veio das páginas da revista National Geographic, comprada num sebo durante uma viagem à praia e que ficou guardada até a chegada da oportunidade da exposição, dele, em Londres.

Ele carrega a serenidade e a sabedoria que só vem com a idade. (Foto: Alan Nantes)Ele carrega a serenidade e a sabedoria que só vem com a idade. (Foto: Alan Nantes)

"Ele é um rabino, também uma pintura de óleo sobre tela. Uma clássico contemporâneo, porque existe todo um estudo feito em cima da roda de cor para chegar a determinada cor. Cada ponto que você vê nela, não existe. Ela é toda feita na palheta, não tem aí uma tinta pronta. Eu construo", explica a artista.

"O Pacifista" traz a serenidade que só vem com o avançar dos anos. Com o branco dos cabelos e da barba, com o enrugar das mãos. "Quando você olha no aspecto da fisionomia da pessoa, ela te passa paz, serenidade com sabedoria. Para ser pacífico, só com o tempo", descreve. "É com o tempo que se vai aprendendo a lidar com cada situação e ele passa isso", completa.

Gislene tem 25 anos de carreira, de profissão, de nome e de paixão. Paranaense, começou em Mundo Novo e ao mesmo tempo em que aprendia, ensinava. Gosta e quer passar tudo o que sabe. Vontade de pintar ela tinha desde criança, mas o encontro com as Artes só aconteceu quando a filha, Aline, que também trilha no mesmo caminho, tinha 2 anos. "Foi quando surgiu a primeira oportunidade, um curso de pintura em tecido", conta Gislene. As aulas ficavam em Maringá, a uma distância de 300 quilômetros.

"Nessa fase inicial, neste primeiro mês já tinha aluno dentro de casa. Foi acontecendo, não foi uma coisa pensava. Me apaixonei e fui buscando a técnica, tudo o que vinha surgindo, eu ia aprendendo: porcelana, vidro, madeira, giz pastel, restauração de móveis, gesso, arte clássica, moderna, contemporânea... E já são 25 anos do que virou profissão".

Soberana e O Pacifista estão em exposição no ateliê de Gislene, que oferece aulas de criança a adultos, em Campo Grande. São as preferidas da artista, tanto pelo desafio, quanto pela história.

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Soberana e O Pacifista estão em exposição no ateliê de Gislene, são as preferidas da artista. (Foto: Alan Nantes)Soberana e O Pacifista estão em exposição no ateliê de Gislene, são as preferidas da artista. (Foto: Alan Nantes)



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