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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

18/07/2016 06:15

De vestido rosa, noiva que luta contra o câncer sobe ao altar no quintal de casa

Naiane Mesquita
Geline e Rogélio em cerimônia feita no quintal de casa (Foto: Fernando Augustus)Geline e Rogélio em cerimônia feita no quintal de casa (Foto: Fernando Augustus)

Com os olhos fechados em oração, Geline e Rogélio agradeciam a oportunidade de viver mais um segundo juntos. Dos seis anos que compartilham, entre as alegrias do matrimônio e as dores de um tratamento longo de câncer de mama, os dois só desejavam subir ao altar para celebrar a união. O pedido foi atendido no sábado a noite, em uma cerimônia simples, mas que contou com a ajudinha de cada amigo e familiar.

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A história de Geline Machado dos Santos, 34 anos, e Adão Rogélio Ramos dos Santos, 35 anos, começa lá em 2010, quando o autônomo ainda morava em Portugal. Ao ver a então futura mulher passando atrás da webcam da irmã, ele decretou que os dois seriam namorados em breve, quando retornasse ao Brasil. A brincadeira se tornou paquera e depois, não deu em nada. Ao contrário da previsão, Rogélio engatou um romance com outra pessoa.

“Ele começou a namorar uma menina e eu percebi que estava com ciúmes. Mas, fiquei na minha. Depois de um tempo eles terminaram e eu pedi ele namoro. Ele faz graça com a situação, sempre me apresentava como namorada e brincava que eu que tinha pedido em namoro”, relembra Geline.

Alegre e com uma voz calminha, Geline não deixa de elogiar o marido, que a pediu em casamento após o diagnóstico de câncer de mama. “Nós namoravámos há dois anos quando eu descobri o câncer já em fase de metástase. Eu tenho um marido maravilhoso, que cuida e cuidou de mim em todos os momentos. Uma pessoa mandada por Deus e que decidiu ficar comigo mesmo assim”, ressalta.

O casamento aconteceu primeiro no civil, mas o sonho de reunir todos e receber uma benção continuou firme e forte no coração de Gelina e Rogélio. Sem pompa ou qualquer coisa do gênero, os dois pediram um Culto de Glorificação do Casamento e ganharam uma festa.

A cerimônia foi feita por amigos e familiaresA cerimônia foi feita por amigos e familiares

“Cada amigo foi ajudando de uma forma e foi muito melhor do que a gente merecia ou esperava. Foi uma surpresa para mim porque eu não ajudei em nada. Quando cheguei estava tudo pronto. Fizemos no quintal de casa, arrumaram tudo, decoraram, teve música, encontraram um vestido”, sorri a noiva.

Uma amiga foi a responsável por encontrar o vestido perfeito para Geline. Diferente do branco tradicional, ela optou por um rosa claro, sua cor favorita. “É a cor que eu mais gosto. Eu já sou casada então não vi necessidade de usar um branco. Uma irmã da igreja conseguiu vários modelos e levou em casa para eu escolher. Como eu só saio de casa para ir ao médico, nós demos um jeitinho”, explica.

Até o buquê, quem jogou foi Rogélio Até o buquê, quem jogou foi Rogélio

A cerimônia para eles é impossível de descrever. De cadeira de rodas e com o buquê nas mãos, Geline permaneceu o tempo todo emocionada. “Só quem estava lá conseguiu sentir a emoção. É difícil explicar, a presença de Deus, foi tudo maravilhoso”, acredita a noiva. Rogélio complementa.

“Foi emocionante, só quem estava aqui mesmo, não tem como, quem presenciou sabe como que foi. Sentimos muito a presença de Deus, tudo organizado, todo mundo cooperou, ajudou bastante, foi mais que a gente esperava”, descreve.

Inclusive, o responsável por jogar o buquê desta vez foi o marido, já que Gelina não podia fazer movimentos muito bruscos. Com bom-humor ele aceitou a missão e até posou para as fotos. "Tudo foi muito especial para nós. Era algo que queríamos, mas nao imaginávamos que seria assim", confessa.

O tratamento contra o câncer continua. Depois de sofrer metástase e atacar o fígado e o crânio, Geline precisou fazer radioterapia e uma cirurgia para retirar os ovários. “A esperança é controlar a doença”.




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