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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

11/10/2011 08:00

Testemunha do nascimento de MS, Higa quer reunir fotos em livro, mas falta apoio

Marta Ferreira

Fotográfo de 60 anos trabalha há mais de 40 registrando a história e os personagens dela em Mato Grosso do Sul

Harry Amorim, o primeiro governador de MS. (Fotos: Roberto Higa)Harry Amorim, o primeiro governador de MS. (Fotos: Roberto Higa)

Se no Brasil a expressão “povo sem memória” é frequentemente dita, em Mato Grosso do Sul, com seus 34 anos, essa máxima parece ser ainda mais verdadeira.

Para um estado jovem, seria fácil preservar a história, os registros, mas, na prática, quando se vai puxar a memória, os personagens para contá-la se repetem, quase como unanimidade. Entre eles, um nome obrigatório é o do fotografo Roberto Higa, que carrega em seu arquivo pessoal um baú de recordações de pessoas, lugares e paisagens desse estado, antes mesmo de ter sido criado.

Não há um aniversário de Mato Grosso do Sul ou, em outro extremo, um episódio de morte de personalidade, em que Higa não é procurado para fornecer seu testemunho fotográfico. Apesar disso, ele nunca conseguiu reunir os arquivos em uma publicação, desejo revelado ao Lado B. “Há 13 anos que estou tentando um patrocinador”, conta.

Higa tem foto de tudo, do surgimento de instituições importantes, como a Universidade Federal; de tragédias naturais, como a enchente que transformou Porto Murtinho em cidade de lona; do tempo de estádios cheios no futebol e rivalidade entre Comercial e Operário; da cerimônia de criação do Estado; da primeira assembleia constituinte. Fez também, os primeiros registros da atuação do movimento sem-terra no Estado, no que viria a se transformar no município de Itaquiraí. Registrou, ainda, muitas festas da “sociedade campo-grandense”.

“Em 1977 fotografei a festa feita pelos campo-grandesses pelas ruas das cidades com passeatas, carreatas e em 1979 fotografei a implantação do estado de Mato Grosso do Sul que teve como primeiro governador o gaúcho Harry Amorim Costa, diretor do DNOS (Departamento Nacional de Obras e Saneamento), em função de brigas dos “caciques políticos” locais”, relembra.

Cemitério em grande enchente de 1979 em Porto Murtinho.Cemitério em grande enchente de 1979 em Porto Murtinho.

Alernativa virtual- Em 2010, o fotógrafo aderiu às mídias sociais e criou uma espécie de museu virtual no Facebook, bastante visitado e comentado. Nostalgia é o sentimento que parece pular das fotos, ao resgatar um tempo de Mato Grosso do Sul de crescimento vertiginoso, de uma Campo Grande ainda prosaica, bem diferente da cidade que, cada vez mais, perde o ar de inocência de antigamente.

A disponibilização das fotos na internet, revela Higa, é para preservar a memória, mas é também alternativa ao projeto da publicação ainda sem dinheiro.

“É um maneira de fazer com que a sociedade sul-mato- grossense não se esqueça de pessoas e de fatos que muito marcaram o início deste nosso estado tanto na política como no esporte e sociedade”, define.

De oficce boy à testemunha da história- Higa está prestes a completar 61 anos de idade, 43 anos deles dedicados à fotografia. Nascido em Campo Grande, “no Mato Grosso”, começou a trabalhar no Diário da Serra, jornal extinto na década de 1990, que chegou a integrar o grupo nacional Diários Associados.

Como muitos profissionais da imagem, não foi sua primeira ocupação. Era office boy do jornal. “Me foi dada a oportunidade de tornar fotógrafo em Campo Grande, desde que eu tomasse conta dos filhos do fotógrafo titular do jornal”. O profissional citado é Danton Garro que, já tendo trabalhado em diversos órgãos de imprensa do Brasil, inclusive cobrindo 4 Copas do Mundo, veio para tratamento de saúde em Campo Grande.

Movimento de trabalhadores em projeto Apaporé, em Itaquiraí.Movimento de trabalhadores em projeto Apaporé, em Itaquiraí.
Higa em casa,mostra uma das fotos mais conhecidas da carreira, do líder indígena Marçal de Souza.Higa em casa,mostra uma das fotos mais conhecidas da carreira, do líder indígena Marçal de Souza.

Antes das ruas, a experiência do quartinho escuro onde as fotos em papel eram reveladas. “Fui laboratorista durante alguns anos, pois o fotógrafo Danton Garro dizia que o bom profissional de imagens tem como obrigação aprender primeiramente a conhecer química”.

Depois que a fotografia virou profissão, Higa nunca mais parou e não conheceu outro trabalho. Por isso mesmo, fala dele com paixão, percebida mesmo em causos policiais caídos no esquecimento.

