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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

30/10/2014 06:24

Educada para ser homem, Claire se reconstruiu por cirurgia e virou alvo na UFMS

Paula Maciulevicius
Aos 48 anos, ela protagonizou polêmica na UFMS que culminou no incêndio da sala anexa ao DCE. (Foto: Alcides Neto) Aos 48 anos, ela protagonizou polêmica na UFMS que culminou no incêndio da sala anexa ao DCE. (Foto: Alcides Neto)

Educada sem trégua para ser homem, afinal, nasceu assim, ela agora é mulher. Nascida em casa, de parteira, numa cidade pequena, da região Norte do País, Claire teve, apesar de não completamente desenvolvido, o pênis como determinante. Era menino, sem querer ser. 

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"Minha infância foi marcada assim por violência incitada pela minha androgenia e meu comportamento feminino. Isto porque nasci levemente acometida por uma condição conhecida como ambiguidade genital. Este pequeno disturbio hormonal, na fase feto, que apesar de ter impedido minha genitália de se formar plenamente, permitiu que ela se desenvolvesse suficientemente para que o meu sexo fosse determinado como masculino, de acordo meu meus cromossomos XY".

Este é o resumo do nascimento de Claire Leal. Hoje, aos 48 anos, ela protagonizou, sem ao menos querer, a polêmica instalada na UFMS que culminou no incêndio da sala anexa ao DCE (Diretório Central Estudantil), queimando 200 livros. Tudo enraizado no preconceito.

Os episódios de violência gratuita começaram na sala de aula. Acadêmica de Letras, Claire já é formada no mesmo curso, mas buscava habilitação também em espanhol. Ao ser agredida verbalmente e depois ameaçada fisicamente, ela fotografou os agressores para que pudesse identificá-los. A tentativa de se defender sem retribuir a violência terminou em hostilização a ponto de ela ter de sair do Restaurante Universitário escoltada por seguranças da Universidade. 

Educada para ser homem, Claire se reconstruiu por cirurgia e virou alvo na UFMS

Esta foi apenas uma das recorrentes situações de preconceito já vividas. "São traumatizantes, recordo da violência que sofri", diz.

A vida dela foi entre o Norte, Mato Grosso doo Sul, São Paulo e Inglaterra. No início dos anos 2000, quando relata ter estado num quadro de depressão severo, começou a se tratar com psiquiatra. "Eu estava muito magra, a comida não tinha sabor. Meu corpo decidiu morrer, apesar de que eu nunca ter essa coragem", conta.

Dos anos de terapia e medicamentos, saiu fortalecida e como ela mesma diz: "comecei a desafiar o mundo". Até então ela só se vestia como mulher à noite, quando os olhares eram em menor proporção. As roupas até então foram sempre unissex, que não revelavam quem de fato ela era. "As pessoas zombavam de mim, da minha aparência andrógina", lembra.

Encaminhada ao Hospital das Clínicas em São Paulo para fazer a reconstrução genital, teve medo devido à alta taxa de óbito pesquisada. Há dois anos, ela conta que vendeu o que tinha para fazer a cirurgia na Inglaterra. "Quando me olhei no espelho, foi uma sensação maravilhosa, parece que eu já era assim".

Da Inglaterra, Claire conta ter feitoo mais que a cirurgia. Encontrou um grande amor. O relacionamento começou em 2007, através de um site. Para ele, ela se abriu e explicou a condição. "Ele nunca tinha conhecido alguém assim antes, pediu tempo para pensar e depois de um mês voltou", lembra. Já se passaram 7 anos da história, inclusive o período da cirurgia.

O que trouxe Claire aqui, novamente, foi a alteração nos documentos. Exatamente há 1 ano ela espera por decisão da Justiça para retificar a certidão de nascimento. "Para eu poder me casar", completa. O nome antigo, que ela prefere não falar, termina com a letra "e" e na época do nascimento, servia para os dois sexos.

O "Claire" foi dado por uma freira católica num instituto de caridade em São Paulo no qual ela participava de ações solidárias. "No convento, não sabiam de nada, ela era uma senhora de idade. Quando perguntou meu nome e eu falei, ela entendeu Claire. Eu não quis corrigir e deixei e ela passou a me apresentar como Claire", explica.

A mudança de nome é uma medida cautelosa e como o tempo seria o seu maior contraponto de angústia, Claire escolheu voltar para a universidade. "Foi para não enlouquecer. Mas eu sabia de tudo o que ia sofrer", pontua.

Segundo ela, alguns dos professores eram os mesmos da época em que cursou Letras pela primeira vez. Na secretaria acadêmica, ela sustenta ter levado o requerimento para ser chamada por Claire e ainda pediu sigilo. "E não foi nada disso que aconteceu", argumenta.

"Eles começaram a me olhar, talvez me vissem como travesti e este episódio, eu quero entrar contra. Eles já estão identificados", comenta.

No tempo em que aguarda a documentação sair, ela não conseguiu emprego mesmo tendo um currículo com fluência no inglês. Agora ela diz seguir a vida da melhor forma possível. "Mas a vida foi muito injusta comigo. Todo mundo nasce completo, por que eu nasci pela metade? Por que eu era diferente? Por que me rejeitaram e me agrediram tanto?" se pergunta.

Depois do episódio da UFMS, Claire diz que apesar da acolhida do DCE e do grupo LGBT, não se sente parte do que a sigla representa. "O que eu quero ser é embaixadora. Promover o diálogo entre esses dois mundos: a sociedade e os LGBT".




Se fala de preconceitos sobre gays etc etc mais hj em dia ser Hetero parace que esta errado , qto a violencia isso sem sentido mais que estão querendo empurrar de guela a baixo que ser gay é bom é fato , as familias estão se acabando pq estão querendo dizer que é normal homem com homem e mulher com mulher faça o favor , respeito tem que ter mais tirar o direito de quem acha que esta errado ai tbem é dificil , aceita quem quiser ninguem é obrigado a aceitar , mais respeitar isso sim e violencia de nenhuma forma resolve algo .
 
JEFF em 30/10/2014 15:27:14
Como assim: "Tá todo mundo de saco cheio desse assunto"?
RESPEITO não é assunto, respeito deve ser a regra!
O assunto em pauta é respeito, as pessoas têm que entender de uma vez por todas que opinião é uma coisa e cretinice é outra, o mundo tá cheio de cretinos que devem respeitar os demais, só isso.
 
JESSICA MACHADO GONÇALVES em 30/10/2014 12:53:01
Pode até ser que todo mundo está de saco cheio desse assunto, mas enquanto houver agressões e intolerâncias em qualquer tipo de gênero não se pode fechar os olhos. O que estamos de saco cheio é da hipocrisia!
 
Elias Canhete da Guia Neto em 30/10/2014 10:57:44
A grande verdade é que tá todo mundo de saco cheio desse assunto.
 
Cyro Escobar Ribeiro Neto em 30/10/2014 10:01:09
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