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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

26/10/2014 08:19

Contra o câncer, a força dos amigos tem poder e faz sorrir, apesar de tudo

Fabianne Rezek
Minha irmã, a melhor de todas.Minha irmã, a melhor de todas.

Em situações normais, as pessoas questionam sobre você estar feliz. Hoje, com o câncer, isso se tornou uma constante que, vez ou outra, me incomoda. Um delas, especificamente, foi uma abordagem por meio de mensagem privada do Facebook, onde uma pessoa foi direta ao perguntar: "Fabi, leio seus post e, sinceramente, não vejo nenhum motivo de você se sentir feliz neste momento. Não se acha prepotente em tratar sua doença dessa forma? Parece que está brincando o tempo todo".

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Isso aconteceu logo no começo, antes mesmo da primeira quimioterapia, onde tudo era novo e desconhecido, não sabia o que aconteceria no dia seguinte e no seguinte e no seguinte... Só tinha decidido que encararia de frente e com alegria esse período difícil, já que no primeiro desafio saí vencedora. O PET-CT, um exame que mostraria se havia metástase, e não havia, me trouxe a tranquilidade que precisava para crer que posso vencer o tumor da mama, e o otimismo para acreditar que vai parar por aí.

Mas a pergunta dessa pessoa me fez pensar profundamente no que eu tinha ao alcance para manter a coragem e entusiasmo nessa vitória.

Se for verdade que os amigos salvam, e creio piamente nisso, tenho um exército da salvação. E eles exercem sobre mim a função essencial de combustível. Isso desde sempre, desde muito antes do diagnóstico. Mas agora, criou-se em minha volta uma corrente de amor e compaixão que me nutre de coragem diariamente. E compaixão, ao contrário do que a maioria pensa, não é ter pena. Compaixão é preocupar-se, é trabalhar em conjunto, é ampliar a mente ao problema do outro. Aqui, em Barretos, vivo rodeada de pessoas com muitos problemas, maiores que o meu em grande parte, e exercitar a compaixão acaba minimizando o meu problema.

Faço quimioterapia sempre na mesma sala, com a mesma equipe de enfermagem (lindas pessoas, diga-se de passagem), algumas pacientes que estão comigo desde o começo, e a cada dia surgem novas.

Na ocasião da minha quinta aplicação, senti falta de uma menina (28 anos) que conheci dois meses antes e que fazia quimio no mesmo dia que eu. Perguntei a outra paciente, que disse que ela estava internada, e muito debilitada, pois detectara metástase nos ossos e pulmão. Eu gelei, tremi, acho que pela primeira vez senti um medo real. Saí de lá vazia, triste, desabastecida de coragem. O medo paralisa. E eu congelei de medo.

No dia seguinte, acordei ainda com aquela sensação nova e aterrorizante. Eis que mais uma vez meu exército vem para me salvar. Estava em prece, na igreja, quando recebo a notificação, por celular, que fui marcada numa foto do face. Não me contive e abri ali mesmo.

Quando vi do que se tratava, cai em prantos, emocionada com o carinho. A amiga Raquel Tuller criou um desafio/homenagem, onde ela aparecia na foto com um lenço na cabeça me dando força e a mulheres que estão passando pela mesma situação, e desafiando outros amigos a fazer o mesmo. Assim começou uma corrente linda em que pude sentir, todo o amor se fazendo presente, me sustentando, me alimentando. E posso afirmar que foi essencial naquele momento. Me emocionei com cada uma delas.

E assim tem sido todos os dias. Conheço mais e mais do amor. O forte, grande e leal. Sinto-me afortunada por ser tão querida. Por te muitos amigos, que inclui minha família que são os maiores, por ter fé, e por conseguir manter atitude mental positiva diante de tudo.

Nos momentos mais doídos da minha jornada até aqui eu nunca encontrei nenhum botão mágico, mas tive fé, tive gesto, e, felizmente, tive quem me amasse sem desistir de mim.

Ps: Adoraria poder citar todos os nomes que carrego no meu coração, com muito amor. Além de todos das fotos, tenho incontáveis pessoas a quem nutro profundo carinho por todo apoio que têm me dado, mas preciso destacar: Irmãos (Fabio e Josy), Lie, Aline, Kika e Fuva. Gratidão, por tudo!

*Fabianne Rezek descobriu a doença e resolveu escrever sobre ela ao Lado B.

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