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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

26/06/2016 07:15

Há 32 anos com terras demarcadas, índios vivem bem entre tradição e modernidade

Caroline Maldonado
Roupas coloridas em comemoração dos Kadiwéu. (Foto: Cassandra Cury)Roupas coloridas em comemoração dos Kadiwéu. (Foto: Cassandra Cury)

“Índio que é índio usa cocar, mora em oca, vive de caça e briga por terra”. É o que passa na cabeça de muita gente em Mato Grosso do Sul, estado com a segunda maior população indígena do país, atrás apenas do Amazonas.

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Essa ideia estereotipada começa com o que aprendemos na escola, quando a professora nos fantasia com cocar e pintura no rosto, sem discutir sobre as aldeias e etnias que existem na nossa cidade.

Na escola ninguém fala que, assim como Adão e Eva fazem parte do mito da criação do homem para muitos brancos, cada etnia indígena tem uma maneira diferente de pensar a criação do mundo, de se organizar politicamente e outras ideias para o que chamamos de desenvolvimento econômico.

Se o índio da escola era um Tupinambá pelado do século XVI, agora é um ser dividido entre tradição e tecnologia. “Como pode ele usar roupa, ter smartphone e caminhonete e ainda querer ser ‘índio puro’?”, questionam.

Querem obrigar o índio a fazer uma escolha que ninguém tem condições de fazer, porque, para começar, ninguém é puro num Brasil que acolheu dezenas de etnias de outras partes do mundo. Além disso, a identidade de um povo não tem a ver com preservar intactos costumes de antepassados.

A tradição passa por processos de tradução e ressignificação. Da mesma forma que os portugueses passaram a utilizar as redes de dormir dos índios durante a colonização e nós, hoje, usamos diversas coisas da China, os indígenas se utilizam de diversas tecnologias do século XXI, sem abrir mão de suas praticas tradicionais.

Cavalos são pintados com grafismo Kadiwéu (Foto: Cassandra Cury)Cavalos são pintados com grafismo Kadiwéu (Foto: Cassandra Cury)

Festa - Entre os dias 15 e 18 de junho, os índios da etnia Kadiwéu comemoraram os 32 anos da demarcação de suas terras, 300 mil hectares na Serra da Bodoquena, pertencentes ao município de Porto Murtinho. Apesar de demarcada somente em 1984, a área já havia sido reconhecida como tal por Dom Pedro II, há mais de 150 anos, como recompensa pela participação dos Kadiwéu na defesa do território brasileiro, durante a Guerra do Paraguai, em 1864.

A comemoração na Aldeia Alves de Barros, uma das quatro que compõem a Terra Kadiwéu, teve desfile, dança, torneio de arco e flecha, apresentação da cavalaria e o rito da primeira dança da pequena Raylane. Além disso, teve exibição de motociclistas, música sertaneja, reza tradicional e oração evangélica, pois há muitas igrejas por lá.

A comunidade é a prova de que a tradição não se perde, apesar de todas as transformações diante das influências modernas.

No meio de tudo isso, os Bobos. Irreconhecíveis, eles entram no meio da dança com a intenção de assustar a todos. Eles lembram um espírito que vive nas proximidades. Ninguém consegue descobrir quem é o Bobo e se descobrir não pode falar. Durante a festa, quase tudo é falado em Língua Portuguesa para que os visitantes participem.

As imagens da fotografa Cassandra Cury são uma oportunidade para perceber como os Kadiwéu de MS, conhecidos como índios cavaleiros, expressam elementos de sua cultura. Eles são um dos mais de 200 povos indígenas, falantes de 180 línguas, no Brasil.

Bobos entram no meio da festa para assustar. (Foto: Cassandra Cury)Bobos entram no meio da festa para assustar. (Foto: Cassandra Cury)
Festa teve desfile de trajes típicos. (Foto: Cassandra Cury)Festa teve desfile de trajes típicos. (Foto: Cassandra Cury)
Os kadiweu são conhecidos como índios cavaleiros. (Foto: Cassandra Cury)Os kadiweu são conhecidos como índios cavaleiros. (Foto: Cassandra Cury)
Dança tem passos diferentes para homens e mulheres. (Foto: Cassandra Cury)Dança tem passos diferentes para homens e mulheres. (Foto: Cassandra Cury)
Durante a festa, teve torneio de arco e flecha. (Foto: Cassandra Cury)Durante a festa, teve torneio de arco e flecha. (Foto: Cassandra Cury)
Criançada sorridente em dia de comemorar 32 anos de demarcação. (Foto: Cassandra Cury)Criançada sorridente em dia de comemorar 32 anos de demarcação. (Foto: Cassandra Cury)



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