A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

23/08/2013 06:49

As árvores que são a cara da Afonso Pena, chegaram de trem à avenida e à fazenda

Paula Maciulevicius
Na mesma altura, vigor e tom de verde. A Figueira da fazenda Palmeiras está num canteiro. Na mesma altura, vigor e tom de verde. A Figueira da fazenda Palmeiras está num canteiro.
Como as que brindam os campo-grandenses na principal avenida da cidade. (Fotos: Marcos Ermínio)Como as que brindam os campo-grandenses na principal avenida da cidade. (Fotos: Marcos Ermínio)

A uma distância de 20 quilômetros entre o rural e o urbano, o mato e a cidade, elas são as mesmas. Separadas quando ainda não passavam de mudas, despertaram cada uma em um canteiro. O verde é o mesmo, a altura e exuberância também. As árvores que dão cara à avenida Afonso Pena vieram da Índia pelos trilhos do trem, junto com o que durante muito tempo foi e ainda é a vivência da economia do Estado, a pecuária.

Veja Mais
Parque das Nações terá Jota Quest de graça, além de Curimba e Bella Xu
Morre ator e comediante Guilherme Karan aos 58 anos

Fazendeiros da época foram até a Ásia trazer cabeças de gado Zebu. Junto vieram mudas de Mangueiras e Figueiras que desembarcaram em Campo Grande no início do século XX. O que dá cor à avenida principal faz sombra na fazenda Palmeiras, saída para Terenos. Da mesma ‘safra’, lá por 1940, foi pelas mãos do prefeito de Campo Grande à época, Eduardo Olímpio Machado e do juiz Arlindo de Andrade que as Figueiras que hoje tomam conta do cenário da cidade foram plantadas na via e na fazenda.

Das dezenas que se concentram nos canteiros da Afonso Pena, seis trazem a cidade para dentro da propriedade dos herdeiros de Eduardo Olímpio Machado, hoje, família Metello. “Toda fazenda antiga tem mangueira”, comenta o bisneto Eduardo Machado Metello Junior, de 57 anos. E a privilegiada em questão, é a Palmeiras, por ter no quintal de casa os mesmos galhos da Afonso Pena.

 

A história que ouviu da avó, de quando o bisavô plantou as árvores cá e lá é a mesma que hoje conta as gerações que estão por vir. A história que ouviu da avó, de quando o bisavô plantou as árvores cá e lá é a mesma que hoje conta as gerações que estão por vir.

Chegar ao campo e ter a sensação de estar na cidade, mas sem o trânsito, as buzinas, comércios e prédios. De fora a sensação é está, de dentro, o sentimento é o oposto. “Para a gente, na verdade, é um pedaço da fazenda na cidade”, comenta Eduardo Metello.

Na mesma posição, as árvores parecem brincar entre si sem ao menos nunca se vislumbrarem. No campo estão à frente da sede da fazenda. Na cidade, entre construções erguias e semáforos. No canteiro da avenida elas preenchem a pista numa sequência de incontáveis árvores. No mato, se resumem a seis.

Ao contrário da fazenda, desconheço na cidade quem já tenha subido nelas, brincado às suas sombras e contemplado de perto a transformação da lagarta em borboleta. “Brincava sim, subi muito nessas árvores. Elas têm todo ecossistema natural, vários animais vem fazer ninho aqui. Tem de lagarto à borboleta”, lembra Metello.

Na fazenda elas fazem sombra à sede. Única construção erguida na propriedade. Na fazenda elas fazem sombra à sede. Única construção erguida na propriedade.
Na Afonso Pena, elas estão entre comércios, prédios e em meio ao trânsito. Na Afonso Pena, elas estão entre comércios, prédios e em meio ao trânsito.

A sombra que aqui elas proporcionam aos pedestres, lá se fecha à casa dos donos. Privilégio e honra de ter a cidade no quintal de casa e as folhas só para si. “A diferença é que aqui elas não foram tão podadas, lá foram bem mais”, nota Eduardo.

Na fazenda a manutenção e conservação praticamente não dão trabalho algum. Mas isso hoje. Diferente de Campo Grande, em Palmeiras elas podem crescer livremente e de fato, segundo o dono, nunca pararam de fazer. Cumprem à risca a lição de casa.

No entanto, em 1986, um fato do passado da fazenda é o mesmo vivido na última década na avenida, que já trouxe transtornos. A raiz da Figueira é tão forte quanto a exuberância do verde e tanto pode, como fez. Abalou a estrutura da sede da fazenda que teve de ser demolida e reconstruída.

Hoje a calçada que separa o tronco da casa é reforçada com aço, além de muito concreto. Se não, nas palavras de Metello, as raízes já teriam levado tudo de novo.

Talvez mais livres, a notável diferença entre as Figueiras está no que sente a família. “Aqui ela parece que gostou e fica sempre mais fresco embaixo. Uma brisa correndo”.

A poda, feita na fazenda a cada cinco anos, só quando os galhos já trazem mais do que a sombra desejada à casa, é realizada com o maior cuidado. “O ideal é não mexer nela. Onde corta a gente passa remédio, como se fosse um curativo para não apodrecer e não dar doença na árvore”, descreve Metello.

As Figueiras tanto das Palmeiras como da Afonso Pena passaram os anos e hoje estão com mais têm sete décadas e pra cima dos 20 metros de altura. O que elas têm para o alto, também têm para baixo. E a sustância de fato, vem das raízes aéreas. É que é preciso muito reforço para se manter de pé.

