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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

29/03/2014 07:17

Da riqueza à falência, em mercado só ficou o que está no carrinho na calçada

Paula Maciulevicius
Carrinhos de supermercado já enfejurrados que servem de vitrine para os produtos ‘sobreviventes’ alface, abóbora e laranja. Carrinhos de supermercado já enfejurrados que servem de vitrine para os produtos ‘sobreviventes’ alface, abóbora e laranja.

É uma das cenas que chama atenção quando a gente vira à rua por engano. Ou passa a procurar outro comércio. Na rua Estevão Alves Corrêa, em Aquidauana, o que sobrou do Mercado Xodó está na calçada. Não tem quem não veja os carrinhos de supermercado já enfejurrados que servem de vitrine para os produtos ‘sobreviventes’ do estabelecimento: alface, abóbora e laranja pelo preço de R$1. A placa que anuncia carne de carneiro e de porco raramente é posta. Só quando tem mesmo. 

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Por trás do mercado modesto já tiveram vários clientes que inclusive usavam os carrinhos para o leva e trás de compras. Há 30 anos, o dono José Donizete dos Reis, leu a palavra ‘xodó’ numa revista, gostou e decidiu que este seria o nome do comércio meio vermelho, meio rosado. “Antigamente vendia de tudo um pouco”, recorda o proprietário.

Mineiro, de 58 anos, mas instalado há décadas em Aquidauana, hoje Zé diz que vive do que os carrinhos guardam: alface, abóbora e laranja. “Foi dívida, separação, acabou casamento, mercado. Está assim de 2005 para cá”, explica em poucas palavras.

Há 30 anos, o dono José Donizete dos Reis, leu a palavra ‘xodó’ numa revista e gostou. Há 30 anos, o dono José Donizete dos Reis, leu a palavra ‘xodó’ numa revista e gostou.

Com o tempo ele se abre e diz que por José Donizete ninguém o conhece e que ele em Aquidauana é o Zé Galinha. Apelido que ganhou por vender galinhas na cidade na década de 80. Daqueles tempos, só ficou mesmo um pequeno sítio que dá as frutas e verduras que abastecem ‘xodó’ e o mercadinho.

A propaganda acaba fazendo com que cliente leve pé de alface para casa. “Eles param, compram pelo impulso”, descreve. Quando pergunto se ali, entre gôndolas quase vazias e um cenário de abandono, ele trabalha sozinho, vem a resposta que está na ponta da língua. “Eu e Jesus. Jesus me dá saúde e eu trabalho”, fala.

Zé Galinha foi rico. “Era bem melhor, eu já fui rico. Mas foi tudo negócio mal feito e hoje ando de mototáxi, à pé”, descreve. Quando surge maior confiança ele acrescenta que na década de 90 tomou um calote de R$ 100 mil. “Se eu tivesse parado, eu tinha recuperado, mas entrei na mão de agiota, de banco e foi para o pau”, resume.

O prédio que abriga o xodó até daria uma grana, mas a estrutura guarda muita burocracia e um rolo dos grandes, que ninguém assume comprar. “Até aparece, mas vê o que tem e desiste”, completa.

A falência parece ter servido de lição. Zé Galinha diz que aprendeu que a vida é assim mesmo. “A gente só sabe as dificuldades quando passa. A vida, como pude aprender, é assim”.

Os pés de alface são vendidos por R$ 2. Já a laranja sai por R$ 1,30 o quilo e a abóbora, por R$ 1,50, também o quilo.

No fim das contas, o mercado Xodó abre de segunda a segunda, até em domingo e feriado a partir das 6h30 da manhã.

O prédio que abriga o xodó até daria uma grana, mas a estrutura guarda muita burocracia que ninguém assume comprar.O prédio que abriga o xodó até daria uma grana, mas a estrutura guarda muita burocracia que ninguém assume comprar.
No fim das contas, o mercado Xodó abre de segunda a segunda, até em domingo e feriado a partir das 6h30 da manhã, vendendo verduras e frutas. No fim das contas, o mercado Xodó abre de segunda a segunda, até em domingo e feriado a partir das 6h30 da manhã, vendendo verduras e frutas.



Lamentavel..eu morei em aquidauana,sai de la ha 35 anos,criança,voltei la e vi as ruas que eu brincava sem asfalto da mesma maneira,o mesmo jeito de 35 anos atras,nao mudou nada,o governo esqueceu de aquidauana..muito triste,seus prefeitos paracem nao terem feito nada pela cidade,alias..não fizeram mesmo..lamentavel
 
rogerio marcos da silva em 30/03/2014 03:32:35
Meu avô era freguês, lembro-me de quando criança ir com ele ao mercado. Era uma alegria, pra criança tudo é festa. Ele me deixava comprar algumas guloseimas: chocolates, biscoitos, etc. E o zé galinha sempre dava mais alguma coisa, bala,s chicletes... Conheço bem ele e posso afirmar que é uma boa pessoa. Mesmo com essa história não deixou de dar suporte aos filhos que estão bem, em boas universidades e com carreiras de sucesso pela frente.
 
Yuri Marquez Marinho em 30/03/2014 00:44:51
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