“Presenciei vários fatos, do nascimento do meu filho ao assassinato bárbaro do Demetrio Amin, que foi torturado e assassinado por bandidos vindo de São Paulo só com essa finalidade. Comentava-se na época que seu Demetrio guardava muito dinheiro e ouro, escondidos em sua casa em uma vila residencial na rua Dom Aquino, entre a 14 de julho e a Calógeras. Esse senhor foi barbaramente torturado, tendo os seus dedos amassados por martelos, os dentes arrancados por alicates e as palmas das mãos perfuradas com pregos. Foi morto com um produndo corte em sua jugular feito com uma faca de cozinha. Apesar de ser torturado dessa forma não revelou onde escondia sua fortuna. A polícia, durante a investigação encontrou todo o seu “dinheiro” em latas de bolachas, gordura e também dentro do colchão”, rememora.

Dos milhares de momentos que fotografou, não consegue definir a foto “preferida”. “Orgulho-me de todas as fotografias que marcaram a transformação que o Estado sofreu nestes últimos 43 anos, como por exemplo, a inauguração da primeira escada rolante na casas Pernambucanas (1974) em Campo Grande, a inauguração do primeiro lava-jato na esquina da 13 de maio com a Afonso Pena (1973) e também a inauguração do complexo da cidade Universitária (1971). Todos são fatos que marcaram muito a minha vida profissional”.

Falar em milhares não é exagero, conta o próprio Higa. “São mais ou menos 200 mil fotogramas”, informa, sobre o arquivo organizado “no modelo antigo”, com negativos em envelopes com fatos e datas.

Seca no Pantanal. Seca no Pantanal.

Meio ambiente- Há um projeto particular acentuado por Higa na entrevista, as fotos da natureza pantaneira e o acompanhamento, através da ida a campo, do resultado da intervenção humana na região e da ocupação pela pecuária de corte.

“Desde o inicio dos anos 70 fotografo o Pantanal. A transformação que esta localidade sofreu nesses últimos anos muito me entristece e me preocupa", pontua. "Nas cheias do Pantanal no final dos anos 70 e inícios dos anos 80 na estrada entre Miranda e Corumbá, possuo imagens de barcaças transportando gado para parte mais alta da região. Hoje em dia nestas mesmas localidades não existe mais nada a não ser pasto. Até os corixos que possuíam milhares de jacarés nativos desapareceram do cenário. No ano de 2003, passeando por esta mesma estrada, entre Miranda e Corumbá fotografei um ninho de graveteiro com vários sacos plásticos jogados pelos turistas”, lamenta.

“Até 1980/1990, o Pantanal possuía seu ciclo das cheias (onde os moradores da região transportavam seu gado para parte mais alta). Hoje me dia estes mesmos moradores são “surpreendidos pelas águas”, não existem mais o chamado ciclo das cheias. Isso me preocupa muito”, completa.

Hoje, Higa é funcionário da Assembleia Legislativa e fixou seu trabalho em Campo Grande, onde mantém um escritório voltado à iniciativa privada. Também virou professor informal de quem quer saber mais sobre fotografia e o procura. "Recebo frequentemente universitários no meu escritório e também dou palestras em instituições".

Indagado sobre a invasão dos celulares que fazem fotos e das câmeras digitais, que transformam qualquer um em fotografo, ele usa o bom humor, ao descrever uma entrega de diploma a profissionais liberais. “A concorrência” com os “fotógrafos” era tanta que você disputava o mesmo espaço com pessoas de 80 anos, que estavam fotografando os netos e bisnetos e com crianças de 8 anos, fotografando os pais, irmãos etc”.

Do alto de quem sabe que o olhar do talento muda tudo, ele define. "Sempre vai haver o afunilamento e vão sobrar os diferenciados".




Vivi em Porto Murtinho em 1979. Foi uma grande enchente. Gostaria muito de ver mais fotos dessa enchente. Na época foi triste. Mas tbém aprendi muito o que é espirito de união e caridade. Tinha 13 anos. Parabéns pelo trabalho fotográfico.
 
Daniel Lescano em 18/11/2011 01:04:15
Excelente trabalho. Resgata a memória do nosso Estado de MS. Só quem respeita seu passado poderá ter um futuro promissor. Merecia um livro com essas fotos para que todos possam tomar conhecimento da realidade do nosso Povo. Como dizem: Uma foto bem tirada vale por mil palavras.
 
Daniel Lescano em 18/11/2011 01:00:29
Ei pessoal por gentileza o Cara é muito bom....vamos patrociná-lo...Ele merece é um especialista da fotografia muitos trabalhos importantes já foram registrados por ele inclusive trabalhos indígenas....Portanto pessoal vamos ajudá-lo o cara é fera!!!!!
Valeu!!!!!!!!!!!!!!
 
