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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

04/01/2013 07:10

Com tanta tecnologia, a dificuldade é achar quem saiba escrever à mão

Elverson Cardozo
No cadernos dos repórteres, anotações são
incompreensíveis. (Foto: Rodrigo Pazinato)No cadernos dos repórteres, anotações são incompreensíveis. (Foto: Rodrigo Pazinato)

Na escola, nas primeiras séries, eu era obrigado a escrever em cadernos de caligrafia. Foram muitos. A cobrança em casa era tanta que, às vezes, quando deixava de lado o capricho, tinha que reescrever tudo o que havia copiado no colégio. Virava castigo. Foi uma tortura, lembro bem, mas a letra, com o passar dos anos, ficou redondinha, legível, com o desenho de dar gosto. Não adiantou muita coisa. Virei jornalista.

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De tanto anotar correndo em bloquinhos, tentando acompanhar o que dizem os entrevistados, voltei a escrever com garranchos vergonhosos, daqueles de dar medo. Outro dia, pensando no futuro, até tentei iniciar um curso on-line de taquigrafia, para transcrever frases de maneira mais rápida e com alfabeto adaptado, mas desisti depois de ver e avaliar a complexidade das apostilas.

A situação só piora com tempo e o principal vilão, no meu caso, é o computador. Mas tem o notebook, celular e outras parafernálias que facilitam o dia-a-dia. É tanta tecnologia que eu praticamente desaprendi a escrever com letra cursiva. Cansa.

Consegue entender? (Foto: Rodrigo Pazinato)Consegue entender? (Foto: Rodrigo Pazinato)

Entre jornalistas a reclamação parece ser generalizada. Não tem um que eu conheça que não reclame da perda da habilidade. Na redação do Campo Grande News, por exemplo, dos 17 repórteres que compõem a equipe, mais da metade se queixa. Até a chefe.

“Quando eu escrevo, só eu e Deus entendemos. Depois, só Deus”, disse, certa vez, nossa editora, Marta Ferreira.

Não que seja regra, mas aqui, as mulheres, no geral, têm as letras mais bonitas. Os homens, coitados, disputam o primeiro lugar no ranking dos piores garranchos. Nicholas Vasconcelos, de 26 anos, não esconde que tem a letra feia, quase indecifrável, mas se defende.

“Se eu estou entrevistando algum político eu tenho que escrever alucinadamente, senão eu esqueço”, exemplificou.

Se for justa a comparação, Mariana Lopes, 26, uma das repórteres mais delicadas, tem uma das letras mais bonitas entre as mulheres. “Na rua eu me esforço para ficar bonitinha”, contou, ao revelar que também já fez caligrafia, mas, ainda assim, os cadernos de redação guardam frases incompreensíveis.

E não é só na rua, no trabalho de um repórter, que a dificuldade fica evidente. Acadêmica de letras, Bruna Amaral Almeida, de 20 anos, já desistiu da idéia de tentar mudar a grafia para melhor.

Os anos, a correria e a tecnologia se encarregaram de dar uma “nova versão” ao abecedário da estudante. “Minha letra está pior do que era. Quando criança, os professores davam nota de caderno, então eu escrevia bem devagar, como se estivesse desenhando minha letra”, relembrou.

Bruna também se rendeu à tecnologia. A letra, com o tempo, piorou. (Foto: Thayara Barboza)Bruna também se rendeu à tecnologia. A letra, com o tempo, piorou. (Foto: Thayara Barboza)
Grafia não é um garrancho, mas estudante garante que já foi mais bonita. (Foto: Thayara Barboza) Grafia não é um garrancho, mas estudante garante que já foi mais bonita. (Foto: Thayara Barboza)

O “desenho” ficou no passado. Na fase adulta, nos bancos da faculdade, os professores “apenas falam e falam sem repetir”, disse. O jeito é se adaptar para não sair no prejuízo.

“Como eu não tenho mais tempo, passei a aceitar minha letra mais ou menos”, completou, ao dizer que pretende voltar a fazer caligrafia.

Foi o que fez, por conta própria, o acadêmico de gastronomia Fabrício Evangelista Cerqueira, de 26 anos.

Por exigência da escola, ele escreveu em caderno de caligrafia da 1ª à 4ª série. Não apresentou melhora significativa que pudesse facilitar a vida de possíveis leitores. Preferiu aperfeiçoar a arte da escrita.

“Minha letra sempre foi um caco. Eu tinha vergonha. Mas o caderno de caligrafia não ajudou muito. Depois dos 15 anos eu comecei a treinar sozinho, letra por letra. Meio que escolhi uma fonte”, disse.

O estilo foi o romântico, que lembra as letras antigas, trabalhadas, de convites de casamento. Mas são tantas voltas e detalhes que a compreensão fica difícil.

Para não complicar tanto, ele capricha mais nas maiúsculas. A vida conectada e os teclados de computadores não estragaram a grafia, garante. Fabrício, sem sombra de dúvida, é uma rara exceção.




