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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

28/03/2016 06:12

Cheio de generosidade, Barba teve de morar 1 ano em cemitério até se reerguer

Thailla Torres
Barba seleciona as melhores frutas e abre a quitanda todos os dias. (Foto: Simão Nogueira) Barba seleciona as melhores frutas e abre a quitanda todos os dias. (Foto: Simão Nogueira)

Quem se depara com a simpatia e a generosidade de Benedicto Menechelli não imagina o que ele já sofreu na vida. Nem tão pouco, que para sobreviver quando chegou aqui ele precisou morar por mais de um ano dentro de um cemitério. Aos 62 anos, “Barba”, como é conhecido, conta com orgulho a trajetória.

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Ele explica que chegou a Campo Grande em 1993, depois de perder dinheiro. O problema financeiro provocou também desilusão amorosa, a gota d'água para a mudança. Disposto a ter outra vida e encarar uma nova realidade, escolheu a cidade pelo clima "quente". “Eu estava decidido a ir para uma cidade e vender frutas. Por isso escolhi aqui”.

Assim que chegou, com o pouco dinheiro que ainda lhe restava, foi assaltado e perdeu tudo. Sem ter para onde ir, entrou no cemitério Cruzeiro, na região norte da cidade, e por ali ficou por um ano e meio.

Ele ajudava o coveiro e o segurança do cemitério como retribuição por dormir no local todas as noites. De vez em quando, eles ainda contribuíam com uma marmita para que Benedicto.

O pouco dinheiro que arrumava com alguns amigos, servia para comprar frutas na Ceasa e revender pela região. "Comecei vendendo frutas em uma carriola, eu comprava uma quantidade, vendia, e voltava para comprar novamente”, conta.

Hoje retribui doando frutas a quem não tem dinheiro para comprar. (Foto: Simão Nogueira)Hoje retribui doando frutas a quem não tem dinheiro para comprar. (Foto: Simão Nogueira)

Após um ano e meio morando no cemitério, ele se mudou para um posto de gasolina onde permaneceu por mais um ano. Até que as vendas começaram a crescer, Benedicto conseguiu pagar aluguel e deixou as ruas.

O tempo passou e ele ainda vende suas frutas na região da Avenida ConsulAssafTrad, onde hoje tem a própria quitanda, a “Frutas Selecionadas”. “Eu fui um homem que ganhei dinheiro, mas de repente me achei no fundo do poço por diversos fatores. Tive que sair da minha cidade e senti por anos triste e sozinho. Mas eu consegui passar por cima”, comenta.

Com os obstáculos enfrentados, ele aprendeu a ajudar, doando frutas para quem não pode pagar. “O meu dízimo é ajudar as pessoas. Eu fui ajudado quando cheguei e aqui conseguir levantar minhas coisas, tive minha casa e o meu comércio”.

Sobre morar no cemitério, Barba conta que nunca sentiu medo e até lembra com muito apreço. “Lá é melhor lugar que tem. Eu armava uma rede na beira do muro e colocava uma lona em cima para me proteger da chuva. Nunca ouvi barulho, lá é o lugar mais calmo do mundo”, garante.

Ele já conquistou a casa própria, tem um carro e mantém a quitanda de frutas de segunda a segunda, das 5h às 22h. “Eu trabalho todos os dias e não me canso disso, me sinto um homem vencedor e me sinto realizado”.

Morando sozinho e levando a vida tranquila, hoje seu único desejo é achar uma namorada e continuar retribuindo toda ajuda que recebeu dos amigos que fez por aqui. “Eu acho que eu sou um vencedor e me sinto realizado, estou com 62 anos com orgulho e em Campo Grande só encontrei coisa boa.”




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