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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

20/10/2016 06:05

Morando em hotel há 35 anos, Franklin não quer casa e nem amores

Thailla Torres
Com bom humor, Franklin brinca que só sai do hotel se um dia chamarem a polícia. (Foto: Fernando Antunes)Com bom humor, Franklin brinca que só sai do hotel se um dia chamarem a polícia. (Foto: Fernando Antunes)

Depois de viagens e alguns anos de casamento, Franklin diz que encontrou a felicidade subindo as escadas do Hotel Gaspar, na Avenida Mato Grosso. Há 35 anos no mesmo endereço, ele é o morador mais antigo dali. Em um quarto pequeno, com móveis da década de 1960, guarda uma vida que ele não pretende abrir mão tão cedo, garante.

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Hoje Franklin Queiroz Junior tem 65 anos, trabalha como representante de produtos cosméticos e passa o dia vendendo pela cidade, assim como os primeiros hóspedes caixeiros viajantes que passavam antigamente pelo hotel.

De vez em quando, encara uma viagem, mas diz que já esteve em muitos lugares do País e anda cansado. Também não vê sentido em largar o hotel para viver sozinho em uma casa, a justificativa é paz e segurança. “Na minha idade, não tem razão pra eu viver sozinho e esse lugar é especial", comenta.

O quarto é pequeno, mas a vida do vendedor está ali. (Foto: Fernando Antunes)O quarto é pequeno, mas a vida do vendedor está ali. (Foto: Fernando Antunes)

Pagando por mês, mora em um quarto pequeno com banheiro, onde tem cama de casal, guarda roupa, geladeira e ar condicionado, com direito a internet e um café da manhã farto todos os dias. “Aqui eu tenho tudo, minha cama e geladeira fui eu que comprei. Enquanto não durmo, tenho ali a mesinha que preciso para o computador e não sinto falta de mais nada. Aqui é a minha casa”.

O vendedor nasceu em Lorena, no interior de São Paulo. Chegou em Campo Grande em 1981, transferido da empresa em que trabalhava. O Hotel Gaspar acabou sendo o primeiro lugar a se hospedar.

Hoje, o hotel tem um valor ainda maior pelas amizades e pela família que constituiu por ali. "Eu fiz amizade com seu Antônio Gaspar e dona Mariana (fundadores). Quando cheguei aqui, eu era difícil e gostava de uma farra. Ele até que não se importava, mas a dona Mariana era brava e eu fazia umas bagunças no hotel", admite.

Entre as memórias, o vendedor carrega carinho. "A gente se reunia aqui para jogar cacheta e esse hotel era o point. Como era em frente a Estação Ferroviária, na época a gente esperava aqui bebendo no hotel, quando o trem dava o primeiro sinal, a gente esperava o segundo e no terceiro saia correndo, pulava o muro e subia no trem. Por isso fiquei aqui, porque quis, eu gosto desse lugar", recorda.

A liberdade já rendeu muita confusão. "Quando eu era jovem, aprontava mesmo. Sabe como é... um dia eu fui expulso daqui. Eles pegaram bronca comigo, aí eu fiquei morando no Hotel União que era próximo, mas fazia questão de tomar café aqui e passar o dia, aí não teve jeito, tive que voltar", conta.

Para Franklin, nenhuma sacada é tão bela como a do Hotel Gaspar. (Foto: Fernando Antunes)Para Franklin, nenhuma sacada é tão bela como a do Hotel Gaspar. (Foto: Fernando Antunes)

Os anos como morador mais antigo fizeram de Franklin um guardador de histórias. "Eu vivi tudo aqui e conheço tudo. Jânio Quadros se hospedou aqui sabia? Tem também o Che Guevara, mas esse aí ninguém tem prova. Mas dizem que é verdade. Conheci Sérgio Reis, ele vivia aqui", lembra.

Quando o hotel chegou a ser arrendado, em 1988, pela família Teló, após o falecimento do proprietário Antônio Gaspar, Franklin sentiu pelas mudanças, mas nem de perto pensou em abrir mão do espaço que se tornou o lar preferido. "O ambiente ficou outro, eles reformaram muita coisa. Mas sempre fui encantado por esse hotel. Eu lembro que o Michel Teló andava por aqui pequeno ainda, soltava a voz no Galopeira e eu estava em tudo", conta.

Hoje, Franklin é solteiro e não tem filhos e apesar do passado de homem namorador, hoje não quer deixar de lado a liberdade. “Não quero mais mulher. Elas mandam na gente, não tem jeito. Eu quero ficar sozinho. Tenho uma paquera e outra por aí, já ta bom”.

Duro é escutar sempre pessoas dizerem que ele está ficando louco em viver sozinho, reclama. “As pessoas falam que eu tenho que comprar uma casa, ter um casamento. Mas eu não quero. Casamento é bom? É muito bom, mas também tem coisas ruins. Não gosto de ninguém me controlando. Única mulher que mandava em mim era minha mãe", diz.

Franklin parece decidido em viver o resto dos dias como hóspede, aproveitando o por do sol que ilumina as sacadas do Gaspar. "Quero continuar do jeito que estou. Nunca fiz questão de comprar casa e nessa idade nem preciso mais. Sou feliz, todo dia aproveito a paisagem e daqui lembro de tudo que já vivi." 

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Parabenizo a colega Tailla Torres pela história contada e pelo fiel retrato do modo singular e único de vida do Franklin.
Eu que o conheço e somos amigos, sei muito bem dessa particularidade do seu jeito de viver e ver a vida despreocupado e malandramente.
Parabéns Lado B.
Abraços meu amigo Franklim


Victor Currales - Karaí Mbaretê...
 
Victor Luiz Martins currales em 20/10/2016 09:12:58
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