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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

07/05/2014 06:50

Campanha Chega de Fiu Fiu tem mapa das "cantadas" com histórias de Campo Grande

Elverson Cardozo
Mapa está aberto para todas as cidades do país. (Foto: Reprodução)Mapa está aberto para todas as cidades do país. (Foto: Reprodução)

A organização Olga, que se dedica a “elevar o nível da discussão sobre feminilidade nos dias de hoje”, mantém um projeto para identificar os lugares mais incômodos e perigosos para as mulheres no Brasil. É um “mapa do assédio”, batizado de “Chega de Fiu Fiu”, que reúne depoimentos de quem já enfrentou o problema, testemunhou ou já sofreu algum tipo de violência.

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A ferramenta colaborativa, aberta para todas as cidades do País, já conta com a participação de usuárias de Campo Grande, mas, por enquanto, são apenas dois relatos. Um deles, do dia 13 de março, intitulado “exploração sexual”, traz o seguinte texto:

“Rapaz em uma moto fez várias voltas na quadra e pediu para eu subir. Por sorte, um frentista de posto gritou e ele fugiu”. A responsável pela publicação, que mantém o anonimato, informa que a perseguição foi na Rua João Rosa Pires, entre os números 596 e 638, na região central da cidade.

A outra denúncia cita a Vila Nasser, na Rua São Bartolomeu, entre os números 209 e 335. Nomeado de stalking (perseguição), a vítima fez um relato mais detalhado:

“Acordei muito cedo em um sábado frio para ir à pós-graduação. Quando saí de casa para pegar o ônibus era umas 6h20. Para chegar ao ponto, precisava andar umas 5 quadras e, quando faltavam umas 3, um gol cinza, 4 portas, com 4 homens dentro, começou a me seguir. Eles começaram a mexer comigo e falar coisas horríveis. Entrei em desespero. Comecei a andar rápido porque, uma quadra antes do ponto, tem uma feirinha de verduras. Quando perceberam meu desespero, começaram a rir alto e pioraram nas barbaridades que falavam. Quando alcancei a feirinha, os feirantes que ainda armavam as barracas notaram o que estava acontecendo e me acalmaram. Teve uma senhorinha que até ficou comigo no ponto. Foi horrível”, escreveu.

Valdineia já foi alvo da cantada do miojo. (Foto: Marcelo Victor)Valdineia já foi alvo da cantada do miojo. (Foto: Marcelo Victor)

Cantada - O assédio é um assunto que incomoda muita gente e esbarra, também, na questão das cantadas. Na semana passada, acadêmicas da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, criaram polêmica porque elaboraram um cartaz dispensando o “fiu fiu” dos pedreiros.

Fixado em um mural, que fica em um dos corredores da universidade, no bloco do CCHS (Centro de Ciências Humanas e Sociais), o aviso, escrito em letras vermelhas, em cima de uma cartolina amarela, trazia o seguinte texto:

“Caro pedreiro, não precisamos das suas cantadas para nos sentirmos gostosas”. As estudantes foram criticadas porque, na interpretação de algumas pessoas, agiram com preconceito de classe.

Mas isso é um assunto que divide opiniões. Tem quem abomina a conduta, mas existe, por outro lado, quem diga que “tudo depende”. A auxiliar de operações Larissa Arguelho da Silva, de 18 anos, pensa assim.

Para a jovem, a aceitação depende do tipo de “piadinha” e do comportamento do homem. “Porque tem alguns que são sem vergonha, chamam a gente de gostosa.Esse tipo de coisa mulher nenhuma gosta. Gostamos de ser tratadas com respeito”, emendou a amiga, Valdineia de Abreu, de 20 anos, que já foi alvo de cantadas deploráveis, como a do miojo (em três minutos fica pronto para comer).

Elaine disse que cantada depende. A gente só é difícil para quem a gente não quer, afirmou. (Foto: Marcelo Victor)Elaine disse que cantada "depende". "A gente só é difícil para quem a gente não quer", afirmou. (Foto: Marcelo Victor)

Para as duas, o que incomoda é a perseguição e a agressividade verbal. “Eu não gosto de homem que chega chegando. Gosto de conversar, olhar nos olhos. Depois ele pode vir com a cantada, mas isso antes porque agora sou casada”, avisa.

A recepcionista Elaine Glória, de 38 anos, também é da turma do “depende” e se incomoda com comentários muito diretos. “Não me agrada. Uma cantada conversada, sem ser direta, e bem feita, é melhor”, diz.

Se vale o recado, a mulher ensina que o sinal verde para a cantada, depende, acima de tudo, da identificação. “Se tiver química, não vai ter rejeição. A gente só é difícil para quem a gente não quer”, revela.

Ação - A campanha “Chega de Fiu Fiu” foi criada pela jornalista Juliana de Faria, de 29 anos, idealizadora do Olga. Em entrevista à Gazeta Online, no início deste ano, Juliana disse que fez uma pesquisa com participação de quase 8 mil mulheres, e mais de 80% delas disseram não gostar das cantadas na rua.

Campanha foi criada pela idealizadora do site Olga. (Foto: Reprodução)Campanha foi criada pela idealizadora do site Olga. (Foto: Reprodução)

“Acham invasivas, agressivas. Seja um “fiu fiu”, ou um “ah, que bonita”. A cantada vem carregada de um sentimento ruim. Elas podem ter medo, sentirem vergonha. Afinal, ninguém é obrigado a andar na rua e ser interceptado de uma forma sexual”, contou.

A jornalista, que não gosta de receber cantada, também relatou que, na primeira vez em que foi assediada, tinha apenas 11 anos. “Era só uma criança, não havia menstruado ainda. E isso não impediu homens desconhecidos de se aproximarem de mim de forma sexual”, afirmou.

O “fiu fiu” sempre incomodou a jovem, mas a "gota d’água" para a campanha foi o caso do diretor Gerald Thomas e da panicat Nicole Bahls. “Ele colocou a mão por baixo do vestido dela. As pessoas foram para as redes sociais repercutir o caso, mas nunca como um assédio”, declarou.

O site “Chega de Fiu Fiu” continua aberto a novos relatos. Para conhecer, clique aqui.




Infelizmente, aliado a falta de educação ou respeito, ainda temos os problemas de violencia, então, até mesmo para um homem, andar sozinho já deixa de ser seguro, se for mulher, fica até mais inseguro.
Independente do horário e não acredito que haverá solução por muitas décadas, a não ser que aconteça alguma mudança muito profunda na sociedade, algo que entre para a história da humanidade.
 
Romeu Luitz em 07/05/2014 08:02:07
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