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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

16/09/2013 06:28

Lado B leva roqueiro à Valley e sertanejo ao Fly, para aproximar tribos opostas

Ângela Kempfer e Anny Malagolini
Baterista Felipe Lira, de 26 anos, conheceu a Valley Pub.Baterista Felipe Lira, de 26 anos, conheceu a Valley Pub.

Eles nunca pisaram no point cultural oposto, mas tinham ideias preconcebidas e por isso um sempre passou longe do espaço do outro quando o assunto era diversão. Esse tipo de repulsa, comum às duas tribos em Campo Grande, atiçou o Lado B que resolveu levar um roqueiro à casa dos sertanejos - a Valley Pub, e um sertanejo à balada mais tradicional dos roqueiros - o Bar Fly. A experiência foi reveladora.

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O primeiro a entrar no desafio foi o baterista Felipe Lira, de 26 anos, músico de uma banda de metal da cidade. Na noite combinada, ele já chega à Valley Pub “causando”, com som pesado no carro da banda “Slayer”, batida tão diferente que fez muita gente virar a cabeça na fila do bar sertanejo mais badalado da cidade.

E foi justamente a espera o primeiro ponto a servir de critica. “Eu enfrento fila para assistir show de grandes bandas, como Iron Maiden, não para entrar em bar, ficaria de saco cheio”, reclama o metaleiro.

A entrada custa R$ 30,00, em dias comuns. E quem está acostumado a pagar R$ 10,00 nas casas noturnas underground se assusta. Mesmo assim não reclama e até entende o motivo. “O valor é válido. pelo atendimento, por estarem de prontidão não se torna caro”. Para Felipe, o atendimento, a forma como os funcionários recebem os clientes, foi uma das boas revelações da noite.

Lá dentro, o primeiro olhar teve na mira a decoração, que de cara fez Felipe entender que o lugar é “coisa de elite”. Na avaliação dele, não é nada muito diferente de outros bares temáticos, como o “Lendas”, único pub de rock da Capital.

Mas para roqueiro que se preze, decoração não sustenta uma noite. O que vale é o som e nesse quesito, não há negociação. “A música me move e procuro ir a locais que tenham músicas que eu gosto. Eu respeito o sertanejo, mas não me agrada”, justifica.

As camisas sociais dos homens e os saltos bem altos das meninas deixam claro, segundo Felipe, a preocupação com a aparência, o que incomoda um pouco. “As pessoas ficam querendo mostrar status. Para mim é forçado, mas pra eles pode não ser. É uma visão”, comenta, sem querer criar polêmicas.

Outro ponto que chamou a atenção do músico foi o número de seguranças espalhados pela casa, para evitar brigas entre clientes que abusam do álcool. Legislando em causa própria, Felipe diz que no rock nunca viu confusão desse tipo. “O público roqueiro já está acostumado a superar qualquer discriminação e há afinidade musical, o que torna um mais próximo do outro”.

Por fim, o baterista admite: não se incomodaria em frequentar o espaço dos sertanejos, desde que estivesse acompanhado de amigos. “Mas não viria para ouvir música, de forma alguma”. De novo, o som falou mais alto, mas fora isso, a casa passou na avaliação do representante rocker. “Aqui só falta tocar rock’n’roll”, brinca.

 Cantor de arrocha Evandro Campos fez amigos no Fly. Cantor de arrocha Evandro Campos fez amigos no Fly.

De botina - De camisa xadrez e os cabelos arrepiados, ao estilo “Gustavo Lima”, o cantor de arrocha Evandro Campos, de 29 anos, encarou o Bar Fly, reduto de blues, jazz e rock em Campo Grande. De chegada, destoou do outros no ambiente, mas gente boa, ele acabou gostando.

A máxima de que ”a primeira impressão é a que fica” não coube neste caso. Evandro mudou totalmente a imagem um dia desenhada sobre o lugar. “Eu pensava que o bar seria escuro e repleto de pessoas de preto. Aqui é bem iluminado, não imaginei que fosse bonito, bem decorado”, diz surpreso.

Como muita gente que aceita conceitos só e ouvir falar, ele também descobre que roqueiro não é “tudo mal encarado” e não tem dificuldade para puxar papo no salão. “Aquela imagem de que o roqueiro é drogado é visão do passado”, admite.

Espontâneo, sem meias palavras, o rapaz se encanta também com a beleza das meninas, apesar de aparecerem em menor quantidade em comparação às baladas sertanejas. Para o cantor, uma das lições no Fly é que qualidade pode ser melhor que quantidade. “As meninas do sertanejo se arrumam uma para outra, parece que vão a um casamento”, reclama.

