A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

22/08/2013 07:08

Do início aos altos, Afonso Pena é uma avenida de extremas diferenças

Paula Maciulevicius
Em tom de nostalgia quem percorre o início dela, caminha hoje na Afonso Pena dos anos 90. (Fotos: Marcos Ermínio)Em tom de nostalgia quem percorre o início dela, caminha hoje na Afonso Pena dos anos 90. (Fotos: Marcos Ermínio)
Do início aos altos, Afonso Pena é uma avenida de extremas diferenças

Os contrastes de uma mesma avenida que poderia muito bem ter dois nomes. Nos 7,8 quilômetros de extensão ela tem duas caras, representa dois séculos. Da antiguidade à modernidade, a Afonso Pena do bairro Amambaí parece ter parado no tempo em vista da colorida composição de shopping, prédios e toda paisagem que os altos elevam.

Veja Mais
A pé, Tulia faz percurso de 10 km até biblioteca onde aprendeu a ser feliz
Passada "nuvem negra" que trouxe o câncer, rosa tatuada no braço une 4 mulheres

Em tom de nostalgia quem percorre o início dela, na praça Newton Cavalcante, sente que ali está avenida dos anos 90. Casas antigas que revelam o peso dos anos, residências e comércios com a pintura já descascada como as rugas de quem ainda mora na região.

Ao cruzar a Afonso Pena de ponta a ponta tem-se a impressão de que os anos acompanham o passar das quadras. Como se a cada esquina se aproximasse cada vez mais de 2013. São os extremos do avanço que deixou para trás o começo e pulou logo para o final. Os prédios que de forma simplória compõem o cenário da antiga avenida se resumem a hotéis. Enquanto no trecho onde o presente e o futuro se encontram, estão edifícios residenciais, comerciais e até mesmo os que fogem do padrão e não obedecem a regra, cada andar de uma altura.

Nascida e criada na Afonso Pena, Horaide diz que o trecho privilegiado começa córrego acima.Nascida e criada na Afonso Pena, Horaide diz que o trecho privilegiado começa córrego acima.

A professora aposentada Horaide Pavon Barros, de 57 anos, nasceu ali. Numa casa nas primeiras quadras da avenida Afonso Pena. Ela e quatro irmãos viveram a transição do preto e branco ao colorido e tem na memória o retrato de uma via que começava ali e tinha fim na Ceará.

A casa pertence à família há seis décadas. Uma das poucas do trecho que ainda permanecem como residências. A maioria abriu as portas para o comércio, mas manteve a arquitetura antiga. Outras estão anunciando aluguel ou venda. Ela conta que os vizinhos daquela época foram se mudando, mas que eles continuaram ali.

“As casas mantém o mesmo estilo, aos poucos que vem saindo sobrados. Mas eu tenho a impressão de que do córrego para cima é que a avenida tem mais privilégios. Até os jardins são mais bem cuidados”, observa, e, está certa. Olhe para o canteiro daquele trecho, o verde é numa escala de cores apagada, há mais terra do que grama e folhas secas. É como andar hoje numa Afonso Pena do século passado, porque o atual abriga nada menos do que o Parque das Nações Indígenas, dono de um verde exuberante.

“Aqui demorou muito para desenvolver e pouca coisa mudou. Continua um trecho calmo, tranquilo, só na hora do rush que o trânsito é tumultuado, mas a gente não deixa de estar no coração da cidade. A gente vê as vilas muito distantes, porque para nós aqui é tudo muito próximo”, descreve.

No ano de 1972, dona Luiza, mãe de Horaide caminha pela avenida que tinha no fundo a Perpétuo Socorro.No ano de 1972, dona Luiza, mãe de Horaide caminha pela avenida que tinha no fundo a Perpétuo Socorro.
Hoje, fora as árvores e a igreja, a via nem parece a mesma. O fluxo de carros e as cores remetem a 2013.Hoje, fora as árvores e a igreja, a via nem parece a mesma. O fluxo de carros e as cores remetem a 2013.

