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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

11/02/2015 07:00

Costureira vira especialista em roupas para agradar aos “espíritos iluminados"

Elverson Cardozo
Seguidora do Candomblé, Luzia Ogawa tem a difícil missão de agradar espíritos mais iluminados. (Foto: Marcelo Calazans)Seguidora do Candomblé, Luzia Ogawa tem a difícil missão de agradar "espíritos mais iluminados". (Foto: Marcelo Calazans)

O trabalho de Luzia Ogawa, 50 anos, não é nada fácil. Costurar bem já é tarefa para poucos, agora imagina agradar “espíritos mais iluminados”. Ela faz as duas coisas. Seguidora do Candomblé há 5 anos e com uma vivência de 15 nos centros de Umbanda, a mulher trabalha para agradar entidades.

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Ela faz roupas para rituais e se destaca porque, diferente das “costureiras comuns”, entende os fundamentos espirituais das religiões e, justamente por isso, se atém aos mínimos detalhes das vestimentas.

Na arara, roupas feitas por Luzia. (Foto: Marcelo Calazans)Na arara, roupas feitas por Luzia. (Foto: Marcelo Calazans)

Enquanto outra profissional sem formação espiritual reproduz um molde, ela cria sem qualquer dificuldade. A medida exata de uma bata, por exemplo, é importante, mas, para Luzia, o que mais pesa é a vontade da entidade que o cliente incorpora.

Médium, ela diz que sente. Quem manda na roupa é o espírito. Se não seguir o pedido, tudo começa a dar errado. “Você vai costurar e não consegue: quebra agulha, máquina engole linha... É um sacrifício”, explica.

A regra é agradar, para não botar tudo a perder, como já aconteceu. “Uma vez fui costurar uma roupa normal para uma cliente e ela não me avisou quem era o espírito que tinha ganhado o tecido. Eu errei o corte. Estraguei o pano, coisa que nunca aconteceu comigo", relembra.

Em outra situação, foi preciso adicionar detalhes a uma peça. “A pessoa queria fazer uma roupa para Pomba-Gira e me deu o modelo. 

A saia que a costureira fez para Maria Farrapo, a entidade que incorpora. (Foto: Marcelo Calazans)A saia que a costureira fez para Maria Farrapo, a entidade que incorpora. (Foto: Marcelo Calazans)

Eu fiz, mas a entidade que ela incorpora não gostou e pediu para modificar. Aí acrescentei uns detalhes. Era um vestido. Ela queria umas rosas”, relata.

Entidades exigentes - Não é que seja difícil costurar para os espíritos, afirma, porque é só fazer tudo certo que nada dá errado, mas algumas entidades são exigente. A maioria, diz, gosta de perfeição.

Tem até aquelas que preferem as roupas de época. A que ela incorpora, por exemplo, a Pomba-Gira Maria Farrapo, adora babados.

Para agradá-la, Luzia passou 15 dias fazendo uma saia vermelha com cerca de 700 pétalas. “Ela gosta das coisas certinhas. Não gosta de nada errado”, explica.

No mercado, a mulher virou uma referência, tanto é que foi chamada para trabalhar em uma loja que vende artigos religiosos, tanto para os seguidores da Umbanda como do Candomblé.

A proprietária do estabelecimento, Sandra Alberti, de 50 anos, só tem elogios à profissional. É difícil, declarou, achar uma costureira que faz roupas de rituais com conhecimento de causa. Algumas até aceitam confeccionar, mas o trabalho passa longe da perfeição e isso é um problema.

Outras, por preconceito mesmo, negam de cara. Mãe de Santo há 25 anos, Sandra abriu o comércio há pouco mais de um ano justamente para suprir essa “carência do setor”. Tem dado certo. A média de 15 a 20 encomendas por mês.

Luzia e a proprietária da loja, Sandra Alberti. (Foto: Marcelo Calazans)Luzia e a proprietária da loja, Sandra Alberti. (Foto: Marcelo Calazans)

Luzia, que já trabalha com isso há 10 anos, além de ajudar muita gente, encontrou uma oportunidade de crescimento na carreira. E pensar que ela aprendeu a costurar sozinha, por necessidade, depois de separar do marido.

Serviço - A mulher atende na loja Elite Recanto dos Orixás e Orientais, que fica na Avenida Júlio de Castilho, 2660. O contato pode ser feito pelo telefone (67) 3026-3908.




Não entendi na matéria o por quê das aspas em "espíritos iluminados"?
O jornalista quis dizer que só porque é uma crença que talvez não seja a dele, os espiritos não são de fato iluminados, e só são descritos assim pois a religiosa disse?
Muito discriminatória a forma como o jornalista abordou a matéria, como se fosse chacota à religião.
Engraçado, qdo se fala de casamento de evangélico aqui no site,que fulano se "guardou" para o marido no casamento, a matéria mostra como se fosse a coisa mais pura e divina, mas quando a crença religiosa não é a mais "comum", quando a prática é especial, então merece aspas por ser ironicamente comico?
Achei desrespeitoso com a religião umbandista e com a religião candomblecista.
Se na religião tem adorno, ou roupas especiais, isso a torna menos importante?
 
Karine em 11/02/2015 13:26:26
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