Em dia de blues no palco, Evandro mostrou interesse pela atração e até arriscou listar algumas bandas conhecidas do estilo. Em 2001, o cantor veio para Campo Grande em busca do sucesso e ainda hoje investe no sertanejo universitário, sem nunca ter tentado algum ritmo parecido com o rock.

Mesmo representando o público de quem gosta de uma viola, ele termina a noite defendendo a cultura roqueira. “Achei legal, o povo é diferente, não tem a mesma ‘fitagem’ do público sertanejo”, comenta.

Por fim, os dois mostram que os opostos também podem ter uma noite divertida quando decidem visitar a cultura do vizinho.




Então, julio cesar, as vezes é melhor mesmo não falar nada, como aqui, voce perdeu uma boa aportunidade de ficar calado e respeitar a opinião de todos.
 
sergio roberto em 16/09/2013 17:10:59
Ow Sérgio Roberto e Ivan Brito... vocês são pouco inteligentes mesmo hein... em que lugar da matéria vocês viram algo falando que iam levar duplas pra tocar no Fly??? ou levar bandas de rock pra tocar na Valley?? não sabem interpretar um simples texto, e querem dar opinião, que coisa hein.. não precisa expressar o pensamento de vocês a todo momento, as vezes é melhor não falar nada...
 
Júlio César em 16/09/2013 16:47:47
só falta sertanejo no barfly, aí seria o fim do mundo !
 
sergio roberto em 16/09/2013 15:06:44
infelizmente a intolerância musical impera... quem gosta de um estilo abomina outro; como o diabo foge da cruz.
 
jorge mendes em 16/09/2013 12:35:54
Muito boa a matéria!! Eu curto Reggae e Rock, acho que Campo Grande tem bons lugares pra quem curte esses generos musicais, já fui na Valley tb, não é muito minha praia, mas é divertido!
* Com a grana que gastei na Valley eu era o rei no Rockers... huahuAUhahu...
 
Luis Eduardo kodjaoglanian em 16/09/2013 11:53:43
Só espero que o troca-troca fique apenas nesses convidados, e não em levar duplas sertanejas pra tocar no Fly.
 
Ivan Brito em 16/09/2013 11:45:57
Bacana demais. Eu mesmo sou cantor sertanejo, mas fui "criado" com o rock, desde pequeno escuto AC/DC, Metallica, Iron Maiden e outros assim como Leandro e Leonardo, Tião Carreiro e Pardinho, Chitãozinho e Xororó. Já tive minha fase "metaleiro" na adolescência e com o tempo passei a ir mais para o lado sertanejo mesmo e chegando hoje a formar uma dupla. Creio eu que tem-se de manter o respeito pelo gosto alheio e aceitar as culturas sem julgá-las.
 
Luiz Torchetti em 16/09/2013 10:23:51
É interessante a troca para mostrar o lado do respeito e da diferença, mais espero que não comprem a idéia da Srª Regina Casé com seu "Esquenta" apesar de lá ser comercial e queira misturar tudo, para não perder a essência e a naturalidade dos estilos.
 
Edieverson Dias em 16/09/2013 10:13:40
Frequento as duas casas.. gosto muito da Valley e também do Fly. Gostar de um estilo não exclui gostar do outro.. O problema é que tem alguns ignorantes, que não sei o motivo, se vêem obrigados a gostar de algo, e ao mesmo tempo, também obrigados a odiar outro estilo.
Tem espaço para todo mundo... é só saber respeitar as pessoas.
 
Júlio César em 16/09/2013 09:14:53
Muito bacana a iniciativa do lado B, de aproximar culturas diferentes e ajudar a quebrar o preconceito e rixas bobas.
 
Janaina Vieira em 16/09/2013 08:20:23
Ângela Kempfer e Anny Malagolini, parabéns pela matéria... Curto rock e achei sensacional a ideia contida na matéria. Conheço a banda do rapaz (ótima banda) e gostei da forma como ele encarou o desafio, também registro os meus elogios ao rapaz representante da tribo sertaneja. Mais uma vez, parabéns a todos.
 
Gil Kleber Pereira Alves em 16/09/2013 08:15:04
Ah...e sim, o Fly é um lugar incrível para se fazer amizades, "puxar papo" por lá é o que há de mais fácil. Existe uma magia naquele lugar que faz a diversão ser tão sincera quanto simples. Um lugar pra se amar, de verdade.
 
Camila Nogueira em 16/09/2013 07:40:30
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