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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

27/05/2016 08:00

Contra a cultura do estupro e o medo diário, desejamos homens melhores

Mariana Monge
Contra a cultura do estupro e o medo diário, desejamos homens melhores

"Era final de tarde, quando ela seguia pela rua vazia. Infelizmente, aquele era o único caminho para a casa. Ela não tinha carro, dependia do transporte público e dos próprios pés. Na esquina, um homem parado. Um desconhecido. O sentimento dela? Apenas um: o medo. De assalto? Também. Mas o medo maior é do estupro. Da violência contra seu próprio corpo!"

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Esse enredo é meu. É da Maria. É da Luiza. É da Helena... É de todas as mulheres. De todas nós que já nascemos reféns do instinto sexual do homem. 

Dias desses, em uma discussão sobre o assunto, eu tentava explicar a um homem o tanto que um desconhecido em um lugar ermo representa ameaça a uma mulher. Ele disse que isso era julgamento nosso. E eu insistia, tentando explicar que não, que era só medo.

Basta olhar para as estatísticas. Todos os dias (T-O-D-O-S) mais de uma mulher é estuprada no Brasil. Mais de uma. Só no Brasil. Isso é pouco? Não. Isso é absurdamente demais, pois nenhuma mulher deveria ser estuprada. Nunca. Jamais. Em nenhuma possibilidade. Nem que ela estivesse andando nua e alcoolizada no meio da rua. Em nenhuma situação uma mulher deve ser penetrada sem o seu consentimento e desejo.

Contra a cultura do estupro e o medo diário, desejamos homens melhores

Mas diariamente isso acontece. E o que nos resta? O medo. Medo de trompar com um homem numa rua deserta. 

Em países que sofrem atentado, qualquer mochila esquecida no canto da estação de metrô torna-se um objeto suspeito e ameaçador. É julgamento? Não. É só medo.

Mas acho que homem nenhum vai conseguir, um dia, entender o que é este medo. O que é o pavor de pensar na possibilidade de ter todo o direito da integridade de seu corpo lhe ser arrancado com tanta banalidade.

E por todo este medo, faço um apelo aos homens: chega desta cultura idiota de pornografia, seja ela em revistas, sites ou grupos de Whats App. Basta de piadinhas machista, que inferiorizam as mulheres ou as tratem como mero objeto sexual. Por favor, não curtam mais este tipo de conteúdo, não compartilhem.

Pelo fim da cultura do estupro, nossas vozes podem timbrar em um coro bem mais volumoso. A luta também pode (e deve) ser de vocês, homens. Mas enquanto vocês acharem bonito dizer que pensam melhor com a "cabeça debaixo", talvez a nossa luta seja em vão. 

Nesta semana, nós, mulheres, nos demos as mãos e soltamos um suspiro pela jovem que sofreu estupro coletivo no Rio de Janeiro. Choramos junto com ela. Nos compadecemos com a dor dessa menina. Porque, no fundo, essa dor é de todas nós. 

Particularmente, desejo que haja justiça para este crime absurdo e para todos os outros casos de estupro. Mas, acima de tudo, desejo homens melhores para a nossa sociedade.

Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página da autora.

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