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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

07/06/2015 07:56

"Chuusei" quer dizer lealdade na placa do velho japonês que viveu em Terenos

Lenilde Ramos
Onoda no dia em que se reapresentou para o Exército.Onoda no dia em que se reapresentou para o Exército.

Tenho em alta conta a colônia japonesa e o que aprendi com nisseis, sansseis e descendentes e compartilho a oportunidade de ter conhecido Hiroo Onoda, em 1986, quando trabalhei na TV Morena.

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Onoda foi um oficial do serviço secreto japonês, “treinado para se manter vivo, não se render e só deixar o posto com a presença de seu superior”.

No final da Segunda Guerra foi enviado às Filipinas. Logo depois os EUA explodiram Hiroshima e Nagasaki e o Japão foi derrotado. Sem saber de nada e, ao ver passarem sobre sua cabeça aviões cada vez mais possantes, Onoda acreditava que a guerra estava aumentando e refugiou-se na floresta.

Em 1960 foi declarado morto. Em 1974, um estudante japonês que passeava nas Filipinas encontrou-o, mas não conseguiu convencê-lo a sair dali. O jovem Suzuki voltou ao Japão com um monte de fotos e a notícia se espalhou.

O Exército teve que localizar o antigo superior de Onoda, que agora era um livreiro, para que lhe ordenasse a voltar à terra natal. O velho soldado tinha consigo uma espada, um rifle ainda funcionando, alguns cartuchos e granadas. Ao regressar, transformou-se em herói e sua história correu o mundo.

Tempos depois, imigrou para o Brasil e foi parar em Terenos, onde virou criador de gado na Colônia Jamic. Fiquei sabendo da existência dele, quando foi homenageado em São Paulo e a Honda lhe presenteou com uma moto.

Fui até sua fazenda com a equipe do Programa Recado, apresentado por Marilu Segatto Guimarães. (acho que o cinegrafista era o Edinho Luz Garcia). Onoda nos recebeu com sua mulher, uma moça silenciosa e delicada, que roubou a cena fazendo a famosa "cerimônia do chá", coisa que, talvez, nem no Japão eu teria visto assim, de bandeja.

Anos mais tarde, Onoda voltou ao Japão para viver seus derradeiros dias e partiu em janeiro de 2014, aos 91 anos. A placa de sua fazenda ainda está na estrada de Terenos e, toda vez que a vejo, fico examinando até onde vai o significado da palavra "Chuusei", que quer dizer lealdade, compromisso. Não é brincadeira não...




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