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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

24/08/2011 08:06

Aldeia e favela são a mesma coisa, diz rappers guarani kaiowá

Viviane Oliveira
Kelvin...Kelvin...
Bruno...Bruno...

O grupo é mais conhecido em São Paulo do que em Mato Grosso do Sul. Com exceções de reportagens factuais, o Brô MC’s só recebeu destaque em jornais regionais quando foi atração na posse da presidente Dilma Roussef, em janeiro.

Mais do que qualidade musical, o grupo é importante pelo que representa e diferente porque pela primeira vez colocou o ritmo dos negros dos EUA na língua dos guarani kaiowá. A batida do rap é igual, mas as letras falam de preconceito contra os índios e miséria nas aldeias.

“Aldeia é como favela. O que muda é que lá eles usam fuzil e aqui é facão”, compara Kelvin, um dos compositores das rimas. “Muita gente acha que o índio é como se fosse um lixo”, emenda.

O fim do preconceito, para ele, começa pelo reconhecimento do trabalho do grupo. “A gente já é reconhecido nas grandes cidades, só que em algumas cidades daqui a gente não é reconhecido.”

Na relação de conquistas dos últimos 2 anos estão 30 apresentações dentro e fora do Estado, só no ano passado. O grupo passou pelo Sesc Belenzinho em São Paulo, abriu show de Milton Nascimento e Nação Zumbi em Campo Grande e esteve nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, além de Brasília e Minas Gerais.

Kelvin, Bruno, Clemerson e Charlie moram nas aldeias Jaguapirú e Bororó em Dourados e depois de uma oficina ministrada pela Cufa (Central Única das Favelas de Dourados), em 2009, lançaram o primeiro CD. “Em três meses produzimos, gravamos, e lançamos”, lembra Bruno.

Downloads das músicas na internet já passaram de 25 mil acessos, mas um dos momentos mais comemorados foi quando o clipe foi exibido pela MTV, no espaço dedicado ao hip hop.

Kelvin diz que, “lá fora”, as pessoas ao mesmo tempo em que estranham, admiram o grupo porque o guarani não é uma língua conhecida. “Isto serve de incentivo para as pessoas entenderem e admirarem está língua que é tão nobre e importante para nós”.

As letras são carregadas pelas tragédias enfrentadas pelas comunidades indígenas na região sul do Estado. “Para ter a ideia, eu começo a pensar na morte e no suicídio que tem nas aldeias da região e como eu posso mudar isso através da música”, explica Bruno.

e Clemerson. (Fotos: Viviane Oliveira)e Clemerson. (Fotos: Viviane Oliveira)

Eles têm entre 17 a 20 anos, com uma vida bem parecida com a de quem vive na cidade. Charlie trabalha na construção civil e Kelvin em uma empresa de saneamento.

“Alguns lugares que a gente chega tem preconceito. Por exemplo, a gente tava esperando para cantar, ai de repente vem os alunos já falando: aqui não é a usina! Eles acham que só porque a gente é índio a gente vai ta trabalhando na usina”, reclama Clemerson.

O coordenador da Cufa e produtor do grupo, Higor Lobo, conta que os sons dos instrumentos usados - bumbo, tacho, violão e teclado - são gravados em estúdio, mas os ensaios são ao ar livre mesmo, na aldeia.

Ele conta que “agora há possibilidade do grupo tocar no Paraguai.Queremos mostrar o nosso trabalho para o país todo”.

O primeiro CD, feito de forma caseira, foi completamente vendido durante uma apresentação no Festival Conexão Hip Hop, em Dourados. Os próprios integrantes do grupo continuam oferecendo o trabalho e agora o Brô MC’s programa o lançamento do segundo CD, para o começo do ano que vem em Cuiabá (MT).

“As músicas serão gravadas no estúdio Inca, em parceria com a Cufa de MT. por meio do Selo Toda a vida,” explica Higor.

Sobre a música ser tão distante da cultura indígena, Kelvin diz que “não é por que a gente ta cantando rap que a gente ta deixando nossa cultura, a nossa cara, a nossa pele e o nosso sangue já mostram que a gente é índio mesmo, por ai a gente é reconhecido de longe como índio mesmo”.

O grupo já ganhou do MinC (Ministério da Cultura) o prêmio Preto Ghóez, dedicado ao hip-hop e agora quer respeito.

“Já tem crianças cantando a nossa música. Tem gente que acha que ser índio não é ser gente, aos poucos estamos mudando esse pensamento com o nosso rap”.

Conheça a música no youtube

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Parabens aos rappers! Excelente trabalho. A arte pode e vai derrumar os muros do preconceito, inclusive entre os indigenas. Negar a violência existente, como faz o Emerson no comentario anterior nao vai resolver o problema.
Parabens pela força e coragem dos jovens que encararam o problema da violência nas aldeias de frente e se propoem a enfrenta-lo com a mais pacifica das armas: a arte.
Parabens ao LADO B, pelo espaço dado aos rappers.
Sao pautas criativas assim que farao a diferença. Vida longa ao LADO B.
 
Patricia Nascimento em 27/08/2011 11:14:05
aldeia de indio guarani pode ser igual favela. mas de outras etnias não. eu sou da etnia terena e minha aldeia não é igual favela, temos conhecimentos e somos mais organizados, a nossa arma de guerra é a bliblia. com Deus construimos um futuro melhor para nossa vida. favela=aldeia, corta essa meus camarada vcs tão por fora.
 
EMERSON DELFINO REGINALDO em 24/08/2011 12:31:44
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