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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

29/02/2016 06:34

As histórias de quem tem cachoeira como vizinha, bem na região central da cidade

Adriano Fernandes
No condomínio Cachoeirinha I, o contato com a natureza é diário.(Foto: Fernando Antunes)No condomínio Cachoeirinha I, o contato com a natureza é diário.(Foto: Fernando Antunes)

De um lado o que se ouve é o barulho dos carros que passam pela Ceará. Do outro, é o som da queda d’água que compete com o do trânsito rápido no cruzamento com a Avenida Ricardo Brandão.

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No meio desses dois opostos vivem os moradores do condomínio Cachoeirinha I, com direito a área verde aos arredores e até a visita diária de animais. Os prédios são antigos, mas todos garantem: é recanto de tranquilidade, mesmo em uma das regiões mais movimentadas de Campo Grande.

Dona Rosália Silva Souza, de 59 anos, é umas das moradoras mais antigas. Já foi até sindica do residencial. Ela se recorda de quando a cachoeira não era tão vistosa como é hoje. “Moro aqui desde 1981 e antes nem a cachoeira ou o curso d’água, eram tão grandes. Com o passar do tempo e as obras no entorno é que foi aumentando”, comenta.

 

Um recanto numa das regiões mais movimentadas de Campo Grande. (Foto: Fernando Antunes)Um recanto numa das regiões mais movimentadas de Campo Grande. (Foto: Fernando Antunes)
Das janelas o que se vê é o verde. (Foto: Fernando Antunes)Das janelas o que se vê é o verde. (Foto: Fernando Antunes)

Entre as vantagens de morar em um condomínio que tem nos fundos uma cachoeira, ela lembra da presença frequente dos bandos de capivara.

“Como antes não tinha cerca separando o condomínio da mata, elas entravam no pátio e ficavam circulando por ali. Hoje é tudo delimitado, mas mesmo assim ainda é normal ver alguns animais e pássaros, como as araras por exemplo”, diz.

A única queixa é quanto a própria ação do homem. “Em dias de chuva, por exemplo, é muito lixo que desce por ali. Durante o dia tem intervalos de tempo que o mal cheiro também é insuportável. Muito provavelmente de resíduos de esgoto”, reclama.

Ao todo o “Cachoeirinha I” tem 24 apartamentos, a maioria dos moradores hoje é de estudantes vindos de outras cidades, já que o residencial fica próximo da Universidade Uniderp. Junto do acadêmico de Direito, Murillo Barbosa Souza, de 21 anos, por exemplo, moram mais três amigos, todos vindos da cidade de Chapadão do Céu, em Goiás.

Murillo mora há um ano no condomínio que há pelo menos oito só tem moradores goianos.(Foto: Fernando Antunes)Murillo mora há um ano no condomínio que há pelo menos oito só tem moradores goianos.(Foto: Fernando Antunes)

“Já virou tradição os estudantes escolherem aqui para morar. No apartamento em que eu moro, por exemplo, há pelo menos uns oito anos todos os locatários são da minha cidade”, comenta. A interação cidade enatureza, ele conta que só foi conhecer em Campo Grande e graças a sua escolha de moradia.

“Eu venho de uma realidade onde não é muito comum um morador interagir diretamente com a natureza e isso eu fui vivenciar só aqui no ´Cachoeirinha'. Tem pássaros, as próprias cotias vivem por aqui e tudo dentro de um condomínio. É muito bom esse contato com o verde e bem no centro de uma cidade”, avalia.

Mas nem só animais “fofinhos” aparecem por lá. A também estudante de Direito Isabella Medeiros, de 20 anos, conta que de gambá a lagartos “gigantes” já passearam por lá. Mas nada que causasse transtorno entre os moradores. Ela conta que até o clima pela região é melhor do que em outros bairros da cidade.

“Meu apartamento fica de frente para cachoeira, então, todo mundo sempre acaba gostando da paisagem. Enquanto em toda cidade o calor é forte, aqui graças a cachoeira e as árvores que tem em volta, o clima é sempre ameno”, conta.

Dona Mirna Ferreira Martins, de 45 anos, há dois é sindica do “Cachoeirinha I” mas desde 1996 é uma das moradoras. Segundo ela, a área verde que tem nos fundos do condomínio garante até mais segurança, mesmo estando às margens do Córrego Prosa.

Sugestivo: atrás do cachoeirinha o que tem é uma bela de uma cachoeira. (Foto: Fernando Antunes)Sugestivo: atrás do cachoeirinha o que tem é uma bela de uma cachoeira. (Foto: Fernando Antunes)

“Quando a Avenida Ceará teve de ser interditada devido aos estragos da chuva, há alguns anos, nós tivemos um pouco de medo. Mas desde a obra, nunca mais tivemos problemas com inundações”, comenta.

E o condomínio também tem suas curiosidades e quem explica alguma delas é um simpático senhorzinho, que nem sequer mora lá. Desde 1993 é o alagoense José Gomes de Araújo, de 56 anos, quem zela da comodidade dos moradores e da portaria do condomínio.

Os 24 apartamentos do Cachoeirinha I são separado em três blocos: L, M e N. O porque das letras ele não sabe dizer, mas duas pilastras fixadas logo na entrada chamam a atenção. Do lado esquerdo ficam os moradores dos dois blocos “grapiá” e do esquerdo, os do bloco “jacarandá”.

“São os nomes de duas árvores que tinham aqui dentro do condomínio há muitos anos e que infelizmente morreram”, lembra. José recorda que tiveram épocas em que até pomar havia dentro do condomínio. Dentre as frutas que se colhia, tinha acerola, manga e goiaba. Na entrada, ao lado da portaria um pé de romã ainda resiste.

 

 

O pé de Coité foi herança deixada por um morador do condomínio que já faleceu. (Foto: Fernando Antunes)O pé de "Coité" foi herança deixada por um morador do condomínio que já faleceu. (Foto: Fernando Antunes)

“Aquele pé de coité que tem até lá no pátio é herança de um ex-morador que já até faleceu”, comenta. No passar dos anos, José se recorda que mudou também o perfil dos moradores.

Quando ele começou a trabalhar no residencial, o local era lar de casais e famílias, mas hoje em dia, são mesmo os jovens quem mais ocupam os apartamentos.

José conta que antes da parte de trás do condomínio ser cercada, até uma anta era comum ver por lá. “A anta vinha e ficava desfilando ali no pátio. Já teve até acidente envolvendo capivaras que tentavam atravessar a Ceará”, comenta.

De situações engraçadas, ele se recorda também do dia em que um lagarto foi confundido com um jacaré por um morador. “A menina gritou: Seu ´Zé', corre aqui. Tem um jacaré! Mas era um teiú”, ri.

Mesmo não morando no local, ele se sente em casa no condomínio e não pretende sair tão cedo. “Aqui é muito sossegado, tranquilo. É gostoso, viu! É bom demais! Só saio daqui quando eu me aposentar”, diz com o sotaque carregado.

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