Claro que o cenário não se resume apenas ao primórdio do bairro Amambaí ou da época em que o forte da região eram as vilas militares. Nas décadas passadas os moradores conviveram também com a marginalidade restrita a parte antiga. Foram anos de albergue ali e quem não se recorda de acampamentos armados em pleno canteiro da avenida? Era de misturar abandono e insegurança.

“A gente conviveu porque você aprende a conviver em meio à violência não é? Mas eu tinha que chamar a Polícia direto”, complementa Horaide.

Na recordação das avenidas que ela nasceu para a de agora, o preto e branco não difere muito do colorido. “Aqui já teve dois nomes. A Marechal Deodoro era este pedaço onde tinha a classe média baixa. A Afonso Pena era o centro que depois virou lugar de casa mais abastada e hoje está se transformando em boate”. Progressos aos olhos de quem vê as mudanças nos 7,8 quilômetros de extensão.

A passos largos, edificações antigas, hotéis, farmácias, salões de beleza, o tradicional Círculo Militar, Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e cá ou lá algumas lojas de revenda ou aluguel de carros.

Naquela região até o que é avanço vem revestido de passado. A Facsul (Faculdade Mato Grosso do Sul) oferece aulas no antigo Colégio Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A estrutura é a mesma dos tempos de escola, apenas a pintura do branco e azul, passou a combinar o neutro com verde.

Gerente de hotel fala da via de cabo à rabo como dois pontos distintos entre aeroporto e shopping.Gerente de hotel fala da via de cabo à rabo como dois pontos distintos entre aeroporto e shopping.

Onde os primeiros bairros de Campo Grande começam foi também local de instalação da rede hoteleira na década de 80. Ao menos sete hotéis recebem hóspedes diariamente na principal avenida da cidade. Edilberto Souza, de 51 anos, é gerente de um dos mais antigos da região, o Indaiá, de toda a idade, tem 16 anos vividos ali.

“Eu diria que são dois pontos distintos. Shopping e Parque das Nações Indígenas, já aqui, acesso ao aeroporto. Algo onde ficaram situados só os hotéis”, diz.

Ele convida para um tour pelas adjacências da Afonso Pena do pretérito afim de entender porque ali os anos não passam. “Você pode ver casas antigas, a Vila Militar, são todas assim, realmente confirma que é o início de Campo Grande até os nomes das ruas aqui próximas são em homenagem aos que fizeram a guerra do Paraguai”, ensina.

Um pouco mais adiante, os novos habitantes da velha avenida. A comerciante Beatriz Rocha, de 48 anos, tenta há dois meses vender a loja de costura que mantém na via. A tranquilidade que ela buscava nos negócios atrapalhou na hora de repassar o ponto. Ela admite que vive numa região com menos investimentos comparado aos altos da avenida.

“Ligam e me perguntam mas onde na Afonso Pena? Quando em frente ao Círculo Militar, a pessoa diz que vai ligar depois e nunca mais liga”. Com isso lá se vão mais de 60 dias com o anúncio de vende-se.

Ele não pretendia mas veio parar na Afonso Pena e hoje vive o lado 'apagado' da história. Ele não pretendia mas veio parar na Afonso Pena e hoje vive o lado 'apagado' da história.

Dos que há pouco chegaram, Aldivino Luiz da Cunha, de 36 anos, tem pouco mais de um ano de casa. A padaria que até então era tradicional virou restaurante e lanchonete. O ponto na avenida principal da cidade não foi escolha e sim oportunidade. Ele queria mesmo era por em prática o que aprendeu atrás do balcão e abrir o negócio próprio ao lado do irmão.

Seguindo a ordem de preços característico do local, o salgado é vendido a R$ 3 e o almoço servido a partir de R$ 9,50. Por enquanto está tudo dando certo, diz ele. A Afonso Pena tem rendido ao comerciante, mas ainda deixa a desejar.

“Lá é bem mais organizado, bonitinho. Não é que aqui tenha parado no tempo, mas é que acabaram deixando as casas abandonadas, então dá essa sensação de que aqui é desvalorizado e muito afastado de lá”.

No fim das contas, a proporção é inversa. O avanço virá aos poucos, a passos lentos, ao contrário do fluxo do trânsito da pista e não seguindo a ordem cronológica de existência da avenida. A mesma Afonso Pena poderia, mas não deve ter dois nomes. Os contrastes do começo ao fim contemplam passado e presente. É um histórico somado à atualidade e não deixa de ser a identidade, ainda que mesclada, da cidade Morena.

