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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

18/04/2016 06:05

Depois da morte, sonho da filha virou tatuagem no corpo do pai e dos amigos

Naiane Mesquita
Na panturilha, a kombi com os dizeres a verdade está lá fora (Foto: Fernando Ricardo Ientzsch)Na panturilha, a kombi com os dizeres "a verdade está lá fora" (Foto: Fernando Ricardo Ientzsch)

Aos 22 anos, Luiza leu várias vezes as obras de J.R.R Tolkien, como o clássico “O Senhor dos Anéis”. Era completamente apaixonada pela literatura da Terra Média, sonhava em morar na Nova Zelândia onde foi gravado o filme baseado no livro e até fez uma tatuagem para marcar o que sentia por aquele universo. No corpo, outra frase impressa era: “A verdade está lá fora”, a mesma que seu pai carrega hoje no coração e na panturrilha direita.

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Mariana é enteada de Anderson e conviveu durante oito anos com a irmã (Foto: Fernando Ricardo Ientzsch)Mariana é enteada de Anderson e conviveu durante oito anos com a "irmã" (Foto: Fernando Ricardo Ientzsch)
Os dois fizeram a mesma tatuagem em homenagem a Luiza (Foto: Fernando Ricardo Ientzsch)Os dois fizeram a mesma tatuagem em homenagem a Luiza (Foto: Fernando Ricardo Ientzsch)

As palavras acompanham uma Kombi desenhada pela jovem originalmente em um post-it, pouco antes de morrer. Luiza sofreu um acidente de moto no dia 6 de março de 2015 e não resistiu. Estudante de Engenharia Ambiental na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), ela ia da instituição até o estágio quando foi atingida por outro veículo. Ficou 14 dias em coma, até partir.

“Nos primeiros dias eu precisava ser medicado, minha pressão caía todas as vezes e eu desmaiava. Depois, comecei a me acalmar. Parecia que era ela, que ouvia ela dizendo: pai para com isso, levanta a cabeça, o senhor não é assim”, lembra o major da Polícia Militar, Anderson Luiz Alves Avelar, de 45 anos.

O porta retrato que Luiza deu para pai pouco antes de falecer para que ele não a esquecesse (Foto: Arquivo Pessoal)O porta retrato que Luiza deu para pai pouco antes de falecer "para que ele não a esquecesse" (Foto: Arquivo Pessoal)

A Kombi da filha se tornou um símbolo que talvez ela jamais tenha imaginado. O desenho, originalmente postado em uma rede social, não só foi para a pele de Anderson, como de vários amigos, seis meninas e quatro meninos, orgulhosos em homenagear a jovem cheia de ideais aventureiros.

“Ela sempre brincava com essa história de pegar a Kombi e viajar por aí. Sonhava em morar na Nova Zelândia, era uma menina extremamente inteligente, estudava inglês de forma autodidata, falava muito bem, estudava para conseguir o sonho dela, de viver no país onde gravaram a Terra Média”, diz o pai.

A enteada de Anderson, Mariana Ogatha, 19 anos, foi uma das meninas que não teve medo de encarar pela primeira vez a agulha para homenagear a irmã. “Ela iria pirar de saber que a minha primeira tatuagem foi para ela”, sorri. No desenho da jovem, a frase que acompanha a Kombi é a original de Luiza. “Minha van vai pro seu coração”. “Fizemos exatamente igual no post-it”, ressalta.

O desenho original, no post-it, uma lembrança das aventuras que Luiza queria viver (Foto: Arquivo Pessoal)O desenho original, no post-it, uma lembrança das aventuras que Luiza queria viver (Foto: Arquivo Pessoal)

A dor da despedida prematura nunca passa, mas aliviou com as duas tatuagens em homenagem a filha. “Nós sempre tivemos uma ligação espiritual muito grande. Quando me separei da mãe dela, ela decidiu continuar morando comigo. A dor ela nunca passa. Eu quis homenageá-la, colocar na pele não só a Kombi, mas o nome dela e planejo o rosto também, faz tempo que eu quero fazer”, comenta.

O tatuador responsável pelos desenhos, Oton Safraide, explica que nesse caso manteve todas as imperfeições do desenho. “Tive o cuidado de manter o traçado, o jeito que ela desenhou cada linha, para ficar o mais idêntico possível com o original”, frisa.

No braço do pai, ainda vai o nome de Luiza e o seu apelido nas redes sociais, Grape Midnight, tudo do jeito que ela mais gostava.




Não consigo nem imaginar a dor da perda de um filho... Deve ser a morte em vida.
 
Isabel Aparecida Arguelho em 18/04/2016 09:09:25
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