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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

21/08/2016 07:15

Meninos de personalidade resistem com cabelo comprido, apesar da pressão

Thailla Torres
Mãe e filho seguem de mãos dadas contra o preconceito na infância. (Foto: Fernando Antunes) Mãe e filho seguem de mãos dadas contra o preconceito na infância. (Foto: Fernando Antunes)

A família precisa estar preparada bem cedo, porque os padrões fazem vítimas já na infância. Coração de mãe aperta por coisas que parecem ridículas em pleno 2016, como pressão contra menino que tem o cabelo comprido. O bom, é que ao levar adiante a vontade dos filhos, as famílias fortalecem a autoestima da criança.

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A terapeuta ocupacional, Tatiana Marinho, de 36 anos, é mãe de João Vitor Marinho, 10, e já perdeu as contas de quantas vezes precisou bater o pé dizendo o que o filho é ele e não "ela". Há 4 anos, João deixa o cabelo crescer e os fios já estão na altura do ombros. Quando sai para passear com os pais, é sempre a mesma coisa. Com muita maturidade, para tão pouco tempo de vida, ele questiona o nível de sensatez do ser humano. "Parece até que menino não pode ter cabelo comprido. Então, quer dizer que se uma menina usar o cabelo curto ela vai ser menino?", questiona.

Mas não é só a confusão que incomoda. A mãe entende que as vezes quando alguém olha de longe, pode acontecer um confusão natural, mas é chatice de quem fica perguntando porque o filho não corta o cabelo, é que ela considera desnecessário. "E geralmente são conhecidas, que sabem que ele tem o cabelo e perguntam: ah mas porque não corta esse cabelo? E ainda questionam se o gosto pelo tamanho é meu ou dele. Como se eu estive impondo", se incomoda. 

João não se importa e lida com os comentário com muita maturidade. (Foto: Fernando Antunes)João não se importa e lida com os comentário com muita maturidade. (Foto: Fernando Antunes)

Na escola, também surgiram comentários. "Os meninos tiraram sarrinho, falando que não era menino e mais parecia a minha prima , contou João. Mas  hoje quando algum amigo faz comentário, ele acaba dando a volta por cima.

"Os meninos até chegam a fazer brincadeiras, mas as meninas elogiam, então para ele, esta ótimo. Nossa preocupação é não deixar ele ter uma baixa auto estima e muito menos querer ser diferente porque as pessoas não entendem", comenta a mãe.

Do lado da mãe, é o exercício de paciência que prevalece. "A gente está conversando com ele, explicando que é preciso ter paciência. Não ensinamos ele a responder com grosseria, mas também não deixamos que ele fique quieto, acredito que é uma fase que ele também precisa se impor", esclarece a mãe. 

O direito de resposta é uma maneira de ir contra o preconceito e quebrar barreiras quanto a personalidade do filho. "Sou muito tranquila, mas eu fico triste por ele e acho que ele tem que falar caso se sinta incomodado. Porque em muitos casos, isso pode acabar refletindo de uma maneira negativa lá na frente. Minha preocupação é sempre em passar confiança para ele", diz a mãe. 

No começo, até para membros da família foi difícil entender. "Até o avô já comentou que ele deveria usar uma camiseta preta e uns acessórios para mostrar que é rockeiro. Mas ele não é rockeiro e não precisa usar nada para ficar provando que é um menino. Independente de qualquer coisa, é uma criança e gosta do cabelo assim."

João menospreza qualquer comentário que vá contra seu gosto pessoal. Para ele, a lógica é ter a aparência que quiser. "E nem ligo mais. O que eu gosto é de ter cabelo comprido e pronto", diz.

Irmão Ravi e Miguel. (Foto: Arquivo Pessoal)Irmão Ravi e Miguel. (Foto: Arquivo Pessoal)
Juntos se divertem até com o cabelo cumprido. (Foto: Arquivo Pessoal)Juntos se divertem até com o cabelo cumprido. (Foto: Arquivo Pessoal)

A jornalista Carol Alencar Cozzati também é um exemplo de mãe que enfrenta ao lado dos filhos Miguel e Ravi o preconceito pelo tamanho do cabelo. 

O filho maior é Miguel, de 5 anos. Desde pequeno, a mãe deixa o cabelo crescer, mas hoje o filho tem voz ativa e deixa claro que também prefere ter o cabelo longo. "Ele nunca pediu pra cortar, inclusive, uma vez a gente cortou e ele ficou bastante chateado. Hoje a gente não corta mais. Assim como o pequeno, que nunca cortou", explica.

A situação deixa pai e mãe indignados. "As pessoas não conseguem olhar o contexto e eu fico de boca aberta de ver que está vestido como menino e as pessoas ainda pensarem que é menina", lamenta. 

O pior é que ela também sofre maior pressão da família. "Eu sinto o preconceito pela indiretas, que geralmente vem da família. Ficam pedindo para a gente cortar, que aparência física não é de menino. Ou ficam dizendo que eu deveria cortar porque é mais fresquinho, dando indireta para ver se eu corto".

Mas a mãe, faz questão de ir contra a opinião. Enquanto luta pela liberdade, até levanta a discussão sobre gênero. "A gente está aqui para provar que são crianças acima de tudo. Nasceram meninos, mas se vai ser ele ou ela, isso ainda não tem definição. É apenas uma criança. Eu venho desconstruindo isso, porque na verdade quero que eles sejam livres". 

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