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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

17/06/2015 06:34

Mesmo casados há anos, maridos e esposas vestem gala para renovar compromisso

Naiane Mesquita
Na fila antes de entrar, noivos e acompanhantes estavam emocionados (foto: Fernando Antunes)Na fila antes de entrar, noivos e acompanhantes estavam emocionados (foto: Fernando Antunes)

Para os casais que estavam ali, esperando a hora de subir ao altar, não havia espaço para superstições. O tradicional vestido de noiva aparecia em diferentes modelos e nenhum noivo tinha medo de vê-los.

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Os rostos, a maioria com traços do tempo, não se assustavam mais com o perigo do azar eminente e a cerimônia prestes a acontecer só sacramentava algo que estava escrito há muitos anos na história dos dois.

Mesmo casados há anos, maridos e esposas vestem gala para renovar compromisso

Com um sabor de recomeço, não era difícil ver alguns rostos meio perdidos, emocionados. O casamento coletivo da Igreja Eleitos em Cristo – Ministério do Evangelho, reuniu 15 casais de diferentes idades que buscavam a realização ou renovação dos votos. Apesar de pequenininha, a igreja localizada no bairro Santa Luzia, teve de abrigar a todos que desejavam ouvir do pastor que a união estaria finalmente abençoada aos olhos de Deus.

Nas mãos trêmulas e, ao mesmo tempo, firmes ao lado dos acompanhantes, os casais ficavam enfileirados a espera do grande momento. Os homens ao lado de filhas ou mães, as noivas com os irmãos, tios, filhos homens ou mulheres, muitos ainda crianças.

Eu, que nunca havia visto tantas noivas na vida, demorei apenas alguns segundos para encontrar não uma, mas várias emocionadas. Entre elas, estava Vanilza Gaudino de Lima. Com 37 anos, ela segurava firme as mãos da filha mais velha de quatro meninas. Impecável, com cabelos loiros e olhos marejados, Vanilza se apoiava em Suziele, que não parava de falar, de um jeito nervoso, emocionado, e principalmente, ansioso. “Parece que sou eu”, dizia aos quatro ventos.

Em uma festa dividida, pode se julgar que a cerimônia se torna impessoal, mas, o que senti foi o contrário. Tudo se multiplicou. Cada um tem com seu tempo de entrar, de caminhar e de encontrar o amor da vida. Não de poucos anos, mas de muito tempo.

Casada há 20 anos com Cícero no cartório, Vanilza diz que não há emoção maior do que entrar na igrejaCasada há 20 anos com Cícero no cartório, Vanilza diz que não há emoção maior do que entrar na igreja

Há anos ao lado de Cícero, Vanilza o conheceu ainda na adolescência em um garimpo de ouro em Alta Floresta, em Mato Grosso. Os dois moraram a vida inteira no local e ela trabalhava de cozinheira até um dia ambos decidirem que era hora de deixar a vida lá. “Meu coração está saindo da boca. Não liguei para o casamento no civil e no garimpo a gente casou na igreja verde, conhece?” brinca, para em seguida completar. “No mato mesmo, não tinha isso de igreja”.

Na hora de entrar na igreja, antes da noiva continuar o percurso, ela ouvia o atual/futuro marido fazer uma verdadeira e emocionada declaração de amor. Os presentes pareciam viver em uma final de Copa do Mundo, com direito a gritos e palmas de incentivo. Para os noivos, pouco importava. Muitos nem sequer olhavam para os lados. O objetivo sempre esteve mais a frente.

Segundo o pastor que organizou toda a cerimônia, Gabriel Alves, 40 anos, muitos casais estavam a beira do divórcio e a cerimônia serviu para resgatar um carinho e um cuidado mútuo que não existia antes.

“Aqui na igreja temos casais que estão juntos há menos de dois anos e outros que tem 30 anos de história, como eu, por exemplo. A gente percebe que esse brilho da cerimonia, das meninas sonharem, dos caras esperarem, está se perdendo e na minha opinião não deveria se perder, quem já é casado ou quem deixou essa oportunidade passar, no fundo se arrepende de não ter marcado esse momento”, acredita Gabriel.

Até fazer o registro do momento era difícil com tantos convidadosAté fazer o registro do momento era difícil com tantos convidados

Puxando a fila dos que receberam novamente a benção na igreja, Gabriel renovou os votos com a esposa Cleusa dos Santos Alves, com quem é casado a exatos 22 anos. “Estou nervoso, é como se fosse a primeira vez, uma emoção que eu achei que nem sentiria”, diz o pastor

Para ele, o que mais vale é a oportunidade de ajudar casais que estavam a beira do divórcio. “Na igreja nós vemos muitos casais em crise. Um casal que eu ajudei está aqui conosco, eles quase se separaram várias vezes e hoje a cerimônia está se tornando um marco nessa história. Ver uma família que estava prestes a se dividir, que tem filhos adolescentes, refletir e pensar aquele dia de novo eu renovei meus votos, eu prometi ser fiel, estar na alegria e na doença”, afirma.

Depois da cerimônia, todos os noivos ainda comemoram ao lado dos convidados em um hotel de Campo Grande, fechado especialmente para o grupo. “Fizemos tudo certinho. Será uma grande celebração”, acredita Gabriel.




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