A mesma Afonso Pena poderia, mas não deve ter dois nomes. Os contrastes do começo ao fim contemplam passado e presente.A mesma Afonso Pena poderia, mas não deve ter dois nomes. Os contrastes do começo ao fim contemplam passado e presente.



Marco Aurélio e Cibely, eu me lembro q esse prédio redondo ficava ao lado d uma clínica veterinária q eu frequentava quando muuuuuito criança, e me lembro q em cima desse prédio tinha um avião, não sei ao certo doq se tratava se era uma agência de viagem sei lá, mas lembro nitidamente desse avião e tenho quase certeza q era em cima desse prédio redondo...
 
Jessica Scaff em 23/08/2013 07:13:36
Para mim são dois os pontos que mais chamam a atenção e considero como parte bem definida da Av. Afonso Pena do córrego para cima, a Igreja Perpétuo Socorro e o Posto Piloto....mas é uma avenida histórica, onde localizou nosso primeiro e segundo cemitério, o primeiro onde hoje é a praça Ary Coelho e o segundo onde hoje é o SENAI, além é claro, a morada dos Baís, a nossa primeira agencia do Banco do Brasil, onde hoje é a Casa do Artesão, enfim, muitos são os pontos históricos dessa linda avenida, mas realmente o que me marca, pela minha infância, são esses dois lugares citados acima....amo minha, digo, nossa cidade morena....
 
Wilson Rodolfo Ferreira em 23/08/2013 06:40:36
Excelente matéria, parabéns à Paula Maciulevicius, que com singeleza me fez recordar minha infância e adolescência... Adoro esta região da cidade, passei boa parte da vida ali, estudei no Perpétuo Socorro do pré primário ao terceirão; também fui aluna da professora Horaide, e é deste colégio que guardo minhas melhores lembranças. Das domingueiras no Circulo Militar; da Igreja do Perpétuo Socorro... Do tio da garapa, no canteiro da avenida... Nossa, muito obrigada Paula, pelas lembranças.
 
Pricila Procopiou em 22/08/2013 22:46:23
Hoje com 39 anos é foi muito legal ver a professora Horaide que me deu aulas no Perpétuo Socorro quando eu tinha 12 anos!
 
marcelo alves em 22/08/2013 16:01:58
Concordo com o Marco Aurélio, também tenho curiosidade acerca daquele prédio redondo.
 
Cibely Paes em 22/08/2013 15:50:20
Tenho orgulho da minha Família e da minha Cidade natal, apesar de fazer muitos anos que mora em Cuiabá que é uma cidade muito boa também. Parabéns pela reportagem.
 
Helena Pavon Barros em 22/08/2013 15:29:48
Gostei muito da materia, e respondendo para o MARCO AURELIO, nesse predio redondo quem morava e tenho guase certeza que construiu, foi o J. Bandeira (José da Cruz Bandeira), foi vereador, acho que é advogado e professor universitario.
 
Valdecí Batista Santos em 22/08/2013 14:37:57
Nossa eu sou suspeita, passei minha vida, entre o Colégio Perpétuo Socorro, A Igreja e o Círculo Militar, moro na vila Alba e para mim lugar melhor que o início da Afonso Pena não existe, apesar dos problemas que existem como em qualquer lugar, eu amo!!! A Avenida Afonso Pena materializa o que Campo Grande é: Capital com seus prédios e parques no "altos" e interior com suas casas antigas, vila militar...
 
Clarice Mesquita de Almeida em 22/08/2013 13:54:33
Quando vim morar aqui me achava perdida aos poucos fui encontrando meu lugar e hoje amoo essa cidade incrivel...Com problemas como todas grandes cidades mas um lugar onde se pode sentar na frente de suas casas correr pelos parques ver pássaros lugares e gente simples que encantam e embelezam a cidade ..Parabéns cidade morena pelos seus 114 anos uma jovem cidade cheia de vislumbres e encantos...
 
