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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

07/08/2016 07:00

Sob por do sol de Campo Grande, lixo eletrônico vira arte de se querer apreciar

Paula Maciulevicius
Desde 2010, Walter Lambert e a família voltaram para Campo Grande. (Foto: Fernando Antunes)Desde 2010, Walter Lambert e a família voltaram para Campo Grande. (Foto: Fernando Antunes)

Foi o por do sol que fez Walter Lambert escolher Campo Grande para morar por duas vezes. Paulista paulistano, como se apresenta, o artista primeiro veio com os pais e transferiu a faculdade de Arquitetura, após ver o sol se pondo no nosso céu. Por aqui teve empresas, mas quebrou na troca de moeda. Voltou para São Paulo e quase 20 anos depois, viu brotar a mesma vontade: de viver com a sua arte aqui de novo.

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Desde 2010, ele e a família - agora esposa e filhos - voltaram para cá. Walter trazia na memória a mesma sensação da primeira vinda, no final dos anos 80. "Quando eu vi aquele por do sol, como eu sempre fui meio zen, meio bicho do mato, pensei: 'cara, eu vou mudar pra lá'", conta, hoje, o que pensava o Walter ainda estudante

Entre 1987 e 1993, ele morou na Capital e teve duas empresas de design, a Movline - na qual era um dos sócios - e posteriormente a própria, Lamber House. No Plano Collor, a falta de mercado o obrigou a arrumar as malas de volta ao grande centro, onde abriu um estúdio de criação como designer gráfico, que funcionou à distância até o final do ano passado, atendendo clientes de São Paulo, mesmo depois de fixar residência aqui.

Placas de computador e periféricos viram arte em ateliê. (Foto: Fernando Antunes)Placas de computador e periféricos viram arte em ateliê. (Foto: Fernando Antunes)
Funil se transforma em luminária de LED. (Foto: Fernando Antunes)Funil se transforma em luminária de LED. (Foto: Fernando Antunes)
Mesa e gavetas guardam de tudo um pouco. (Foto: Fernando Antunes)Mesa e gavetas guardam de "tudo um pouco". (Foto: Fernando Antunes)

Paralelo ao trabalho, surgiu em 2013, o ateliê "Walter Lambert Arte e Design", em casa mesmo, no bairro Jardim TV Morena. "Esse projeto já existe desde que eu era moleque. Sempre trabalhei com pintura, design, criação", explica Walter, hoje com 56 anos.

É ali, nos fundos da casa, que ele passa a maior parte do tempo e vê muito o sol se pondo. "Tenho esse lance de transformar objetos em outros objetos, de dar outras finalidades para ele. Normalmente pego reciclados, mas como não encontrei deste, tive que comprar novo", aponta para o funil que virou uma luminária de LED.

Artista visual e designer de objetos, o que sai do ateliê de Lambert? Ele mesmo responde. "Quadros, instalações artísticas, objetos e acessórios para casa de decoração. Esses são meus trabalhos", explica. Desde os 13 anos ele estuda pintura e vinha fazendo estes trabalhos paralelos às atividades principais e rentárias, isso porque viver de arte, ainda mais por aqui, é difícil.

O uso do lixo eletrônico casa perfeitamente nas telas se transformando numa arte a ser apreciada e que traz consigo uma certa crítica. "Eu uso peças de computador e seus periféricos: teclado, mouse. Desmonto tudo e via virando essas coisas aqui, o que você puder imaginar de computador, está aqui", apresenta.

Série Plaka-mãe, expõe que hoje precisamos mais de placas do que da própria mãe. Série "Plaka-mãe", expõe que hoje precisamos mais de placas do que da própria mãe.
Conexão luso-brasileira mistura Portugal e Brasil em quadros. (Fotos: Fernando Antunes)"Conexão luso-brasileira" mistura Portugal e Brasil em quadros. (Fotos: Fernando Antunes)

A série "Plaka-mãe", que já foi exposta em 2014, é feita a partir de PVC expandido, Tetra Pak e placas de computador. "Eu colo o Tetra Pak, faço painéis e pinto de preto. Depois, com o boleador, vou raspando e fazendo as texturas e gráficos. As placas, recorto no formato que escolhi", descreve o processo.

Na parede, está a representação do envolvimento cada vez maior do ser humano com a tecnologia, que hoje em dia, é desde a barriga. "Toda essa série chama Plaka-mãe, exatamente porque hoje nossa sociedade depende muito mais da placa do que da mãe. Estamos criando e cada vez mais dependendo da tecnologia. É algo que nos beneficia, mas automaticamente nos torna dependentes", narra.

No "Conexão luso-brasileira", os quadros são conectados por fios de telefone e cada país é representado pelas cores e características da bandeira. Um presente que vai daqui, de Campo Grande, para Portugal.

No pátio está o que acabou de chegr da última exposição. A "Árvore da Presunção", onde de cada galho já nasce tecnologia. Uma reflexão que Walter propõe. "O ser humano é cada vez mais presunsoço de que ele é uma coisa à parte da natureza, mas não. Ele é parte da natureza. E tudo o que ele faz, vai retornar para ele", resume.

O trabalho de Walter pode ser acompanhado pelo Facebook.

Árvore da Presunção e o engano de pensarmos que não somos parte da natureza. (Foto: Fernando Antunes)"Árvore da Presunção" e o engano de pensarmos que não somos parte da natureza. (Foto: Fernando Antunes)



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