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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

17/02/2015 07:34

Depois de virar mãe, o mundo passa a ser os filhos, inclusive o mundo virtual

Carol Alencar
Ilustração Celso Petit.Ilustração Celso Petit.

Quando eu não era mãe, custava a entender os posts das amigas já mães na internet. Era uma sequencia de fotos dos filhos: comendo, andando, fazendo isso ou aquilo, uma “melação”. Eu jurava que não entendia o porquê de tanta foto e até cheguei a excluir algumas porque não aguentava mais aquela ‘rasgação’ de seda. Este mundo virtual é muito bacana, ele te dá essa liberdade de você se expressar da forma que quiser e de passar aquilo que lhe der na telha ali, na sua linha do tempo, inclusive, a vida de mãe.

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Pois bem. Virei mãe em maio de 2011. No começo não quis muito publicar as fotos do meu primeiro rebento. Mandava por e-mail para os amigos (selecionados) que me pediam. Estava na onda de preservar a imagem, de não acumular energias extras, de evitar mexericos e pensava assim, não queria expor meu bebê na rede. Depois de dois meses, comecei a montar o álbum dele, ainda no Orkut e depois no Facebook.

Não recrimino quem pensa assim. Acredito muito nessa linha de preservar e de não expor tanto. Quer dizer, acreditava. Com o passar do tempo, tudo quanto é novidade a gente compartilhava nas redes sociais. A vontade era tanta de mostrar para os parentes distantes, os familiares e amigos que vibram contigo toda a evolução da sua cria que você começava a postar, postar e postar.

Em 2014 tivemos o segundo filho. Logo na maternidade eu já estava conectada com meus familiares próximos e amigos íntimos pelo Whatsapp, avisando que eu estava bem e ansiosa, para ver a carinha do meu segundo rebentinho. Na verdade, eu estava mais ansiosa com meu primeiro filho, porque ele acompanhou a gente até a porta da maternidade e teve de ir para a casa da vovó. Fiquei pensando nele o tempo todo, mas parti no ritual de espera do nosso caçulinha.

Durante o parto meu marido foi quem ficou com o meu celular. E, logo depois, que nosso solzinho chegou, ele teve de sair e nos aguardar no quarto. Pensem bem, esse processo demora cerca de duas horas, isso mesmo, duas horas até você e seu bebezinho irem para o quarto. Este foi o tempo que eu fiquei lá, ilhada, olhando para o teto e pensando no meu celular. Parem e pensem, eu sou mãe, mas também sou uma comunicóloga, plugada 24 horas por dia. Acreditem, eu também sofro com isso.

Subimos para o quarto, ufa, finalmente. Meu marido que é músico já tinha atendido todas as ligações e mandado o vídeo do nascimento para o Miguel (o primeiro filho) assistir e já me tranquilizou: tá tudo bem com ele. Me desliguei, não sei como, mas me desliguei desse mundo tecnológico por algumas horas e segui amando e amamentando Ravi (meu solzinho que acabara de nascer).

Até ai tudo bem. Ele nasceu a noite, por volta das 20h30. Eu subi pro quarto umas 23h. Ele e meu marido foram dormir lá pelas 01 hora da madrugada. E quem disse que a mãe aqui conseguiu dormir? Não tinha jeito. Estava extasiada e com vontade de mostrar pro mundo inteiro que nosso caçulinha tinha chegado. E fiz. Postei uma única foto. Sim, aquela clássica do papai segurando o bebê todo remelentinho e sujinho para a mamãe. Lembro-me que foi um estalo no celular de tanta gente curtindo o momento comigo.

Sabe. Eu acredito em tudo o que vem para somar. Se eu curto alguma coisa na internet é porque eu compartilho da mesma ideia da pessoa que postou. Se eu vejo o nascimento do filho de alguma amiga, eu vibro junto com ela aquele momento. Assim eu penso. Sei que vivemos num mundo onde temos que duvidar de atitudes de pessoas e de outras intenções mas, na minha rede social, eu priorizei apenas as pessoas que simpatizo e claro, que o santo bate. Já meu marido não é muito adepto a isso não. Mas eu, acho que por ser jornalista e mãe com apego, sempre posto as ‘novidades’ do mundo dos meus principezinhos. Sigo feliz e ‘benzendo’ eles sempre, porque mãe tem todo o poder de cura e de proteção para com sua cria.

*Carol Alencar é mulher, jornalista, comunicóloga, companheira, dona de casa, esposa, filha, neta e mãe de dois.




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