Geovana Sabadotto em 17/10/2011 11:03:50
Que vergonha para nosso Estado! Onde está a Fundação de Cultura? Vamos dar apoio ao Higa. Quando todo esse acervo histórico se perder, muita gente que deveria ter dado apoio vai se lamentar. Não desista, Higa!
 
Rita Carmen Braga Lima em 13/10/2011 07:29:28
E muito vislumbrante senhor Higa ver toda essas fotos que uma testemunha da historia do Mato Grosso do Sul. Nosso povo murtinhense parabenizamos pela lembraça do seu trabalho naquela epoca????
 
moacir ramires em 12/10/2011 12:06:08
Higa, seu trabalho é linda e busque sempre alternativas para mostrá-lo ao mundo, sabemos que o melhor veículo hoje é a internet. Vc está no caminho certo. Infelizmente falta de sensibilidade acompanha muita gente que poderia estar investindo financeiramente no seu livro.. Mas não será por isso que seu trabalho deixará de ser reconhecido. Nós o admiramos. Parabéns vc tem o que comemorar.
 
Crisitna Mussury em 12/10/2011 10:11:07
Tive a oportunidade de fazer parte da equipe de fotógrafos da empresa de Roberto Higa, e conheci muito mais que um fotógrafo,um verdadeiro acervo de histórias vivas e retratadas com um olhar único,preservadas como se fossem tesouros,tudo tem que estar em perfeitas condições,acompanho a luta do Higa na publicação desse livro,mas parece que as pessoas que podem promover isto,viram as costas.
 
Marcos Leonardo Ramos Araujo em 12/10/2011 07:42:33
Os Higa's são mesmo historiadores. Tive a felicidade de trabalhar e conhece Celso Higa, outro historiador de nossa terra que não sei se é parente ou não do fotografo, mas que devia se juntar a ele para relembrar os velhos tempos e escrever juntos
 
claudio duailibi em 12/10/2011 06:33:30
Eu so espero q nossos governantes(cultura) não venham a querer publicar esse livro,quando o Sr Higa ja não estiver entre nós..ai sim vamos achar uma tremenda injustiça..e quem vai contar as historias de nosso estado?
 
vagner gonçalves em 12/10/2011 06:06:42
Pôxa! Que alegria! Eu conheci essa peça maravilhosa e, fizemos algum trabalhos juntos. Eu continuo em Cuiabá. Que saudades do tempo do Diário da Serra. Jê Fernandes. Lembra, caro Roberto Higa....
 
Je Fernandes em 12/10/2011 05:37:34
Memoria para um país e estado que escondem muitas verdades
MAS EU AMO MUITO MEU PAÍS E MEU ESTADO TERRA DE GENTE BOA UM CELEIRO DE FARTURA.BRASIL VARONIL......TUS ES FORMOSO.....
 
paulo henrique em 11/10/2011 12:23:21
e uma vergonha de um estado novo,mas se o brasil não respeita nem seus martires que lutaram por uma nação livre e democratica que perderam não deram suas vidas para que fossemos livres.O erro começa nas escolas publicas e professores,educadores que não formam identidades e que esta nova geração auto de si que não liga para isso.Cade a Cidadania que não so direitos mas tambem obrigações e deveres
 
paulo henrique em 11/10/2011 12:19:33
Infelizmente a Cultura e Memória do nosso povo JAz no completo esquecimento e abandono por nossas autoridades, e nosso amigo Higa está mais para estoriador pois tem o testemunho da nossa história, tomara que seu sonho seja comcretizado para podermos reparti-lo , parabéns!
 
sandra lima em 11/10/2011 12:06:23
Parabéns Higa, pelo registro historico e ao mesmo tempo fico triste em saber das dificuldade em publicar seu livro sei como e dificil pelo fato de ainda não ter conseguido patrocinio do seu projeto fotografico aqui em Três Lagoas mais estamos junto nessa !!!
 
José Joacir Araujo Barreto. em 11/10/2011 11:37:48
Sera que a UFMS e o GOVERNO DO ESTADO DO MS, , não conseguem publicar um livro, do genial Roberto Higa!
 
JULIO COELHO em 11/10/2011 11:23:35
vamos lá sul-mato-grossenses, unidos em uma só voz pelo projeto Higa. vamos fazer deste livro Mato Grosso do Sul, memórias para o mundo. um abraço Higa.
 
rhode rocha em 11/10/2011 10:44:00
Deixar em branco a passagem de um grande fotografo como Roberto Higa, é o mesmo que publicar um livro com páginas em branco. O Higa merece publicar um livro, com toda essa riqueza, mostrar para o Brasil o nosso estado desde sua fundação.
 
