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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

24/09/2015 06:12

Coletor vira herói e caminhão de lixo agora faz até morador ajoelhar no asfalto

Paula Maciulevicius
Morador se ajoelha diante do caminhão da Solurb. (Foto: Gabriela Baez)Morador se ajoelha diante do caminhão da Solurb. (Foto: Gabriela Baez)

Sob aplausos e fotos, tem morador agradecendo de joelhos a volta dos lixeiros para as ruas. A greve que começou no dia 9 e terminou 11 dias depois trouxe status de celebridade a quem trabalha na coleta. A gratidão do consultor de vendas Wesley Henrique do Nascimento, de 21 anos, foi tanta que ele se ajoelhou diante do caminhão e do funcionário. 

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"É um milagre", brincou. Logo que Wesley ouviu o barulho do caminhão de lixo pelas ruas do bairro Universitário II, tratou de armar o celular para ter registrado o momento. Do outro lado, a receptividade com que os coletores estão lidando agora é de arrancar risos e fazer refletir quem, da invisibilidade passou a ser famoso. Ao Lado B foi o coletor de lixo que aparece na imagem quem contou da foto.

"Fiz isso para agradecer, por causa do mal cheiro que já estava ficando muito grande", justifica o rapaz. Para ele foi um milagre concretizado depois de dias sem ver o caminhão. 

Wesley justifica que graças a eles, o mal cheiro da rua estava indo embora. (Foto: Gabriela Baez)Wesley justifica que graças a eles, o mal cheiro da rua estava indo embora. (Foto: Gabriela Baez)

A popularidade intimida o coletor que prefere não se identificar. "Agora a gente é bem recebido. Até com selfie", brinca. Com 22 anos de idade, são apenas sete meses no serviço e a primeira vez que isso acontece.

O motorista do caminhão também prefere não se identificar, mas diz que tem sido assim, onde eles chegam, são palmas e acenos. "Os moradores gritam que nós estamos de parabéns. Eles sabem que a culpa não é da gente", reproduz.

Coletor há pouco mais de 1 ano, Anderson Vilhalba Gomes da Silva, de 21 anos, conta que agora ele passou a ser visto. Pela ausência, o povo sentiu falta. "Mudou principalmente o tratamento. Antes era como se a gente não existisse e a gente é ser humano", diz.

Entre um saco e outro jogado dentro do lixo, ele segue descrevendo que falta educação nas pessoas, especialmente no modo de falar. "Às vezes a gente esquece um saco para trás e nos destratam. É nosso serviço sim, mas o que custa dizer 'olha, acho que você deixou esse aqui'".

De agora em diante ele acredita que os olhos serão outros a partir do momento em que o barulho da caminhão anunciar a chegada. "Agora sabem como é e como vai ser se a gente parar outra vez. Somos o coração da cidade, sem a gente, não anda e hoje é que eles perceberam isso", desabafa Anderson.

Creuza levando o lixo guardado em casa até o caminhão, no Universitário II.Creuza levando o lixo guardado em casa até o caminhão, no Universitário II.

Enquanto a entrevista seguia na rua, motoristas passavam acenando, buzinando e dizendo que se ver lixeiro, tem mesmo é que tirar foto com eles. Pelo bairro, frequente era a cena de moradores em frente ao portão de casa, não que já estivessem ali antes, mas foi a espera que os levou para fora. Era como se o caminhão de lixo chegasse trazendo boas novas. Ou melhor, levando elas para longe. Todo mundo queria ver o trabalho deles, como se fosse novidade.

Estudante, Camille Vitória Lima, de 13 anos, esperava no portão pela coleta. "Não deu tempo, eles passaram muito rápido, mas eu queria falar obrigada".

Dona Creuza Nantes, de 69 anos, queria ir além. O lixo que ela guardou em casa durante todos esses dias foi entregue diretamente na mão deles, no caminhão. Emocionada, a senhorinha falou sobre essa espera. "Como fizeram falta, limpeza em primeiro lugar minha filha. Eu, se tivesse dado tempo, dava até um abraço e um muito obrigada. Eles merecem muito mais".

Apalusos, os parabéns e o olhar de gratidão acompanha os coletores. Apalusos, os parabéns e o olhar de gratidão acompanha os coletores.



Em uma análise mais profunda percebe-se que a formação religiosa dessa pessoa não a fez entender como funciona realmente a vida cível e nem o papel da prefeitura em relação ao lugar que vive.

Essas pessoas não deveriam votar. Mal entendem o mundo.

E concordo, é muita vontade de querer aparecer sem ter feito nada. Ou isso reflete o desespero do Campo Grandense, ou reflete a total alienação das pessoas que chegam a esse ponto de se ajoelharem diante do caminhão de lixo.
 
Psicologo em 25/09/2015 10:32:52
Foi Graças a DEUS mesmo que tudo se resolveu, porque afinal os trabalhadores trabalham em troca de "milagres" e não por dinheiro.

ai ai ai. Eu não era ateu, mas depois desse cara eu prefiro ser.
 
Fiqueisemfe em 24/09/2015 14:25:50
Pois é. Muita vontade de aparecer. Vai ter vergonha de ver essa reportagem ano que vem.
 
Desiludido em 24/09/2015 14:24:25
Galera tem que entender que pagamos muito para termos esses serviços e não considerar como milagre o que é obrigação da prefeitura fazer...
 
Lincoln G. Silva em 24/09/2015 11:18:07
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