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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

07/04/2016 07:34

Com patinhas na estrada, Frida é companheira em caronas da mochileira Michelle

Naiane Mesquita
Michelle e Frida, as companheiras de estrada pelo Brasil (Foto: Fernando Antunes)Michelle e Frida, as companheiras de estrada pelo Brasil (Foto: Fernando Antunes)

Enrolada em uma manta, com as patinhas na areia da praia, Frida, 6 anos, não parece se importar em viver sem uma pousada fixa. Acompanhando a tutora, Michelle Cristina Silva, de 37 anos, a vira-lata já percorreu várias cidades do Nordeste do País, cruzou de norte a sul e agora está de volta a Campo Grande, sempre pegando carona na estrada.

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Chamego na casa da mãe (Foto: Fernando Antunes)Chamego na casa da mãe (Foto: Fernando Antunes)
Frida não se incomoda de ser nômade e livre (Foto: Fernando Antunes)Frida não se incomoda de ser nômade e livre (Foto: Fernando Antunes)

A aventura das duas começou há 1 ano e cinco meses, quando Michelle cansada da vida de workholic decidiu deixar tudo para trás. “Eu sou formada em publicidade, trabalhei durante 14 anos em agências, fui embora, cansei daqui, em 2013 fui morar na praia, em Maceió. Trabalhei em uma loja de material para arquitetura, gerenciei essa loja por um ano e meio e percebi que não tinha mudado o ritmo, só mantido”, relembra.

Colecionadora de bolsas e scarpins, Michelle trocou a moda da alta costura pelas roupas confortáveis de uma viajante. O lenço na cabeça concede charme aos cabelos ondulados e tudo isso combina perfeitamente com a mudança na carreira, das agências para a culinária vegana. “Quando morei em Maceió precisei criar estratégias para conhecer gente nova, foi quando me cadastrei no couchsurfing, para receber viajantes na minha casa, pessoas que viajavam de bicicleta, de carona. Eu ouvia as histórias e pensava nossa que massa e eu nessa vida chata. Nessa tragédia de não querer levantar da cama na segunda-feira”, lembra.

Decidida, Michelle pediu demissão do emprego em arquitetura, fez primeiro uma viagem para a Europa pelo couchsufing e na volta arrumou as malas. Sem pensar duas vezes, incluiu a caixa de viagem da Frida nos quilos que iria carregar pelas estradas. “Botei ela na caixa e saímos para viajar”, diz.

 

A tranquilidade de quem pega a estrada (Foto: Arquivo Pessoal)A tranquilidade de quem pega a estrada (Foto: Arquivo Pessoal)

Basta a menção da palavra viajar, para que a cadelinha se anime toda. Fica em pé, abana o rabo, não se contém. “Foram meus amigos que ensinaram ela. Ela aprendeu o comando quando eles chamavam ela para ir a praia. Ela não é brava, vai quietinha nas viagens, dorme o caminho todo. Tem aquela coisa do pinscher, de sou pequena e faço barulho para ninguém pisar em mim”, ri.

Esse jeitinho de latir e fazer barulho combinava perfeitamente com a viagem. “É bom porque quando monto uma barraca na estrada, em algum posto de gasolina, estou cansada, quero dormir, ela vem e deita junto. E eu me sinto segura porque qualquer coisa ela late, faz barulho, então sei que ela vai estar cuidando”, diz.

Nesse período todo, só teve uma vez que por levar Frida, alguém negou carona a Michelle. “Foi uma situação engraçada porque um pessoa tinha acabado de me perguntar se alguém já tinha negado. Eu consegui uma carona de casa até Brasília e de lá achei uma rota no Google, BR -060, mas ela é deserta. Me deixaram em um posto de gasolina e eu fiquei das 8h às 11 horas, esperando alguém, o braço cansando. Parou um caminhoneiro, trocou três palavras comigo e perguntou o que eu carregava, quando disse que era uma cachorro, ele se negou. Eu me desesperei”, confessa.

Frida na estrada (Foto: Arquivo Pessoal)Frida na estrada (Foto: Arquivo Pessoal)

A sorte é que do outro lado, uma outra pessoa tinha ficado tocado com a cena e feito um retorno para oferecer carona. Mais sorte ainda de ser alguém em trânsito para Campo Grande. “Quase 500km com a mesma pessoa”, comemora.

A volta para casa foi de surpresa para a mamãe. Os planos são permanecer na Cidade Morena até maio, depois só Deus sabe. “Não me incomoda não ter um lugar. A Frida é meio nômade também. Em toda casa que ela chega, ela toma conta do quintal, já sai latindo, sobe no sofá, eu sempre digo que quem a recebe tem que gostar de cachorro. Depois, a gente continua a viagem”, promete.

Dessa parceira que completa 7 anos em breve, Michelle só tem elogios e nenhuma vontade de colocar um ponto final. “Quando ela pegou a doença do carrapato no Nordeste eu me desesperei. Eu sei que ela pode partir antes de mim, mas eu não quero nem pensar nisso. Ela é uma companheira”.

Quem quiser acompanhar as aventuras da Frida pode acessar o perfil delas no Facebook. 

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Frida de um jeitinho meigo e com as patinhas na praia (Foto: Marcos Pratti)Frida de um jeitinho meigo e com as patinhas na praia (Foto: Marcos Pratti)



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