Concordo com o Wilson. Certa vez levei minha filha de 1 ano ao médico, que por sua vez receitou uma vitamina BC 8 gotas uma vez ao dia e Sulfametoxasol + Trimetroprima para garganta 2,5 ml de 8 em 8 horas. Meu esposo chegou na fármacia do posto de saúde, deu a receita e recebeu uma pomada hipoglós BC E Zinco e uma pomada Sulfadiazina de Prata. Na hora voltei e perguntei se a farmaceutica havia entendido o que estava escrito, ela disse que mais ou menos. Então disse a ela que tomasse mais cuidado pois ainde existem pessoas que não sabem ler e fazem tudo conforme o médico explica. Agora imagine uma mãe que não sabe ler, vai no mínimo passar a pomada na boca da criança. Uma vez que existem pomadas que servem para sapinho por exmplo. Desde então peço ao médico que escreva legivelmente.
 
Juliana Santos em 06/01/2013 11:33:44
É meu caro Elverson, sinto muito por você e por milhares de pessoas que não tem a escrita bonita, ao qual chamamos de caligrafia, porém o grandioso poeta Ferreira Gullar criou o neologismo "caligrafeia". Acredite você, eu como professora exijo que meu filho faça caligrafia. Ah aproveito e faço também. É um ótimo exercício. Parabéns pela matéria.
 
selma silva em 06/01/2013 00:00:58
Fica o puxão de orelhas aos nossos amigos médicos.... Grafia não é rabiscos... muitas vezes nem os farmacêuticos conseguem traduzir.... Péssimo exemplo aos nossos jovens que falam que é letra de médico...
 
Wilson Braga em 05/01/2013 11:04:01
Estou sempre corrigindo meus sobrinhos quando "tc" teclam nas redes sociais e principalmente no msn... utilizam umas abreviações, e grafia errônea que dá dor nos olhos de quem as vê... Uma Tristeza... Não = Naum, "Humido" e "estinsao" Umano... Quero ver quando ter que escrever uma redação.... coitado do professor...kkkkkk
 
Wilson Braga em 05/01/2013 11:01:01
Eu ainda sou do tempo da caligrafia nas escolas, e que por ser mulher teria que
caprichar na letra então não faço parte dessa estatística, escrevo muito bem sem
erros de português pois fico de boca aberta de ver tantos erros grotescos de português
e cometido por pessoas escolada, de nível superior.
 
Monah Lopes em 04/01/2013 22:55:29
Eu sou exatamente o contrário dessa matéria, e estou aqui para provar que ainda existe, sim, pessoas que escrevem bem à mão e que tem letra bonita. Escrever bem é fundamental em qualquer situação ou profissão, além de ter uma letra legível é preciso que se preze a grafia correta das palavras e concordância. (não sou professora de lingua portuguesa - sou advogada, mas sou adepta da boa escrita). Além do que, se os repórteres escrevessem melhor suas anotações evitariam erros que vemos diariamente principalmente no tocante a nomes, sobrenomes e profissões de entrevistados.
 
Lucimar Goedert em 04/01/2013 17:04:24
Gostei muito da matéria e devo confessar que ando escrevendo muito à mão, só não sei o motivo. Uma dica a quem interessar é esse site que pede colaborações de letras cursivas>> http://minhaletracursiva.tumblr.com/. Parabéns ao Lado B!
 
Jorge Almoas em 04/01/2013 10:57:23
Pra que escrever utilizando caneta ou lápis? Não me recordo de nenhum documento oficial ou relatório ou descrição que encaminhei escrito a mão. No máximo anotações para mim mesmo.
São os meios justificando os fins.
 
Carlos Rafael em 04/01/2013 10:17:29
Mas, nesta era tecnológica há também vários meios para poder registrar uma entrevista, como por exemplo um gravador. Questão de letra é uma forma de registro para quem tem habilidade de escrever, seja rápido ou não. O problema maior é que as pessoas não gostam de escrever e acham na maioria que perdem tempo ou mesmo não tem o hábito. NAS ESCOLAS QUANDO SE FALA PARA O ALUNO ESCREVER É UM DEUS NOS ACUDA....
 
Maria Zoé B. Carvalho em 04/01/2013 09:54:03
Na época em que eu estudava, existia um livro ou caderno de caligrafia, pois fiz 4 anos de caligrafia e hoje tenho uma excelente letra, mais as escolas querem implantar computador no lugar de saber escrever com uma letra bonita....que bons tempos era aquele.....
 
Luana Freitas em 04/01/2013 08:45:49
Bem pontual esta matéria. Eu que trabalho com programação e desenvolvimento, sinto dores ao usar uma caneta por mais que alguns minutos. Fora que a letra realmente fica feia, mas não chega ao ilegível. É um mal da modernidade.
Senti na pele isso quando precisei fazer redação novamente, não via a hora de terminar.
 
Eder lima em 04/01/2013 08:34:17
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