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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

29/07/2015 06:34

Aos 5 anos, já tem gente louca para aprender a escrever e papear no WhatsApp

Paula Maciulevicius
Clara lendo as mensagens no Whats. (Foto: Fernando Antunes)Clara "lendo" as mensagens no Whats. (Foto: Fernando Antunes)

"Tio, eu não sei ler. Manda de viva-voz". Apesar da voz fininha, o tom é de repreensão e mostra o quanto Clarinha está indignada por ainda não conseguir ler as mensagens de WhatsApp. O áudio, no caso, era para o tio no grupo da família Startari, do qual ela também é integrante.

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Entre as mensagens mais recentes, a menininha de 5 anos anuncia para a família. "Olha, meu celular já dá para vocês conversarem por WhatsApp. Eu já comprei meu celular novo e agora ele tem WhatsApp". A voz de criança é se de apaixonar e mostra que a garotinha está determinada em prosseguir com o bate papo.

O celular foi comprado na semana passada pelos pais, para que Clara pudesse deixar o aparelho deles "em paz". A mãe é categórica em dizer que a filha só tem acesso aos grupos da família e aos contatos que estão na agenda, colocados pelo casal. É pela foto que ela identifica quem é quem e puxa assunto no privado de vez em quando.

Menininha até repreende quem não manda viva-voz e avisa que ela não sabe ler. (Foto: Fernando Antunes)Menininha até repreende quem não manda "viva-voz" e avisa que ela não sabe ler. (Foto: Fernando Antunes)

"Ela pegava o nosso o dia todo e quando a gente ia ver, já estava sem bateria. O chip é daqueles só de internet e a gente não baixa rede social, nada assim", enfatiza a advogada Leslie Saldanha Araoz Startari.

A menina é uma das caçulinhas entre os parentes e quando descobriu o WhatsApp, logo passou a fazer parte dos grupos. Um é da família e o outro, de amigos da época de faculdade dos pais. A aparição acabou intimidando todo mundo e a troca de mensagem passou a ser bem mais criteriosa. Ninguém manda besteira e ainda dão preferência às gravações de voz em boa parte das conversas.

"Esse aqui é o grupo Super Amigos, tem a minha mãe, meu pai, o tio Mac, o tio Bob... Essas aqui aparecem quando eu mando as carinhas", mostra. A primeira parte dos emojis traz a relação das figurinhas enviadas recentemente, são bichinhos e corações. Outra forma da criança conversar.

"Ela digita, mas conversa mais por voz. Meu pai disse esses dias que ela estava chamando ele para vir à casa dela. O tio que manda as fotos do bebê, ela responde com selfie", relata a mãe.

Clarinha diz que ainda não sabe ler, por isso todo mundo tem que mandar de viva-voz. "Por que eu mando assim? É que eu não aprendi a ler, só quando eu for para o outro nível que eu vou conseguir", explica a pequena.

A menina está ainda no Jardim III, mas junta as letrinhas e pergunta: '- mãe eu escrevi isso?' "Ela reconhece as letras do nome dela e vai tentando escrever", descreve a mãe. "Quando a gente vê, ela está lá no maior papo com os primos", acrescenta.

A troca de conversas tem desde convites para se encontrarem na casa da avó, até 'discussões' com o avô. "Tá bom vô, então é isso" ou "Olha todo mundo, eu vou ir para a casa da vó Maria Helena, primos vão lá, todos vocês vão lá". Às vezes o dedinho escapa antes que ela termine as palavras, mas nada que comprometa o recado.

Quando a menininha aparece, a conversa passa a ser por áudio. Quando a menininha aparece, a conversa passa a ser por áudio.

A mãe responde que podem até achar futilidade o celular para uma criança de 5 anos. No entanto, a advogada vê o estímulo diário e a vontade louca que Clara está para aprender a ler e escrever. "A gente nasceu em outra época, né? Para eles a tecnologia já é normal e é um meio de estimular e também manter o contato com a família sem gastar", afirma a mãe. É pelo WhatsApp que Clara conversa com três primos que moram em Aquidauana, por exemplo.

Psicóloga e pedagoga, Lara Scalise, confirma o que a mãe já percebeu, das diferenças entre as gerações. "Como hoje a vida é tecnológica por assim dizer, as crianças se interessam mais em pegar um celular e digitar do que a folha de papel", observa a especialista.

E Lara ainda fala da possibilidade do aplicativo como um meio de aprendizagem, com o devido cuidado, claro. "O WhatsApp hoje está servindo para as pessoas se comunicarem e até substituindo a ligação. E como a mãe quer, de uma certa forma, desenvolver o processo de escrita da criança, isso é interessante", explica.

O extremo cuidado fica por conta da exposição. "Não se deve estimular para as outras coisas que não sejam apropriadas para a idade. Mas existe algum mal em dar um telefone na mão de uma criança para estar se comunicando com os avós? É uma forma de se comunicar. O que tem que entender é o contexto que está sendo dado isso, na mão de uma criança", resume.




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