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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

19/04/2016 11:46

Lista de filmes para ajudar a entender o que é a "questão" indígena em MS

Ângela Kempfer
Lista de filmes para ajudar a entender o que é a questão indígena em MS

Do Brasil, Itália, França, Estados Unidos e tantos outros países, o que não falta é filme sobre o modo como vivem os índios brasileiros. E Mato Grosso do Sul, vira e mexe, entra no roteiro. Em ficção ou documentário, os diretores buscam em diferentes etnias identificar como esses povos sobrevivem há séculos, apesar das tentativas de extermínio.

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Outro interesse presente nas produções é a forma como essas comunidades enxergam o mundo e fazem da natureza, da medicina, da espiritualidade e da terra uma extensão do próprio corpo.

Para contribuir nas discussões, que particularmente afetam Mato Grosso do Sul, apresentamos uma lista de filmes que informam com sensibilidade o que precisa ser dito sobre esses povos, especialmente, sobre as etnias que vivem aqui, os guarani, terena, kadiwéu, ofaié, guató, kinikinau e atikum.

A Nação que não esperou por Deus

Diz uma lenda indígena que Deus criou o mundo e prometeu que voltaria no dia seguinte para entregar ferramentas para os povos. A única etnia que não esperou pelos utensílios foi a dos índios Kadiwéu e, por isso, como recompensa, com um forte sopro, o Criador lhes concedeu uma imensidão de terra onde viveriam e de onde tirariam seu sustento. E assim foi até que chegaram os homens brancos e, mais tarde, os pecuaristas.

Em “A Nação que não esperou por Deus”, a diretora Lúcia Murat reencontra alguns personagens de descobriu durante processo de pesquisa para o longa Brava Gente Brasileira, filmado em 1999. Dez anos depois, voltou para aldeia kadiwéu em Mato Grosso do Sul, que então já tinha tribo luz elétrica, televisão, drogas, bebidas, assassinatos e cinco diferentes igrejas evangélicas, todas lideradas por pastores índios.

O documentário inicia dias depois da retomada de terras que estavam nas mãos de pecuaristas. Mostra reuniões de negociações entre os fazendeiros e os índios, entrevista antigas e novas lideranças e dá voz à diversidade indígena e aos seus novos/antigos conflitos.

 

 

Cordilheira de Amora II

O curta de Jamille Fortunato narra a história de uma indiazinha que sonha em ser atriz. Foi uma das melhores surpresas recentes do cinema sul-mato-grossense. No É Tudo Verdade, maior festival de documentários do País, recebeu dois prêmios: melhor curta nacional pelo júri oficial e pela Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas.

As cenas foram captadas em aldeia de Amambai. Jamile percebeu que Karine Martines, de 8 anos, transformava seu quintal num experimento do mundo, e resolveu registrar. Contando com nada mais do que folhas, tijolos e pedaços de papel e madeira, a menina ia criando, com sua imaginação, histórias e personagens que alargam sua solidão em brincadeiras, sonhos e projetos.

 

 

500 almas

O documentário mostra a tentativa de reconstrução da cultura guató, uma tribo indígena do Mato Grosso do Sul considerada extinta na década de 60 até a redescoberta de uma população remanescente, porém dispersa, vivendo na periferia de Corumbá.

O cineasta Joel Pizzini acompanha o retorno dessa comunidade à ilha de Insua, no meio do Pantanal, lugar até então ocupado pelo Exército, mas que tradicionalmente pertencia aos guató.

Quem começou a juntar os fragmentos da cultura desses índios foi missionária italiana Ada Gambarotto que, trabalhando na região, conseguiu localizar os índios remanescentes espalhados pelo Pantanal. Adair Pimentel, uma linguista pernambucana, deu continuidade a esse trabalho reconstruindo a língua guató com a ajuda de uma das únicas índias dispostas e relembrar a sua língua de origem. Esses dados são importantes porque essas três mulheres funcionam como elos fundamentais para a reconstrução do passado e a mitologia do povo guató e a condição atual de vida da população remanescente.

Com mais de 50 conquistas, é um dos documentários mais premiados do Brasil.

 

 

 

Terra Vermelha

A miséria das famílias guarani em Dourados é retratada desta vez na ficção do cineasta ítalo-chileno-argentino Marco Bechis. O filme de 2008 explora a condição dos índios na sociedade contemporânea brasileira, da realidade de confinamento e desprestígio nas lutas pela retomada de terras tradicionais.

Com os atores Matheus Nachtergaele e Leonardo Medeiros no elenco, pela primeira vez trouxe o status de grande produção ao cinema feito sobre índios sul-mato-grossenses. Mas muitos dos atores surgiram das comunidades nos arredores de Dourados.

A história começa com a crise provocada pelos suicídios de duas jovens índias. As mortes levam o cacique a guiar seu povo para a retomada de seu território tradicional, ocupado por grandes latifundiários. Começa ai o conflito.

 

 

 

Flor Brilhante e as Cicatrizes da Pedra

Flor Brilhante é a matriarca de uma família indígena de rezadores Guarani-Kaiowá que vive na reserva de Dourados-MS, Brasil. Lá, cerceados de seu modo de viver originário, tentam sobreviver preservando conhecimentos e hábitos da cultura dos antigos, enquanto convivem com os efeitos e mazelas causados pelas explosões continuas de uma usina de asfalto, que dinamita e explora uma pedra sagrada no território da aldeia há mais de 40 anos.

O documentário da poeta e documentarista Jade Rainho chegou a Berlim e, segundo ela, foi realizado em outubro e novembro de 2012, de forma totalmente independente, como um meio de conceder à família voz para contar sua história e canais para trazê-la à público.

 




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