Ana C. Oliveira em 22/08/2013 12:21:25
Amo minha cidade aonde nasci Altônia (PR) mas Cpo Gde foi amor a primeira vista, há 22 anos moro nessa cidade, e quero permanecer aqui por muitos e muitos anos!!!!

Parabéns Cpo Gde, a cidade realmente é muito lindaaaaaa, mas nossos governantes não devem se esquecer que a cidade toda precisa de cuidados, não só a avenida afonso PENA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
CRIS. ALVES em 22/08/2013 11:25:28
eu moro hj fora de ms, mas sinto uma saudade muito grande desta cidade que amo desde criança, não existe cidade linda como nossa capital morena, moro em uma cidade que tbm e bonita mas não chega aos pés da nossa querida cidade morena. parabéns por mais um ano de beleza mil.
 
carlos cezar assis em 22/08/2013 10:53:20
Através da Av. Afonso Pena chega-se a lugares que foram importantes para o desenvolvimento da cidade como a Copagaz,o antigo Frigorífico Bordon que por falta de técnicas específicas para cuidados com o meio ambiente na época, pode ser a causa do B. Nova Campo Grande, que seria um espaço agradável para viver e valorizado como empreendimento inovador, sofrer a desvalorização e evasão atual. Enfim, a revitalização do prédio da antiga rodoviária e área em torno poderia ser uma das possibilidades para o desenvolvimento da avenida e região consideradas "após o córrego",direção centro-bairro da cidade. Ainda há espaço para o progresso e valorização de área histórica e nobre da cidade. Basta olhares empreendedores e otimistas.
 
Asturio Ferreira dos Santos em 22/08/2013 10:21:16
Nasci e vivo até então no B. Amambaí,a Avenida Afonso Pena marcou o desenvolvimento da cidade por ser caminho para o Aeroporto,para a região que agrega o complexo do Exército e Aeronáutica,o Colégio e Igreja N.Sra do Perpétuo Socorro e centro da cidade,enfim,parou no tempo por alguns anos,talvez pela falta de atenção ao único Albergue que existia na cidade,onde começamos a ter contato com os "homens do saco e loucos" como se dizia na época em que o preconceito e o desconhecimento da verdadeira violência eram marcantes em nossa cultura.Daí veio a Rodoviária que também sofreu as consequências da má administração e o que era para ser,como era a princípio,lugar de recepção para quem chegasse/deixasse a cidade,o melhor cinema,tornou-se antro de "descaminho"e vazão para a avenida.Basta olhares!
 
Nosimar Ferreira Santos Rosa em 22/08/2013 10:00:34
Saudades... nostálgicas essas matérias que precedem o aniversário da cidade... interessantes também! Parabéns mais uma vez ao campograndenews! E escritas por quem passou a infância ali e acompanha, em sua pouca idade, as mudanças.
 
Beth Saltão em 22/08/2013 09:52:39
Muito boa a matéria, estudei no Perpetão, como era chamado o Perpétuo Socorro, ia bastante no Circulo Militar, matava aula pra comer espeto na rodoviária antiga que e ali pertinho, não sei se é puramente saudosismo, mas até hoje pra mim aquele ali é o melhor pedaço da Afonso Pena.
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 22/08/2013 09:03:31
Neste lado da Afonso Pena, se não me engano ao lado de uma agência bancária há um prédio redondo, que a anos me intriga, porque foi construído daquela forma, quem construiu acho que dará uma matéria interessante.
 
Marco Aurélio em 22/08/2013 08:37:17
A Av. Afonso Pena ainda tem muita especulação imobiliária com muitos terrenos baldios, se pegar desde a Rua Calógeras até o início da Av. Duque de Caxias só tem casas velhas, imóveis abandonados, a prefeitura devia intervir para que ou vendam ou construam.
 
Marcos Wild em 22/08/2013 08:12:54
Nossa quanta saudades quando morava na Avenida Afonso Pena ,eramos vizinha da Horaide, dona Luiza, Maria Jose, nossa elas me viram crescer, assim como também vi a cidade crescer, a cada dia novas conquistas de zelo , beleza, sinto muitas saudades da Avenida :( #Mais Deus tem o melhor!
 
Letycia Araujo em 22/08/2013 08:00:30
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.