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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

28/06/2012 11:56

Uniformes de guerra e objetos contam histórias que vão se apagando nas fazendas

Elverson Cardozo
Sede original da fazenda Capão Bonito.Sede original da fazenda Capão Bonito.
Capítulo relíquias da fronteira , com uniforme de guerra.Capítulo "relíquias da fronteira" , com uniforme de guerra.

Pensar que um livro de 272 páginas poderia ter sido, em sua primeira concepção, um calendário fotográfico, causa certa surpresa. Não pela proposta, mas pelo trabalho que daria resumir e contar parte da história de Mato Grosso do Sul que tem as fazendas do Estado como pano de fundo.

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Ainda bem que foi um livro. Uma obra que levou cerca de 10 anos para ficar pronta. A proposta é divertir, informar e, acima de tudo, relembrar. O convite é para uma "boa viagem de volta". É o que anuncia o escritor Luiz Alfredo Marques Magalhães, de 59 anos.

Autor de "MS - Fazendas - Uma memória Fotográfica", ele conta e ilustra a história de 50 fazendas de Mato Grosso do Sul. Relatos que ajudam a entender como foi a colonização do Estado e apresentar os responsáveis. A ideia da obra é extrapolar o viés literário e partir para o campo do conhecimento histórico e científico.

"Muita fazenda que eu contei a história não existe mais, não há nem caco delas. A maioria dos novos proprietários passa o trator em cima da velha sede", explicou.

Nas andanças, o fotógrafo encontrou bem guardadas peças como uniformes de guerra de 1892, da Revolução Federalistas protagonizada pelo Rio Grande do Sul, que teve o governo de Júlio de Castilhos como estopim.

Os vestígios estão em fazendas da região sul, como a Campanário em Caarapó. Até algumas armas ainda estão lá. Durante o conflito, mais de 10 mil pessoas morreram no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no Paraná. Por aqui ficaram as fardas.

Utensílios de cozinha e móveis também ajudam o autor a contar as histórias de um tempo que vai se apagando com a venda das propriedades. “Tudo é muito bem cuidado, mas só quando a fazenda continua na mão de um membro da família”.

Dentre tudo que encontrou, as fotos antigas foram as melhores surpresas para Luiz Alfredo. Gente que morreu há mais de cem anos está em parte imortalizada em papel gasto, já amarelado. “Os retratos são muito interessantes porque mostram quem foram os homens que primeiro pisaram ali”, comenta.

As "relíquias da fronteira" - que traz a histórias das fazendas São Máximo, Estrella, Lagunita e Cervo, são destaques do livro, assim como as cinco propriedades da Companhia Matte Larangeira.

O livro conta com cerca de 200 fotografias - entre preto e branco e coloridas, ilustrações e também mapas antigos. A maioria dos registros fotográficos foram feitos por Luiz Alfredo, que também é fotógrafo.

Sede da fazenda Campanário, em Caarapó. Sede da fazenda Campanário, em Caarapó.
Obra reune a história de 50 fazendas de Mato Grosso do Sul. (Fotos: Rodrigo Pazinato)Obra reune a história de 50 fazendas de Mato Grosso do Sul. (Fotos: Rodrigo Pazinato)

"Fazendas" é o resumo de uma trilogia lançada entre 2003 e 2005. Resultado de inúmeras viagens, desafios, resistências, mas também persistência e muita dedicação do escritor, que é sul-mato-grossense.

A busca pela história começou lá trás, em 2002, quando o primeiro livro foi produzido, mas a proposta inicial era pouco pretensiosa. Luiz Alfredo queria mesmo era fazer um calendário fotográfico sobre as primeiras fazendas de Mato Grosso do Sul.

"Foi um grande amigo que falou para eu fazer um livro ao invés do calendário", disse.

O projeto deu certo. Tanto que a primeira edição foi financiada pelo governo do Estado, por meio do FIC (Fundo de Investimentos Culturais). As outras duas obras - que se concentraram nas regiões leste e nas fazendas pantaneiras - "nasceram" em seguida.

Hoje, prestes a lançar o resumo da trilogia, Luiz Alfredo se diz orgulhoso do trabalho que desenvolveu. Primeiro por ter deixado o computador e as pesquisas na internet de lado e ter ido, sozinho, à campo. Depois, por resgatar parte da história do Estado.

Lançamento - "Fazendas" ainda está sendo impresso, mas a previsão é de que o livro seja lançado em Agosto, na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece entre o dia 9 e 19, no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

A obra custa R$ 170,00 e estará à venda em julho, no site e na sede da Editora Alvorada, que fica na Rua Antônio Maria Coelho, 623, centro de Campo Grande.

Grupo em foto de 1912.Grupo em foto de 1912.
Sede da fazenda Arapuá.Sede da fazenda Arapuá.

Perfil - Luiz Alfredo Marques Magalhães nasceu em Ponta Porã, cidade distante 346 quilômetros de Campo Grande. O escritor é formado em direito pela PUC/RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), cidade onde viveu por uma década, onde também estudou comunicação e fotografia.

Ainda no Rio de Janeiro, Luiz Alfredo trabalhou com publicidade, foi professor de história e participou da editoração de livros e revistas. Em Ponta Porã, dirigiu o jornal "O Correio do Povo" e trabalhou nas áreas da indústria, comércio e agricultura no governo de Mato Grosso do Sul.

É associado correspondente do IHGMS (Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul).




Prezado escritor:

Moro em Cuiabá, sou poeta e atualmente estou escrevendo um romance. Espero que a "Fazenda Nascente", que foi propriedade de Bennevenuto Benedicto Ottoni, meu bisavô, em 1900, na região de Agua Clara-MS, faça parte do livro "Fazendas", de sua autoria. Bennevenuto Ottoni foi um grande produtor rural nas primeiras décadas do século XX. Meu bisavô, foi citado pelo famoso pesquisador Virgílio Correa Filho em um dos volumes "História dos Municípios", como um dos impulsonadores da economia da região na época. Só para se ter uma idéia, a Fazenda Nascente compreendia 100 mil hectares registrada em cartório de Tres Lagoas. Fazia parte daquele paraíso, o Rio Verde, e o Rio São Domingos. Bem, se essa fazenda não foi lembrada em sua obra, espero que seja incluída na próxima edição.
 
jasper ottoni em 15/10/2012 19:15:34
PUXA!!! TB QUERO UM...DEVE SER MUITO BOM VIAJAR NESSE LIVRO!!
 
JOSÉ CARLOS FERNANDES em 29/06/2012 11:29:39
Belíssima obra. Irei, com certeza, comprar um exemplar...
 
Adriano Roberto dos Santos em 28/06/2012 04:02:51
Mesmo com financiamento do FIC (Fundo de Investimentos Culturais) o preço é alto.
 
João Crisóstomo em 28/06/2012 01:26:00
imagem transparente

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