Clarice Soares em 11/10/2011 09:48:24
Parabens ! Roberto, voce nasceu junto com o nosso estado, cadastrou em suas lentes toda a historia do nosso estado, parabens mais uma vez Roberto, voce tambem merece todas as homenagens ! do amigo, ceara.
 
SILVIO MACIEL em 11/10/2011 09:21:23
parabens higa, quem conheceu e conhece seu trabalho sabe de sua capacidade, nos sulmatrogrossense de nascimento e coração, agradecemos pela sua perseverança, como é dificil viver em um Estado onde nao temos valor, voce meu amigo é realmente um guerreiro, hoje cinto orgulho de o ter conhecido.
 
Luiz Carllos Corrêa em 11/10/2011 09:16:15
É um absurdo um trabalho excepcional como esse não conseguir patrocínio.O pouco que tenho visto do trabalho do Sr. Roberto Higa, é através da mídia social citada. Aliás, fotografias únicas, que deveriam ser valorizadas. Cadê a Fundação da Cultura? Seria o mínimo patrocinar essa edição!!! Parabéns Sr. Roberto! Com certeza, NINGUÉM aqui no MS possui acervo sequer parecido ao seu!!!
 
Ana Claudia Duarte em 11/10/2011 09:08:04
É uma pena vermos um profissional de grande talento no oficio mendigar ajuda para fazer aquilo que o Estado deveria fazer, em qualquer parte do mundo, muitos estariam atrás desse senhor para oferecer-lhe patrocínio ou estrutura para que o mesmo realizasse essa grande obra a ser feita que é a materialização do acervo histórico sobre o nosso estado. "Um povo sem memória é um povo sem atitude".
 
Victor Luiz Martins Currales em 11/10/2011 09:01:06
muito legal saber a história do nosso estado...esse livro tem que ser publicado...é um patrimonio do povo,da historia local...parabens higa
 
alexandre jazbik em 11/10/2011 08:17:01
O dia que a sociedade de Mato Grosso do Sul se der conta de sua própria história quem sabe passará a exigir que as autoridades que aqui atuam não a enlameiem!
 
Paulo Magalhães em 11/10/2011 08:11:45
É assim, não se dá o devido valor nessas pessoas até que elas morram ou façam sucesso fora do estado, aí viram sulmatogrossense, infelizmente essa é a realidade. O trabalho deste cidadão é maravilhoso!
 
mariza monterrey em 11/10/2011 08:06:34
Higa é a memória do MS em papel fotográfico e agora em terabites digitais. O Higa é o cara! Um abraço, boa sorte nos projetos e saúde!
 
Kauhê do Lago Prieto Correia em 11/10/2011 07:57:53
espero que consiga um patrocinador urgente !! JA COMEÇO A AGRADECER NOSSA SENHORA DA APARECIDA POR ESTE PATROCINIO !!
 
yolanda pereira em 11/10/2011 07:40:43
Recebi (alias ganhei) uma "coletanea" da arquitetura e comidas tipicas do MS, encaminhada pela Fundação de Cultura e pelo "grande Américo Calheiros". Então porque não colocam "1 bestseller do memoravel Roberto Higa", sua fotos são reliquias, seu trabalho impar. Nosso estado tem CONDIÇÕES para dar CONDIÇÕES e esse trabalho. Roberto Higa insista...não desista....!!!!!!!!!!!!!!!!
 
Valdecí Batista Santos em 11/10/2011 07:10:37
Feliz foi você Higa, que através da fotografia conseguiu eternizar a história de nosso querido estado. Como você, acompanhei, porém sem registro fotográfico, todos os momentos, cheguei em Campo Grande em 1958 e tive o prazer de conhece-lo pessoalmente, bem como o seu trabalho. Parabéns, vai em frente !!!
 
jose inácio dias schwanz em 11/10/2011 06:55:06
E assim mesmo higa, ja editei dois livros, sem apoio dos dirigentes de nossa cultura, que por incrivel que pareça são os mesmos, continuam só, figurantes,sem incentivar os nossos valores, vc é deles, mas não desista nunca de seus sonhos conte com meu apoio abraços
 
cacildo manoel inacio em 11/10/2011 06:04:22
Grande Roberto Higa! Que felicidade lembrar dos bons tempos. Parabéns pelo seu trabalho e me sinto feliz e orgulhoso de ter participado ao vivo desta época tao marcante do nosso querido estado. Dalmo de Oliveira, o "Ciba" Ciborg, Waldeck de Souza, Argemiro Barros, Wilson Bisol, Alci Costa Leite e tantos outros Cinegrafistas e Fotografos um grande abraco direto aqui de Hamburg.
 
Eduardo Cruz em 11/10/2011 02:08:41
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