No campo volta e meia a família Metello precisa chamar uma assistência técnica. Não para a árvore em si, mas para os encanamentos por onde as raízes conseguem se enfiar. O trabalho ali é desentupir os canos, vítimas da força da Figueira.

O problema é pequeno perante ao significado das árvores. Retirá-las dali, nem pensar. “Tanto que nós já precisamos tirar a casa e preferimos fazer do que derrubar elas”.

Vinda da Índia, raízes, tronco, galhos e folhas brindam Campo Grande em mais um aniversário. E que venham 30 anos, para que as Figueiras cheguem ao centenário num próximo agosto.




Figueira é um planta invasora no Hemisfério Sul e está destruindo e substituindo a vegetação nativa do Hemisfério Sul e a população do hemisfério sul não gosta dessa árvore porque atraem vespas-do-mato que exterminam sementes de plantas nativas do Hemisfério Sul. Fora da Europa ou mesmo em certas partes da Europa (Sul e Centro de Portugal, Sul e Centro da Espanha, Sul da França, Sul da Itália, Turquia, Criméia, Sul da Ucrânia Interior, Ilhas de Córsega, Sardenha, Elba, Lesbos, Eubeia, Samos, Icára, Espórades, Açores, Ilha da Madeira, Gotland, Zelândia (Dinamarca), Peninsulas de Østerøya e Vesterøya, no estado de Sandefjord, Noruga) é uma espécie invasora e também uma praga. Internautas de Campo Grande no Mato Grosso do Sul vejam o perigo dessa árvore no hemisfério Sul.
 
Daniel Steinman Martini em 10/10/2013 21:32:49
Verdade - Bairro amanbai era td de bom na rodoviária antiga que era um brejo só sapo ali só andava de chuteira aaa e luz era só ate as 22 hrs. a liturina na estacão ferroviária as charretes - e o leite que era deixado na porta em um litro gordinho transparente - ruas de terras - o glamour da cabeça de boi - e os carros chinbica - cinca - biriba - rural as corridas de cavalos, e na praça da 14 que era cemitério o chafariz na salgado filho com a zaran. a vestimenta da época todo de linho e chapéu. daqui pra frente só Deus sabe oque vai virar dessa cidade.
 
Jhon delling Robert em 23/08/2013 22:16:40
Gente que texto gostoso de ler, parabéns pela matéria e claro Parabéns para nossa Bela Morena!!!
 
Taynara Azevedo em 23/08/2013 14:49:26
Parabéns minha linda CIDADE MORENA...seja eterna!
 
fernando b l peralta em 23/08/2013 12:15:52
Só pra complementar o comentário do amigo Lamarca; morador da vila planalto e adolescente lembro-me bem que pelas ruas de chão, barro e esburacadas da vila, via aquelas senhoras e jovens com bacias e baldes a descer rumo aos trilhos da RFFSA; é que o trem acabou de atropelar uma vaca. As pessoas iam para carnear a vaca e o que sempre sobrava era apenas a cabeça, daí o nome Cabeça de Boi no final da Y-Juca Pirama. A estrada Júlio de Castilho era transito obrigatório da comitiva. A Tamandaré era uma rua frutífera, com seus pés de manga e a Y-Juca Pirama era a rua dos ingás. Saudades! Mas a praga políticos acabou com nosso passado. Parabéns a nós da morena Jambo!
 
samuel gomes-campo grande em 23/08/2013 11:56:03
História significante da cidade. Motivo de orgulho e gratidão.
Terra sem árvore = deserto.
Arborizada = Paraíso
 
Adriana Graeff em 23/08/2013 11:55:09
Por um outro lado, nunca se esquecer que um prefeito, mandou retirar todo pisos originais e histórico de paralelepípedos da antiga rua Y-Juca Pirama (hoje Mal. Rondon), bem como mandou cortar todos os pés centenários de ingás que dividia a avenida em direção à Cabeça de Boi, espantando as andorinhas e outras aves que se alimentava dessa fruta, colocando asfalto e aumentado o calor que todos nós sabemos castiga sempre nossa cidade.
 
Carlos Lamarca em 23/08/2013 11:12:57
Abandonei o interior para morar na capital, um sonho conquistado, uma cidade bonita com ar de interior, cidade que não pretendo abandonar tão cedo, só por força maior ou melhores oportunidades, amo Campo Grande.
 
Denis Brum em 23/08/2013 10:33:57
Paula ,Parabéns pela matéria,e parabéns ao senhor Mettelo,a natureza é tudo que precisamos para ter uma saúde melhor.
 
Teresa Moura em 23/08/2013 09:13:10
Que maravilha poder mostrar a cara da Capital (Campo Grande M/S) através dessas árvores. trabalho em Puno Peru como docente numa Universidade.
E para incrementar às aulas, faço uso deste lindo cartão postal para falar da minha cidade aqui.
Vocês precisam ver como os estudantes se emocionam ao ver tão linda cidade.

Lindo demais.
Parabéns Campo Grande.
Professora Malu
 
maria luiza pessoa em 23/08/2013 08:09:21
Já morei em outras cidades,mas uma capital com uma avenida tão linda ainda não conheci.....Prazer em morar na cidade morena....
 
Valkiria Costa em 23/08/2013 07:57:36
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.