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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

29/04/2016 06:25

Entre bandeiras e ofensas, o meu partido não passa de um coração partido

Mariana Monge
Entre bandeiras e ofensas, o meu partido não passa de um coração partido

Há algum tempo, venho questionando muito ideologias e bandeiras. São tantos os alvos de preconceito e exclusão por aí. Sem falar no assédio, seja ele moral ou físico, que são igualmente mutiladores. Como vemos, há infinitas causas tão justas pelas quais lutar. A mulher, o negro, o homossexual, o cristão, o gordo, o pobre, o índio... Uma lista bastante considerável e que merece tamanha atenção.

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São bandeiras levantadas que gritam clamando respeito. São grupos que dão voz ao que jamais deveria ser calado. São pessoas que merecem todos os lugares do mundo e com muita dignidade. Afinal, são gente, como eu, como você, como qualquer um.

Mas não sei quem foi que um dia pensou que alguém pode ser melhor ou pior do que o outro. São tantos os pensamentos descabidos que bandeiras precisaram, sim, ser hasteadas bem no alto para chamar a atenção e mostrar que a humanidade caminha rumo ao caos da convivência.

Palmas e minha sincera admiração aos que têm peito para bater de frente a uma sociedade intolerante e cheia de conceitos pré-moldados e dizer: "Assim sou e me respeite por simplesmente assim ser". E ainda sobe no meu conceito aqueles que conseguem isso sem levantar o tom de voz.

Mas por outro lado, fico imensamente triste ao perceber o quanto ainda há pessoas que, por escolherem argumentos igualmente agressivos aos discursos e gestos de preconceituosos, acabam descaracterizando movimentos que surgiram com ideais tão bonitos e sinceros, e, assim, acabam muitas vezes jogando as lutas ralo abaixo.

Ora penso tratar-se de uma manipulação de massa escondida atrás de uma bandeira, que tenta desviar o foco, que nada mais é do que ter respeito e o direito de ser feliz dentro da liberdade que lhe cabe. Ora enxergo ativistas mergulhados em uma radicalidade que beira à cegueira.

Seja lá o que for, posturas nas quais prevaleçam a ofensa, a amargura, a agressão e a estupidez, jamais devem representar movimento algum. Ódio só gera ódio. Briga não gera harmonia. Ofensa não gera paz, nem união. E ainda acho que provocação também não seja o melhor caminho.

"Ah, Mariana, o que você sabe sobre preconceito e discriminação? Você é branca, é hetero..." Bom, sou cristã e sou mulher. E acreditem, já passei por poucas e boas por causa disso. Mas competir sofrimento não é o o foco deste texto.

É preciso dizer. É necessário se impor. Mas lembrando sempre que o direito de um começa onde termina o do outro. Não há como buscar uma mudança de comportamento simplesmente passando com um trator por cima de toda uma cultura histórica-social.

Podemos, por exemplo, pensar em transmitir mais valores a quem está chegando agora no mundo. Pois a violência e o desrespeito começam dentro de casa. E aí, como cobrar de um cidadão que ele seja cordial e educado na rua, na escola, na lanchonete, se tudo o que ele tem em casa é desprezo e desamor?

Com certeza, tentar educar a população é um trabalho muito árduo e válido. Mas, quem sabe, começar a despertar a educação dentro de casa seja um caminho mais eficiente. Com menos gritos e mais afeto, mais diálogo.

E me desculpem os que defendem com tanta garra suas bandeiras, mas por hora, diante de tantas farpas lançadas por aí, vindas de todos os lados, digo, parafraseando Cazuza, que o meu partido não passa de um coração partido!

Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página da autora.

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