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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

23/10/2015 06:45

AVC apagou "Batom" da vida das amigas que ainda hoje saem para lembrar dela

Paula Maciulevicius
Amigas há 18 anos, Rosana, Maria Elisa, Ana Rita e Renata. (Foto: Arquivo Pessoal)Amigas há 18 anos, Rosana, Maria Elisa, Ana Rita e Renata. (Foto: Arquivo Pessoal)

É o segundo aniversário de Renata que o colorido do batom de Ana Rita não está presente. Unidas há 18 anos, Licka, Zana, Rozy e Renata receberam a notícia de que a amiga havia passado mal na academia na manhã do dia 15 de setembro do ano passado, uma segunda-feira. Um AVC a tirou do convívio com as meninas aos 50 anos. De repente, do nada. Professora de inglês, "Batom" se intitulou assim ainda no canal "Coroas MS", existente no extinto mIRC. Marca que tomou o lugar do nome. 

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A saudade que ficou está na risada que ainda soa aos ouvidos de Rozy Costa Marques, aposentada, de 54 anos. De Cuiabá, ela vinha aos encontros do canal em Campo Grande e acabou se tornando parte do grupo. "O que ficou? Foram as amigas, a perda de uma faz falta e parece que eu escuto a risada e ela ainda gritando "Rosíiii"".

Primeiro aniversário de Renata (na ponta esquerda) sem Batom. (Foto: Arquivo Pessoal)Primeiro aniversário de Renata (na ponta esquerda) sem Batom. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para a aniversariante da última quarta-feira, a pedagoga Renata Mendes, agora com 46 anos, o que vem à cabeça é a descrença. "A gente não esperava, ninguém acreditou", mas ela cumpriu a missão dela, chegou a hora de ir". A lembrança que fica é da companheira de cerveja. Batom era a única do grupo que bebia junto de Renata, dentro da medida claro.

As histórias de 18 anos de amizade são, na maioria delas, impublicáveis. Mas o riso que vem ao rosto é de querer ter vivido aquilo junto. Ana Rita morava em Campo Grande há quase 20 anos, veio para cá depois de conhecer o marido corumbaense. Casou, teve dois filhos e construiu uma história na cidade com as amigas.

As lágrimas tomam conta de quem sente a saudade através do choro. Emotiva, Maria Elisa Soares Marques Di Nucci, tem 55 anos, e diz que o tempo não vai curar, porque isso não se cura, mas anestesia a dor.

As quatro em foto memorável: Batom, Zana, Licka e Renata. (Foto: Arquivo Pessoal)As quatro em foto memorável: Batom, Zana, Licka e Renata. (Foto: Arquivo Pessoal)

As amigas falam por ela, quem ficou diz que Batom e Licka como é conhecida no grupo e Batom se viam todos os dias. "Nossas memórias, ela é lembrada sempre, não tem jeito e vai ser para o resto da vida". A frase é dita por Renata e completada por Rozy.

"Passou de uma simples amizade para uma irmandade de família. Ela dizia que eu era a irmã loira e ela minha irmã preta", relembra Licka. Foi ela a primeira a receber a notícia. Ligaram da escola de inglês onde a professora lecionava avisando do ocorrido na academia. "Liguei para o ex-marido dela, ele estava no hospital e as notícias não eram boas..."

Na noite anterior Ana Rita tinha ido a uma festa. Nenhuma das meninas do grupo a acompanharam, mas ainda assim, elas garantem que Batom se divertiu. O último encontro havia sido dois, três dias atrás. Cada uma em um momento. Com exceção de Rozy, que estava em Cuiabá.

O programa preferido das meninas era sair para comer. As fotografias mostram mulheres sorrindo também com os olhos, sinal de que a reunião de amigas era um encontro com a felicidade.

Batom, Licka, Rozy e Zana, anos atrás. (Foto: Arquivo Pessoal)Batom, Licka, Rozy e Zana, anos atrás. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Ela tinha o sotaque carioca da gema mesmo, daquele que saía da garganta", diz Rozy. Apesar do Rio de Janeiro morar dentro dela, Batom, segundo as amigas, gostava muito daqui.

A primeira reunião do grupo sem Ana Rita foi no aniversário de Renata, pouco mais de um mês depois do acontecido. Elas comemoram com o sentimento de saudade como carga extra, como quem faz o possível até em respeito ao que a amiga foi. "Ela era assim, sempre feliz com a vida. Ia gostar de ver a gente assim, ia ser a primeira a participar", explica Renata.

Enterrar alguém nunca é fácil, mesmo quando o tempo já fez daquelas lágrimas uma sequência. "Eu nunca tinha perdido uma amiga. Já perdi pai, avó, tios... Não estou comparando a dor, mas a dor de perder uma amiga é insuportável", descreve Licka.

Ana Rita carregava o sol dentro de si. Não só por ser de uma alegria expansiva como as amigas relatam, mas também pela cor. Os fundos da casa sempre recebiam a carioca com um biquini "mínimo" para manter o bronze em dia. Ela também adorava dançar e arrastava todo mundo para o flash back que estivesse rolando na cidade.

O grupo caía na balada junto, era Tango, foi Garage. "Ela era uma fortaleza para mim, passamos por tantas coisas..." resume Licka. A amiga de fora lembra que mesmo na tristeza, não tinha tempo ruim. "Ela não chorava as pitangas", diz Rozy.

"A risada dela era característica. Não conheci ninguém com aquela risada escancarada", finaliza a aniversariante.

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Risada de Ana (na ponta direita) ficou na memória das amigas. (Foto: Arquivo Pessoal)Risada de Ana (na ponta direita) ficou na memória das amigas. (Foto: Arquivo Pessoal)



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